Após vazamento, animais marinhos fogem para águas rasas nos EUA

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

Golfinhos e tubarões nadam em águas rasas no litoral da Flórida. Tainhas, caranguejos e arraias se reúnem aos milhares nos píeres do Alabama. Pássaros cobertos de óleo se arrastam para os pântanos da costa. Depois de 58 dias de vazamento de petróleo no Golfo do México, fenômenos incomuns estão sendo observados pelos biólogos que analisam os efeitos do desastre ecológico desencadeado pela petroleira BP.

De acordo com o que se pode ver, os animais selvagens cujo ecossistema foi afetado pelo vazamento parecem fugir do petróleo e se abrigar em águas mais limpas, uma tendência interpretada pelos pesquisadores como um sinal de alarme. Por um lado, indicaria alto nível de poluição das águas do golfo do México. Por outro, a superlotação incomum pode levar a uma mortandade por insuficiência de oxigênio na água, e deixa os animais vulneráveis a predadores naturais.

“Um paralelo seria: por que os animais fogem para as bordas de uma floresta em chamas? Haverá muitos peixes, tubarões, tartarugas tentando fugir da água que eles detectam como imprópria”, afirmou Larry Crowder, biólogo marinho da Duke University, em entrevista à AP.

Quase dois meses depois da explosão que deu origem ao vazamento, dezenas de milhões de barris de petróleo despejados no golfo do México criaram uma catástrofe ambiental sem precedentes na história dos EUA, como admitiu o próprio presidente Barack Obama.

O número de animais mortos contabilizado pelos pesquisadores até agora indica 783 pássaros, 353 tartarugas e 41 mamíferos – uma cifra modesta perto dos 250 mil pássaros mortos no desastre Exxon Valdez no Alaska em 1989.

Para os cientistas, alguns fatores colaboram para isso: a vastidão da área afetada dificulta uma contabilidade precisa. Além disso, muitos corpos nunca serão encontrados, pois afundam ou são devorados por outros animais. E um número alto de pássaros está morrendo nas profundezas dos pântanos onde procuram refúgio.

“É assim que eles acham que estão protegendo a si mesmos”, afirmou Doug Zimmer, porta-voz do Serviço de Pesca e Vida Marinha dos EUA.

A contabilidade dos animais mortos é mais do que um exercício acadêmico – esse montante também deve determinar quanto a BP vai pagar pelos danos.

Para o biólogo marinho do Greenpance John Hocevar, “a razão pela qual não estamos encontrando mais animais mortos é que o impacto dessa crise está só começando”.

*Com informações da Associated Press

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