Obama deve pressionar pela criação de um fundo para pagar os prejuízos do vazamento

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

O primeiro encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o presidente da British Petroleum, Carl-Henric Svanberg, que está marcado para esta quarta-feira (16), deve ter como tema principal a criação de um fundo independente para custear os estragos reivindicados pela população local e empresários atingidos pelo vazamento de petróleo no golfo do México, que já dura 58 dias.

Durante pronunciamento no Salão Oval da Casa Branca na noite de ontem, Obama disse que é obrigação da BP arcar com os custos dos prejuízos causados pelo vazamento. O presidente norte-americano chegou a dizer que a empresa britânica foi imprudente e, que por isso, terá de pagar pelos danos.

Ele afirmou que vai instruir os funcionários da BP a oferecer os recursos que forem necessários para compensar os trabalhadores e empresários prejudicados pelo incidente. Obama também aproveitou o discurso para nomear o Secretário da Marinha, Ray Mabus, como responsável por desenvolver um plano de longo alcance para "restaurar a beleza e graça da região".

"Não se enganem: vamos combater esse derramamento com tudo o que temos e durante o tempo que for preciso", disse Obama. "Vamos fazer a BP pagar pelos danos causados por sua empresa. E faremos tudo o que for necessário para ajudar o golfo do México e a população para que se recupere desta tragédia”, afirmou.

Logo após o pronunciamento de Obama, a BP afirmou que compartilha a meta de limpar o vazamento e de ajudar as pessoas e o ambiente afetados. A companhia também disse que espera ansiosamente pela reunião com o presidente americano nesta quarta-feira "para uma discussão construtiva sobre como melhor atingir esses objetivos mútuos". Procurado por telefone pela agência Associated Press, o porta-voz da BP não quis comentar.

Em entrevista à TV ABC, o porta-voz do governo norte-americano Robert Gibbs disse que Obama tem autoridade legal para determinar que a BP estabeleça um processo independente de ressarcimento dos prejuízos de modo que as pessoas afetadas possam receber as indenizações de maneira rápida, eficiente e transparente.

Indagado sobre o que Obama fará se a BP se recusar, Gibbs disse: "O presidente tem a autoridade legal para obrigá-los a fazer isso. E se eles não cumprirem, ele o fará."

A Casa Branca disse ainda estar confiante de que a gigante petroleira terá dinheiro suficiente para cobrir os custos do vazamento, que devem chegar a bilhões de dólares.

Até 9,5 milhões de litros vazam por dia no golfo, segundo EUA

"Eles têm muitos ativos, eles têm muito dinheiro. Iremos ter certeza que o dinheiro será colocado no lugar certo para garantir que eles [moradores do golfo] sejam assistidos", disse a repórteres o porta-voz da Casa Branca Bill Burton a bordo do Air Force One, enquanto Obama retornava a Washington após visita ao Golfo do México.

Porém, o presidente da BP América, Lamar McKay, recusou-se ontem, no Congresso dos Estados Unidos, a dizer claramente se a companhia colocaria à disposição uma conta para indenizar as vítimas do vazamento.

A região do acidente está fechada à pesca há oito semanas, após a explosão no dia 20 de abril da plataforma da BP "Deepwater Horizon" em frente à costa da Louisiana, que gerou uma enorme fuga de petróleo.

A BP, que conseguiu conter na última semana cerca da metade do óleo derramado enquanto perfura dois novos poços para redirecionar a fuga de forma permanente, prometeu "honrar com todas as legítimas reclamações" de compensação.

A empresa britânica já pagou 19 mil pedidos de indenização, somando um total de US$ 53 milhões.

Maioria de acordo
A maioria dos americanos (59%) quer que a empresa britânica BP pague por todas as perdas financeiras dos habitantes da costa dos EUA, mesmo que isso leve a empresa à falência. Os custos incluiriam salários de trabalhadores dos setores pesqueiro e turístico.

Além disso, 71% dos americanos pensam que Obama não foi duro o suficiente com a BP.

Pouco mais da metade dos americanos (53%) consideram a resposta de Obama ao derrame "ruim" ou "muito ruim"; 81% deram a mesma resposta para a BP.

A pesquisa de opinião foi encomendada pelo jornal USA Today ao instituto Gallup e foi conduzida entre os dias 11 e 13 de junho.

*Com informações da Folha.com e das agências internacionais

 

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