Irã aprova lei para reduzir cooperação com AIEA após sofrer sanções

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

Raio-x do Irã:

  • Nome oficial: República Islâmica do Irã
    Capital: Teerã
    Tipo de governo: República Teocrática
    População: 66.429,284
    Idiomas: Persa e dialetos persas 58%, turcomano e dialetos turcos 26%, curdo 9%, luri 2%, balochi 1%, árabe 1%, turco 1%, outros 2%
    Grupos étnicos: Persas 51%, azeris 24%, e gilakis mazandaranis 8%, curdos 7%, árabes 3%, lurs 2%, balochis 2%, turcomenos 2%, outros 1%
    Religiões: Muçulmanos 98% (xiitas 89% e sunitas 9%), outras (que inclui zoroastras, judeus, cristãos, e bahais) 2%
    Fonte: CIA Factbook

O Parlamento iraniano aprovou nesta quarta-feira (16) um projeto de lei para reduzir ao mínimo a cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), informou a agência de notícias "Isna".

A medida responde à decisão do Conselho de Segurança da ONU que aprovou na semana passada o endurecimento das sanções internacionais impostas ao Irã pelas suspeitas sobre seu programa nuclear. O país já havia anunciado ontem que reduzirá "em breve" suas exportações de minério dos países que votaram a favor das novas sanções impostas pela ONU.

De acordo com o projeto de lei, a assembleia demanda ao Executivo que restrinja a colaboração com a citada agência da ONU aos limites precisos do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNPN).

O Parlamento quer que o governo continue com o polêmico programa de enriquecimento de urânio a 20%, uma das principais causas da imposição de medidas punitivas mais restritivas.

O diretor da agência iraniana de energia atômica, Ali Akbar Salehi, disse hoje que o país está projetando um reator nuclear similar ao que tem em Teerã para fins médicos, porém de maior potência. O diretor afirmou ainda que o projeto poderá ser concluído até 20 de março de 2011.

Uma vez concluído, os cientistas e operários iranianos necessitarão de cinco anos para construir o reator, que pretende chegar aos 20 megawatts e cujo objetivo é a produção de isótopos médicos, acrescentou.

Revelação de usinas de enriquecimento de urânio escondidas acelerou sanções ao Irã

  • A relação das potências ocidentais com o Irã se deteriorou com rapidez após a CIA (agência de inteligência dos EUA) detectar por satélite a existência da usina de enriquecimento de urânio escondida dentro de uma montanha próxima da cidade sagrada xiita de Qom em setembro de 2009

Salehi calculou que o reator de Teerã, uma vez que se consiga o combustível, poderá seguir funcionado durante mais 15 anos, e assinalou que seu país não descarta construir outros em um futuro próximo.

Com relação a isso, o Irã insistiu que conhece a tecnologia para produzir o combustível nuclear necessário para que o reator não pare.

Ontem, o ministro de Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, defendeu em visita a Europa o acordo alcançado entre Irã, Brasil e Turquia como caminho para resolver a polêmica envolvendo o programa nuclear iraniano.

Amorim disse lamentar que "quando dois países que não são membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas (Brasil e Turquia) ousaram tentar encontrar um acordo", eles enfrentaram a rejeição da comunidade internacional. O ministro ressaltou que a proposta de Turquia e Brasil encontrou muitas alianças teóricas, mas pouco apoio prático.

O acordo, que o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, assegura estar em vigor, prevê que o Irã envie parte de seu urânio pouco enriquecido à Turquia, que será recebido um ano depois como combustível nuclear a 20%, para ser utilizado em um reator científico.

 

Mais sanções

Líderes da União Europeia seguirão com planos para aprovar sanções mais duras contra o Irã na quinta-feira, incluindo medidas para limitar o investimento nos setores de petróleo e gás e a capacidade de refino de Teerã.

Ministros de Relações Exteriores da UE, responsáveis por acertar uma posição comum antes de um encontro do bloco em Bruxelas, na quinta-feira, assinaram um comunicado na segunda que vai substancialmente além das sanções extras aprovadas pela ONU.

Os diplomatas disseram que as sanções da UE, que poderão ser impostas a partir do próximo mês, devem focar o comércio, instituições financeiras e de seguros e o setor de transportes iraniano naval e aéreo.

Atentado a bomba

O ministro de Inteligência do Irã, Heydar Moslehi, afirmou hoje que os serviços secretos do país interceptaram uma suposta tentativa de atentado a bomba que seria realizado em Teerã pelo grupo opositor no exílio "Mujahedin Khalq" (Combatentes do Povo).

Moslehi afirmou que, durante a operação, foi detido um número ainda não determinado de membros da organização armada, que se opõe ao regime iraniano desde a década de 80.

"Este grupo terrorista planejava atentar com bomba em várias praças de Teerã. Pretendia aterrorizar a população inocente em vários distritos importantes", explicou o Moslehi, citado pela televisão estatal em inglês.

O ministro, que não destacou quando foram detidos os supostos terroristas, voltou a acusar os Estados Unidos, o Reino Unido e a Suécia de apoiarem as atividades do grupo.

Além disso, assinalou que os supostos terroristas tinham recebido treinamento militar no Iraque e que planejavam ainda criar confusão incendiando automóveis de Polícia e motocicletas.

Fundado na década de 70, o Mujahedin Khalq foi amparado após o triunfo da revolução islâmica em 1979 no Iraque, desde onde realizaram vários ataques contra o novo regime iraniano.

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