Brasil vence Costa do Marfim em jogo alternativo que leva em conta indicadores sociais

Fabiana Uchinaka
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Dois dos maiores jogadores do mundo entram em campo neste domingo (18) para mais uma partida da Copa do Mundo da África do Sul. Brasil e Costa do Marfim disputam uma vaga na próxima fase do mundial, Kaká e Didier Drogba, a bola. Se o astro da seleção marfinense terá do seu lado a apaixonada torcida africana, o brasileiro carrega a tradição da camisa 10 imortalizada por Pelé.

Numa primeira fase cheia de zebras, fica difícil saber quem vai levar a melhor. Mas, imagine se outros fatores estivessem em jogo. Educação, liberdade, índice de desenvolvimento humano, participação feminina e expectativa de vida, por exemplo. Quem sairia ganhando?

É por esse lado que um guia alternativo analisa as partidas das seleções africanas (Argélia, Camarões, Costa do Marfim, Gana, Nigéria e África do Sul) contra seus adversários na Copa. O “Scoring for África” (Marcando gols para a África), da ONG Painel para o Progresso da África (PPA), foi lançado nesta semana por Drogba, embaixador da Boa Vontade do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), e pelo ex-secretário-geral da ONU e Nobel da Paz, o ganês Kofi Annan, presidente da entidade.

“Já vimos uma e outra vez como o esporte pode ajudar a superar os conflitos mais profundamente enraizados e as tensões dentro dos países. Aqui na África do Sul, a Copa do Mundo de Rugby de 1995 ajudou a unificar o país e curar as profundas cicatrizes do passado. Nosso sonho é que o esporte possa ajudar a preencher lacunas e superar as diferenças entre as nações e os continentes”, explicaram Annan e Drogba no guia.

Para eles, a Copa do Mundo une as pessoas de forma mais eficaz que qualquer tratado ou convenção. Por isso, este é o momento de mostrar como os outros países do mundo podem ajudar a desenvolver os países africanos, que estão em grande desvantagem na disputa internacional, sem conseguir jogar em condições de igualdade, com um árbitro imparcial e um conjunto claro de regras.

Pelo “plano de jogo” apresentado para a disputa de domingo (veja ao lado), o Brasil marcaria um golaço se dividisse com a Costa do Marfim suas experiências únicas no desenvolvimento da transferência de renda e da segurança alimentar, da educação, da industrialização e da saúde.

Já a nação africana teria mais vantagem no campeonato se finalmente marcasse uma data para a realização das eleições. O governo local, liderado pelo presidente Laurent Gbagbo e pelo primeiro-ministro Guillaume Soro, tem repetidamente adiado a realização de votações no país.

Entre os “chutes a gol” feitos pelo Brasil, estão a ajuda humanitária dada a nações africanas, inclusive à Costa do Marfim, a expansão do comércio exterior com países da África, que pulou de US$ 3,1 bilhões, em 2000, para R$ 26 bilhões, no ano passado, a participação de militares brasileiros na missão da ONU na Costa do Marfim e a troca de experiências entre os dois países, grandes produtores de cacau.

Na sessão “chutes para fora”, a publicação aponta que a Costa do Marfim está significativamente longe de alcançar a maioria das Metas do Milênio, principalmente em relação à pobreza, à fome e à saúde, e ainda tem uma das mais elevadas taxas de mortalidade materna no mundo.

E o Brasil, apesar do forte crescimento econômico na última década, também é incapaz de cumprir algumas das metas, especialmente as relativas à redução da pobreza.

O manual destaca ainda que os dois países são verdadeiros pernetas quando se trata da venda ilegal de madeira e combate ao desmatamento, e precisam trabalhar melhor o combate ao contrabando de diamantes brutos para avançar na competição internacional.

Além das táticas de jogo, o guia colocou lado a lado os principais indicadores de desenvolvimento para saber, finalmente, quem seria o campeão. As posições ocupadas pelos dois países no ranking da Fifa também foram incluídas. (veja abaixo o ranking completo)

O Brasil levou vantagem, já que é o primeiro na lista do futebol e se saiu melhor em índices como PIB, IDH, expectativa de vida e educação. A Costa do Marfim apresenta índices mais próximos de países subdesenvolvidos e peca no quesito liberdade. No entanto, o vencedor desta disputa pode não ser o vencedor do campeonato. Talvez não reste mesmo nenhum vencedor.

"Os africanos não são responsáveis pela mudança climáticas, mas sofrem seus piores efeitos, o que torna a vida muito mais difícil, insalubre e perigosa para bilhões de pessoas. As regras mundiais para o comércio, a tecnologia, as finanças, a migração e os direitos autorais tornam o crescimento das economias, a luta contra a pobreza e a tentativa de garantir que todos tenham o suficiente para comer e atendimento médico decente muito mais difícil. Como resultado de regras injustas, cumprir as Metas do Milênio é uma luta muito mais difícil que seja", resumiram os responsáveis pela publicação.

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