Documento final do G20 vai confirmar corte pela metade do déficit de países ricos

Renata Giraldi
Enviada especial da Agência Brasil
Em Toronto (Canadá)

A declaração final do G20 (que reúne os países mais ricos do mundo e alguns emergentes) deve ter um tom equilibrado, atendendo aos desejos dos países desenvolvidos e também dos emergentes. Haverá elogios ao governo da China e à União Europeia. Os chineses devem ganhar um item à parte por terem valorizado, há uma semana, o yuan (moeda chinesa), evitando prejuízos ao comércio mundial. Já os europeus devem ser elogiados pela adoção dos ajustes fiscais em meio à crise econômica que atingiu o continente.

A Agência Brasil teve acesso ao rascunho da declaração final do G20. No documento, os líderes mundiais, reunidos em Toronto, no Canadá, pretendem deixar claro que apoiam os planos de estímulo à retomada do crescimento e ao fortalecimento da recuperação econômica mundial. As discussões, iniciadas ontem (26), concentram-se no debate econômico.

Pelo texto, a expressão “recuperação econômica” deve ser repetida várias vezes. No rascunho do documento, os líderes deixam patente que a adoção de medidas é fundamental para evitar recessão. Sem consenso interno sobre vários aspectos econômicos, os líderes mundiais estão escolhendo expressões que evitem mais divergências e indiquem a adoção de “propostas equilibradas” que dêem sustentação à economia mundial.

A polêmica sobre o corte pela metade do déficit público até 2013 deve ser estabelecida em um dos itens da declaração, como defendem os europeus. Com uma ressalva: a medida valerá apenas para os “países avançados”, deixando de lado os emergentes, como Brasil e Argentina, que não querem se enquadrar em metas de ajuste.

A declaração final deve conter ainda uma recomendação para que todos os países se esforcem no sentido de completar a reforma das instituições financeiras mundiais, medida considerada prioritária para o Brasil. Mas, nas referências ao tema, não devem ser fixados prazos ou datas. O item se refere ao Banco Mundial (Bird) e ao Fundo Monetário Internacional (FMI), mas a declaração não deve mencioná-los diretamente.

Também deverá constar um item sobre metas contra o protecionismo e pela liberalização do comércio internacional. O Canadá, que reduziu unilateralmente as tarifas como parte do pacote de estímulo econômico, incentiva, nas reuniões do G20, que outros países dêem continuidade aos esforços multilaterais para a abertura do comércio.

Nos últimos dois dias, os líderes mundiais analisaram, em Toronto, as propostas para um crescimento econômico mais sustentável e equilibrado num ambiente de crise. Mas, nos debates paralelos, concordaram que a recuperação da economia global permanece frágil.

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