G20 dividido ainda acredita em proposta comum para enfrentar a crise econômica mundial

Renata Giraldi
Enviada especial da Agência Brasil
Em Toronto (Canadá)

Os líderes mundiais reunidos no G20 (grupo dos países mais ricos do mundo e alguns emergentes) buscam uma proposta comum que sustente a economia internacional em meio a crises financeiras. No final da tarde de hoje (27) será anunciada uma declaração final. Porém, por divergências internas, o tom será de recomendação e não de orientações específicas.

Antes do encerramento das discussões houve uma série de manifestações isoladas dos países indicando as discordâncias e o que cada um estava disposto a negociar. A principal polêmica envolve o debate sobre a permanência de uma política expansionista dos gastos públicos ou a adoção de maior rigor no ajuste fiscal em busca do equilíbrio econômico.

Outro tema controvertido é a adoção de um imposto global sobre os bancos - a chamada taxação bancária. Europeus e norte-americanos defendem a medida porque eles foram particularmente afetados pelas últimas crises financeiras. Brasil, Argentina e outros latino-americanos são contrários porque, justificam, os seus sistemas financeiros estão equilibrados e já há políticas tributárias específicas para o setor bancário.

As reuniões do G20 foram antecedidas por discussões do G8 (que reúne os países mais industrializados do mundo). No G8, os líderes definiram que as questões econômica seriam abordadas exclusivamente nas reuniões do G20. Os industrializados optaram por formalizar uma declaração final abordando assuntos políticos, como as questões do Irã, da Coreia do Norte, do Afeganistão e do Oriente Médio.

Na declaração final, os líderes deverão incluir itens sobre a reforma do sistema financeiro internacional, uma das prioridades para o governo brasileiro. O Brasil e outros países emergentes afirmam que há uma desproporção entre a representatividade de algumas nações em organismos multilaterais e a dimensão que possuem no cenário mundial.

Mantidos à distância do local onde ocorrem os debates, manifestantes protestam. Ontem (26), no começo da noite, houve um protesto violento envolvendo manifestantes e policiais em uma das principais avenidas de Toronto. Apesar das cercas e barricadas instaladas em várias ruas da capital canadense, os manifestantes entraram em confronto com a segurança.

Com barcos e jet skis, a polícia canadense patrulha a cidade de Toronto e o Lago Ontário, em frente ao local das discussões do G20. No total, 20 mil policiais trabalham para garantir a segurança da reunião de cúpula. Em estado de alerta estão 5 mil homens escalados para trabalhar nas áreas mais próximas ao evento. Foram gastos cerca de US$ 960 mil.

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