Ao receber presidente da Síria, Lula pede "moderação" no Oriente Médio e critica Israel

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu hoje (30) a busca da moderação na tentativa de se estabelecer a paz no Oriente Médio, em declarações feitas durante o almoço oferecido ao presidente da Síria, Bashar Al-Assad, no Itamaraty.

Lula disse que não haverá conciliação enquanto as negociações girarem em torno de "vencedores e vencidos", e acrescentou que transmitiu esta mensagem nos encontros que manteve com os representantes de Israel, da Autoridade Nacional Palestina, da Jordânia e do Irã.

“Temos urgência em ver a região pacificada com todos os povos vivendo em harmonia”, disse Lula. “Levei essa exortação à moderação e ao compromisso negociador em minhas recentes visitas a Tel Aviv [Israel], Ramalá [Faixa de Gaza], Amã [Jordânia], Doha [Catar] e Teerã [Irã].”

Presidente Lula sugere integração da Síria à OMC

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu hoje (30) a entrada da Síria na Organização Mundial do Comércio (OMC). Para Lula, a tendência no mundo atual é de crescimento multilateral e, por isso, é o momento de avançar no processo de inclusão dos sírios na OMC.

“A tendência é de crescimento com um sistema multilateral de comércio mais representativo dos anseios do mundo em desenvolvimento. Por isso, defendemos o fim dos entraves que impedem o avanço do processo de acesso da Síria à OMC”, afirmou Lula, durante almoço oferecido ao presidente da Síria, Bashar Al-Assad, no Itamaraty.

O presidente brasileiro disse que as negociações econômicas devem buscar o fim da suspensão de barreiras e a tentativa de conciliação. “A capacidade de transpor barreiras e compartilhar experiências é o impulso maior de nosso relacionamento”, afirmou Lula. “Temos uma aliança assentada em números sólidos. O comércio quadruplicou e hoje alcança US$ 300 milhões.”

A Síria está no centro das discussões sobre a paz no Oriente Médio. O país mantém relações conflituosas com vários vizinhos e apenas recentemente fez um acordo de paz com o Líbano. Na Síria há representantes do Hamas e a região é uma das mais escolhidas pelos imigrantes palestinos e iraquianos para se instalarem.

“A Síria é um sócio indispensável na busca da pacificação. Não se retomarão as negociações sem o engajamento de todos”, disse Lula. “Todos os olhos se voltam para Damasco em busca de palavra de autoridade e moderação. A Síria tem de ser ouvida e envolvida nas grandes discussões sobre o futuro do Oriente Médio.”

Ataques de Israel

Na mesma ocasião, Lula criticou o ataque militar israelense a uma frota com ajuda humanitária, no fim do mês passado. O ataque causou a morte de nove ativistas e 30 pessoas.

Para Lula, a ação israelense pode ser comparada a atos terroristas. Segundo ele, Israel deve anular de forma definitiva o embargo comercial na Faixa de Gaza – imposto desde dezembro de 2007.

“O Brasil condenou a intervenção em Gaza da mesma forma que condena atos terroristas de qualquer espécie. Consideramos que bloqueios não contribuem para a paz”, disse durante almoço com o presidente da Síria, Bashar Al-Assad, no Itamaraty.

Assim como o governo do Brasil, várias autoridades estrangeiras condenaram o ataque israelense à frota com ajuda humanitária. Há cobranças de explicações e investigações. Mas o governo de Israel se nega a autorizar a condução de apurações externas do caso. Para os israelenses, o ataque foi uma resposta às ameaças dos grupos terroristas na região.

Lula defendeu ainda que a Síria tem direitos sobre as Colinas de Golã. Localizada na fronteira entre Líbano, Jordânia e Síria, as Colinas de Golã passaram para o domínio israelense, na Guerra dos Seis Dias, em 1967.

“Apoiamos o princípio da 'terra por paz' para assegurar a devolução das Colinas de Golã à Síria”, disse Lula. Em seguida, o presidente reiterou o direito de o povo palestino obter um Estado próprio. “Defendemos um Estado Palestino independente, soberano, coeso e economicamente viável, e que possa conviver com segurança e dignidade com Israel.”

Acordos bilaterais

Lula e Al-Assad, devem assinar hoje uma série de acordos que envolvem desde a transferência de pessoas condenadas até a cooperação educacional, além de um memorando de entendimento na área de saúde. Em comum, ambos têm a defesa do diálogo para o fim do impasse sobre a política nuclear iraniana na comunidade internacional. O governo de Assad é considerado um dos principais aliados do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.

Assad fica hoje e amanhã (1º) no Brasil. A primeira visita dele coincide com a comemoração dos 130 anos da imigração árabe ao País e uma retribuição da viagem de Lula a Damasco, em dezembro de 2003. Nos últimos sete anos, Brasil e Síria ampliaram relações econômicas. A corrente bilateral de comércio passou de US$ 78 milhões, em 2003, para cerca de US$ 310 milhões, em 2009.

Em Brasília, Assad almoça com o Lula, em seguida tem reuniões com os presidentes do Senado Federal, José Sarney (PMDB-AP), e da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP). Em São Paulo, Assad se reúne com a comunidade síria. Antes do Brasil, Assad passou pela Venezuela e Cuba. Amanhã (2) ele segue para a Argentina.

*Com informações da Agência Brasil

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