Após sanções, países se negam a reabastecer aviões iranianos

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

O Reino Unido, a Alemanha e os Emirados Árabes Unidos se recusam a abastecer os aviões iranianos de passageiros que transitam em seus aeroportos, segundo a Associação de Companhias Aéreas Iranianas, citada nesta segunda-feira (5) pelas agências Irna e Isna. O Kuait também se nega a abastecer os aviões iranianos, diz a Irna.

Segundo essas agências de notícias iranianas, a medida começou a ser aplicada na semana passada e é consequência das sanções unilaterais impostas pelos EUA contra o Irã por seu programa nuclear.

"Desde a semana passada, depois da adoção das sanções unilaterais e das sanções americanas contra o Irã, os aeroportos do Reino Unido, Alemanha e Emirados Árabes Unidos se negam a abastecer os aviões iranianos", disse Mehdi Aliyari, secretário da Associação de Companhias Aéreas Iranianas, citado pela Isna.

"As companhias Iran Air (nacional) e Mahan (privada), que têm inúmeros voos para a Europa, tiveram problemas", acrescentou.

Aliyari pediu à Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO) que intervenha para declarar "ilegal a aplicação dessas sanções".

"O ministério das Relações Exteriores, a organização nacional da aviação civil, o ministério dos Transportes (...) atuarão contra esta ação ilegal americano", acrescentou.

Ahmadinejad diz que sanções são patéticas

No sábado (3), o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad disse que as mais recentes sanções contra o Irã são "patéticas", alertando que as potências mundiais se arrependeriam das ameaças feitas.

Em seu primeiro discurso desde que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, assinou uma lei sancionando a vulnerabilidade das importações de combustíveis do Irã, Ahmadinejad afirmou que as medidas não afetariam a economia ou impediriam o país de ter um importante papel nas relações mundiais.

Raio-x do Irã:

  • Nome oficial: República Islâmica do Irã
    Capital: Teerã
    Tipo de governo: República Teocrática
    População: 66.429,284
    Idiomas: Persa e dialetos persas 58%, turcomano e dialetos turcos 26%, curdo 9%, luri 2%, balochi 1%, árabe 1%, turco 1%, outros 2%
    Grupos étnicos: Persas 51%, azeris 24%, e gilakis mazandaranis 8%, curdos 7%, árabes 3%, lurs 2%, balochis 2%, turcomenos 2%, outros 1%
    Religiões: Muçulmanos 98% (xiitas 89% e sunitas 9%), outras (que inclui zoroastras, judeus, cristãos, e bahais) 2%
    Fonte: CIA Factbook

"Eles sabem que há um leão adormecido no Irã que está acordando e se ele acordar todos os relacionamentos no mundo vão mudar", disse ele a industriais. "Esses atos patético mostram que eles sabem que há grande poder humano escondido no Irã".

A legislação norte-americana seguiu sanções acordadas pelo Conselho de Segurança da ONU e da União Europeia, com o objetivo de pressionar Teerã a interromper um programa nuclear que alguns países temem ser destinado à produção de bombas --o que Teerã nega.

"Eles achavam que, se reunindo e falando uns com os outros e assinando documentos, poderiam impedir o progresso de uma grande nação", disse Ahmadinejad.

"O Irã é muito maior do que eles podem perceber em suas mentes pequenas", acrescentou. "Sabemos que, se a sociedade iraniana despertar não haverá mais espaço para potências arrogantes, corruptas e ameaçadoras".

O presidente iraniano minimizou o impacto das sanções, classificando a resolução da ONU como "um lenço usado" e afirmando que o Irã pode se tornar auto suficiente em gasolina dentro de uma semana, se necessário.

Potências renovam oferta de diálogo

Também no sábado, o grupo de grandes potências formadas pelo G5+1 e a União Europeia (UE) renovaram sua oferta de diálogo ao Irã, apesar das sanções unilaterais impostas esta semana pelos Estados Unidos, informou o Departamento de Estado dos EUA.

"Eles repetiram sua oferta de se reunir com o Irã para discutir sobre o assunto nuclear e enfatizaram que a porta segue aberta", disse Mark Toner, porta-voz do Departamento de Estado.

O subsecretário para Assuntos Políticos do Departamento de Estado, William Burns, manteve uma série de reuniões com seus parceiros do G5+1 (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas - EUA, Rússia, França, Grã-Bretanha e China - e a Alemanha) e com a chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton.

O objetivo destas reuniões, disse Toner, foi "revisar a situação a respeito do programa nuclear iraniano".

Segundo o porta-voz, todos os países e a União Europeia reafirmaram seu apoio à resolução 1929, tomada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas mês passado, que estabelece um novo e mais duro regime de sanções a Teerã até que seu programa nuclear seja esclarecido perante a comunidade internacional.

No entanto, também reiteraram que o objetivo do grupo é encontrar uma solução dialogada com o Irã para colocar fim as décadas de hostilidade entre o regime iraniano e o ocidente.

Toner destacou que Ashton comunicou esta intenção ao Irã em carta enviada ao governo presidido por Mahmoud Ahmadinejad, na qual reiteraram que a porta do diálogo "segue aberta".

O Congresso americano aprovou um pacote de novas restrições em matéria energética e financeira ao Irã, assinado pelo presidente Barack Obama na semana passada.

A Câmara de Representantes e o Senado aprovaram um projeto de lei que impõe sanções contra negócios que dêem ao Irã petróleo refinado ou lhe ajudem a fabricá-lo, e contra instituições financeiras que façam negócios com a Guarda Revolucionária iraniana.

O texto indica que os bancos estrangeiros que façam negócios com bancos iranianos que estejam na "lista negra" americana terão duas opções: encerrar suas atividades ou se arriscar a que os Estados Unidos bloqueiem o acesso a seu sistema financeiro.

Obama assinalou que as sanções são as "mais duras jamais aprovadas contra esse país pelo Congresso" americano e advertiu ao Irã que "continuará a pressão" internacional para evitar que a República Islâmica possa fazer-se com armamento nuclear.

O Irã desenvolve um plano de enriquecimento de urânio que assegura que tem fins pacíficos, mas a comunidade internacional suspeita que sob essa aparência Teerã procura construir uma armada nuclear.

* Com as agências internacionais
 

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