Negociações comerciais podem promover democracia em países da África, diz Amorim

Luciana Lima

Da Agência Brasil<br>Em Malabo (Guiné Equatorial)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez nesta segunda-feira (5) uma rápida visita à Guiné Equatorial. Em Malabo, Lula se reuniu com o presidente Obiang Nguema, que chegou ao poder por meio de um golpe de Estado há 30 anos. O objetivo do Brasil em Guiné Equatorial é fazer negócios e abrir mercado para o Brasil no continente disputado de forma ferrenha por outros países emergentes, principalmente a China.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, defende que o ambiente de trocas comerciais pode influenciar países como a Guiné Equatorial a adotar práticas democráticas. Amorim defendeu a intensificação do comércio com o país do Oeste da África. “Negócios são negócios”, disse o ministro.

“Nós não estamos ajudando nem promovendo ditaduras. Quem resolve o problema de cada país é o povo de cada país. A democracia não se impõe, se conquista, se trabalha por ela. O exemplo tem muito mais força que a pregação moralista”, defendeu Amorim antes do encontro.

O presidente Obiang Nguema resistiu a outras tentativas de golpes e tem sido reeleito. No ano passado, Obiang Nguema venceu com 97% dos votos.

Empresários brasileiros que acompanham o governo na visita a países africanos querem atuar na construção de obras de infraestrutura da Guiné Equatorial, que em 2012 será sede da Copa da África.

Os empresários querem também vender para o país máquinas agrícolas, equipamentos e produtos industrializados dos mais variados. Atualmente, o principal item de exportação para a Guiné Equatorial é a carne (33%), seguida de outros gêneros alimentícios.

O diretor do Departamento de Promoção Comercial do Itamaraty, Norton Rapesta, disse que o principal obstáculo para os empresários brasileiros é a falta de rotas navais e aéreas do Brasil para a África. “Muitas vezes um contêiner sai do Brasil e vai a Hong Kong e Dubai antes de chegar à África”, exemplificou.

O Brasil compra da Guiné Equatorial principalmente petróleo. A região é rica em petróleo e gás, mas o monopólio sobre essa exploração é praticado pela empresa americana Exon-Mobil. De acordo com Rapesta, não há interesse da Petrobras em entrar na exploração petroleira.

Após o almoço, Lula segue para o Quênia, terceiro país africano da viagem.

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