Turquia ameaça romper relações com Israel por ataque à frota humanitária

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

  • Berit Roald/AFP - 15.jun.2010

    O ministro das relações Internacionais da Turquia, Ahmet Davutoglu, durante conferência de imprensa em Oslo, na Noruega

    O ministro das relações Internacionais da Turquia, Ahmet Davutoglu, durante conferência de imprensa em Oslo, na Noruega

O ministro de Negócios Estrangeiros da Turquia, Ahmet Davutoglu, afirmou ao jornal turco "Hurriyet", que o seu país cortará relações com Israel caso este não peça desculpas pelo ataque ao comboio humanitário que tentava entregar ajuda aos palestinos da faixa de Gaza.

O ataque aconteceu no último dia 31 de maio e terminou com a prisão de todos os ativistas do comboio e a morte de pelo menos nove pessoas, a maioria de origem turca.

Davutoglu aconselhou Israel a se retratar ou a aceitar as conclusões de uma comissão de investigação internacional sobre o caso. Segundo o ministro turco, caso o governo israelense não aceite a proposta, a Turquia romperá todas as relações com os israelenses. “O governo de Israel tem três opções: eles devem se desculpar ou reconhecer uma investigação internacional e imparcial do caso e as suas conclusões", declarou o chanceler turco.

Semana passada, Davutoglu participou de um encontro secreto com o ministro do Comércio israelense, Benjamin Ben-Eliezer, em Bruxelas. "Nós lhe mostramos uma saída: se eles se desculparem baseados na conclusão da sua própria investigação, seria ótimo para nós. Mas é claro que primeiro temos que vê-la", disse o ministro turco sobre a investigação israelense sobre o ataque.

Apesar do diálogo, o premiê Benyamin Netanyahu afirmou que Israel não pedirá desculpas pelo ataque ao navio. "Israel não pode se desculpar porque seus soldados tiveram que se defender para evitar ser linchados por uma multidão", defendeu o premiê entrevista à emissora de TV estatal israelense "Channel 1".

Em resposta a Netanyahu, o chanceler turco afirmou que, neste caso, os "laços nunca serão reparados". "Eles estão cientes de nossas demandas. Se eles não querem desculpas, então devem aceitar uma investigação internacional", disse o ministro turco, acrescentando que a Turquia não irá esperar a decisão de Israel por tempo indeterminado.

Investigação ‘viciada’

O governo israelense aprovou neste domingo a ampliação dos poderes da comissão interna que investiga o ataque ao navio turco. O organismo poderá a partir de agora convocar testemunhas e pedir que declarem sob juramento, informou o Executivo em comunicado.

No entanto, o inquérito mantém suas principais limitações: seu objetivo continua sendo "esclarecer" os fatos (não atribuir responsabilidades aos políticos e militares que tomaram as decisões) e seus dois observadores internacionais (o norte-irlandês William David Trimble, prêmio Nobel da Paz, e o canadense Ken Watkin, ex-promotor geral do Exército do Canadá) não têm direito a voto.

Está mantida a proibição aos membros do comitê de interrogar os soldados que participaram da abordagem. Os juízes receberão apenas o resumo das respostas que deram ao grupo de analistas do próprio Exército israelense.

O objetivo da comissão será determinar se as ações do Estado de Israel para impedir a chegada do comboio humanitário a Gaza ocorreram de acordo com o direito internacional e pronunciar-se sobre a legalidade do bloqueio marítimo que mantém sobre a faixa palestina.

Bloqueio

Na última segunda-feira, a Turquia decidiu fechar seu espaço aéreo para alguns dos voos militares israelenses. A medida é retaliação ao ataque. Segundo o chanceler turco, o bloqueio pode continuar caso o governo de Israel não apresente o pedido formal de desculpas sobre o caso.

Os navios com ajuda humanitária navegavam rumo a Gaza para tentar romper com o bloqueio imposto por Israel contra o governo do grupo islâmico radical Hamas. O país insiste que as tropas envolvidas na ação agiram em defesa própria, depois de serem atacadas por ativistas a bordo.

Em resposta às críticas dos EUA e de outros aliados, Israel depois do incidente atenuou o bloqueio à faixa de Gaza, autorizando a entrada de produtos com finalidades civis aos seus 1,5 milhão de habitantes. O bloqueio marítimo, no entanto, permanece.

*Com informações das agências internacionais e da Folha.com

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