Em busca de ajuda para arcar com os custos da limpeza, BP pode vender 10% das ações para Abu Dhabi

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

O presidente-executivo da BP (antiga British Petroleum), Tony Hayward, discutiu com o príncipe de Abu Dhabi, Sheikh Mohammad Bin Zayed, nesta quarta-feira (7), a possível venda de 10% das ações da petroleira ao emirado, segundo a agência Dow Jones.

Sheila Williams, porta-voz do grupo, disse que Hayward se reuniu hoje com representantes da Autoridade de Investimento de Abu Dhabi, o que corrobora especulações de que um fundo soberano da Ásia ou Oriente Médio poderia injetar capital para ajudar a BP a arcar com os gastos do acidente.

"Com o presidente-executivo em Abu Dhabi, falando com o fundo de riqueza soberana para conseguir algum investimento, não é surpreendente que haja algum entusiasmo no mercado pelas ações da BP", disse Mic Mills, diretor de transações eletrônicas da corretora londrina ETX Capital.

Um porta-voz da BP disse a um jornal dos Emirados que Hayward não está "viajando o mundo com um pote de esmolas, pedindo contribuições societárias, mas nos agrada que as pessoas apreciem o valor da BP".

Combate ao vazamento

No Golfo do México, a BP continua trabalhando para tentar estancar o vazamento. Segundo o almirante da reserva Thad Allen, representante do governo dos EUA junto à operação, a escavação de um poço auxiliar a partir do qual será possível tapar petróleo está uma semana adiantada.

Mas, falando na terça-feira a jornalistas em Houston, ele desmentiu especulações de que o poço - um dos dois em escavação - poderia sanar o problema ainda em julho. Allen manteve a previsão de que os poços serão concluídos em meados de agosto.

As ações da BP, que já vinham registrando alta nos últimos dias, subiram mais 9 por cento na Bolsa de Nova York, e na quarta-feira chegaram à sua maior cotação em Londres desde 21 de junho. Às 6h49 (hora de Brasília), os papéis da BP registravam alta de 3,8 por cento, vendidos a 3,588 libras.

"Qualquer coisa que acelere o processo ou qualquer tipo de sucesso em tampar (o poço) seria um bem-vindo alívio", disse Alan Lancz, presidente da Alan B. Lancz & Associates, de Toledo, Ohio. "Aí você poderia chegar à verdadeira amplitude da responsabilidade civil (da BP)."

Além de escavar o poço, a BP usa canos para recolher parte do petróleo que jorra e levá-lo para duas embarcações na superfície. Um terceiro navio, que elevará a capacidade de coleta do óleo de 3 para 6,3 milhões de litros por dia, já está parcialmente conectado, mas o mar agitado complica a conclusão da operação.

Não se sabe ao certo quanto petróleo jorra por dia no fundo do mar, mas autoridades estimam que chegue a cerca de 100 mil barris de petróleo por dia.

*Com agências internacionais

 

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