Chanceler venezuelano discute com Lula "propostas de paz" para tensão com Colômbia

Camila Campanerut
Do UOL Notícias

Em Brasília

  • Jorge Silva/Reuters

    Chanceler venezuelano, Nicolás Maduro

    Chanceler venezuelano, Nicolás Maduro

O chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, relatou na noite desta segunda-feira (26) ter apresentado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva as "propostas de paz" do governo da Venezuela em relação à crise diplomática com a Colômbia, intensificada na última semana.

"A Venezuela é um governo de paz, com vocação unitária sul-americanista", afirmou Maduro, após uma reunião de quase uma hora com o presidente Lula, em Brasília.

"Chávez é um combatente pela integração”, acrescentou o chanceler, sem detalhar o conteúdo das propostas discutidas com Lula.

O secretário-executivo do Ministério das Relações Exteriores, Antonio Patriota, ressaltou o interesse do Brasil em ajudar a reatar as relações das duas nações vizinhas.

“Estamos trabalhando para garantir a confiança e manter tranquila a situação até a transferência da presidência”, afirmou Patriota, em referência à transição na chefia do governo colombiano, em 7 de agosto, quando se encerra o governo de Álvaro Uribe, o presidente eleito, Juan Manuel Santos, assume o cargo.

Os detalhes da proposta venezuelana serão apresentados aos demais países vizinhos, na reunião de chanceleres da Unasul (União das Nações Sul-Americanas), na próxima quinta-feira (29), em Quito (Equador). 

Rompimento

Na semana passada, o representante colombiano, Luis Alfonso Hoyos, levou à OEA (Organização dos Estados Americanos), em Washington, uma série de mapas e fotos que comprovam, segundo a Colômbia, a presença de guerrilheiros das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) refugiados em território venezuelano.

Em resposta às acusações de que guerrilheiros estariam abrigados em território venezuelano, Chávez anunciou o rompimento das relações diplomáticas com a Colômbia.

“Não nos resta outra opção, por dignidade, a não ser romper totalmente as relações diplomáticas com a irmã Colômbia, e isso me produz uma lágrima no coração”, afirmou o presidente da Venezuela, em transmissão ao vivo pela televisão.

Chávez também ordenou “alerta máximo” na fronteira e advertiu sobre o risco de que o presidente colombiano, Álvaro Uribe, movido por seu “ódio contra a Venezuela”, pudesse realizar uma ação militar na região.

"Uribe é capaz de mandar montar um acampamento falso do lado venezuelano só para poder atacá-lo e causar uma guerra", afirmou. "A uma guerra com Colômbia teríamos que ir chorando, mas iríamos."

Em 2009, Chávez já havia "congelado" as relações com a Colômbia por causa de denúncias do país vizinho de um suposto desvio de armas venezuelanas às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), o que afetou o comércio bilateral.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos