Lula recebe chanceler venezuelano para discutir crise com Colômbia

Do UOL Notícias

Em São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe nesta segunda-feira (26) o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, para discutir a ruptura nas relações diplomáticas entre Venezuela e Colômbia, interrompidas na última semana.

A reunião vai acontecer às 19h, em Brasília, quatro dias depois de o presidente venezuelano, Hugo Chávez, romper relações com o país vizinho, em resposta às acusações da Colômbia de que haveria guerrilheiros abrigados em território venezuelano.

No mesmo dia em que o rompimento foi anunciado, Lula conversou com Chávez por telefone para manifestar "preocupação" com a escalada das tensões entre Venezuela e Colômbia.

A questão será discutida também na reunião de chanceleres da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), na próxima quinta-feira, em Quito (Equador). A Venezuela já prometeu encaminhar uma proposta "de paz" para o encontro.

A crise acontece no final do mandato de Álvaro Uribe, que deixa a presidência da Colômbia no próximo 7 de agosto, data em que o presidente eleito Juan Manuel Santo assumirá o cargo.

Rompimento

Na semana passada, o representante colombiano, Luis Alfonso Hoyos, levou à OEA (Organização dos Estados Americanos), em Washington, uma série de mapas e fotos que comprovam, segundo a Colômbia, a presença de guerrilheiros das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) refugiados em território venezuelano.

Em resposta às acusações de que guerrilheiros estariam abrigados em território venezuelano, Chávez anunciou o rompimento das relações diplomáticas com a Colômbia.

“Não nos resta outra opção, por dignidade, a não ser romper totalmente as relações diplomáticas com a irmã Colômbia, e isso me produz uma lágrima no coração”, afirmou o presidente da Venezuela, em transmissão ao vivo pela televisão.

Chávez também ordenou “alerta máximo” na fronteira e advertiu sobre o risco de que o presidente colombiano, Álvaro Uribe, movido por seu “ódio contra a Venezuela”, pudesse realizar uma ação militar na região.

"Uribe é capaz de mandar montar um acampamento falso do lado venezuelano só para poder atacá-lo e causar uma guerra", afirmou. "A uma guerra com Colômbia teríamos que ir chorando, mas iríamos."

Em 2009, Chávez já havia "congelado" as relações com a Colômbia por causa de denúncias do país vizinho de um suposto desvio de armas venezuelanas às Farc, o que afetou enormemente o comércio bilateral.

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