Pentágono afirma que revisão de documentos de guerra pode levar até semanas

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

O Pentágono disse nesta segunda-feira (26) que a revisão dos mais de 91 mil documentos secretos dos militares norte-americanos sobre a guerra no Afeganistão pode levar  "dias, se não semanas" e que é muito cedo para avaliar os danos causados com a divulgação.

"Nós vamos tentar determinar os danos em potencial para as vidas de nossos militares, de nossos parceiros da coalizão e à segurança nacional", afirmou o porta-voz do Pentágono, coronel Dave Lapan

O que é o "WikiLeaks"?

WikiLeaks é um site que permite aos usuários postar documentos, fotos e/ou noticias governamentais ou empresariais, de matérias sensíveis sob anonimato. O Wikileaks alega que a informação colocada pelos usuários não é rastreável. Foi lançado em dezembro de 2006 e em meados de novembro de 2007 já continha 1,2 milhão de documentos.

Corrupção e assassinatos no Quênia, violações da convenção de Genebra na prisão norte-americana de Guantánamo, fotos de protestos no Tibete e listas de censura na internet em diversos países, como Austrália e Tailândia, são algumas informações vazadas pelo site.

Os Estados Unidos, Reino Unido e Paquistão condenaram a divulgação dos documentos secretos, mas, segundo Julian Assange, fundador do site “WikiLeaks” (responsável pela liberação do conteúdo), os documentos são apenas um começo, já que afirma ter milhares de arquivos sobre o assunto.

O assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, o general Jim Jones, disse que a divulgação dos documentos "coloca as vidas dos americanos e dos nossos parceiros em risco." Em um comunicado, Jones salientou que os documentos são do período de janeiro de 2004 a dezembro de 2009, principalmente durante a administração do ex-presidente George W. Bush.

Jones destacou que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou uma nova estratégia para o Afeganistão logo que assumiu o cargo.

O embaixador do Paquistão, Husain Haqqani, disse que os documentos "não refletem a atual realidade no local" e que seu país e Washington são "um esforço conjunto para derrotar a Al Qaeda e seus aliados talebans".

A Otan se recusou a comentar sobre o vazamento dos documentos, mas disse que acredita que o caso não irá prejudicar as operações em curso no Afeganistão.

A chanceler britânica, William Hague, afirmou que houve progressos significativos na construção recente do Estado afegão: "por isso espero que o veneno não afete a atmosfera".

O governo do Afeganistão disse estar chocado com a divulgação, mas não com o conteúdo revelado por eles. "Sobre o conteúdo destes documentos vazados, a reação do presidente foi de que a maioria disso não é novidade e já foi discutido no passado com nossos parceiros internacionais", disse o porta-voz presidencial afegão, Waheed Omar.

"Crimes de guerra"

Para o fundador do site "WikiLeaks" os documentos revelam que a coalizão internacional pode ter cometido "crimes de guerra".

"Quem tem que decidir se se trata de um crime ou não é um tribunal. No entanto, à primeira vista, dá a impressão de que há provas de crimes de guerra nestes documentos", afirmou Julian Assange em uma entrevista coletiva à imprensa.

Os documentos contam com detalhes inéditos da guerra no Afeganistão retirados dos arquivos do Pentágono e de relatórios nos teatros de operações que vão de 2004 a 2010.

De acordo com o "The Guardian", um dos três veículos que tiveram acesso aos arquivos, pelo menos 195 mortos civis estão registrados, um número "provavelmente subestimado porque vários eventos controversos são omitidos nos relatórios diários das tropas no terreno".

Segundo o "The New York Times", outro veículo para o qual os arquivos foram apresentados, agentes paquistaneses e talebans reúnem-se regularmente em "sessões de estratégia secreta" com o objetivo de organizar "redes de grupos de insurgentes que enfrentam os soldados americanos no Afeganistão, e mostram até complôs visando à assassinar dirigentes afegãos".

"Estamos acostumados às críticas daqueles cujos abusos mostramos", declarou Assange.

O fundador do "WikiLeaks" afirmou que deseja que estes documentos favoreçam "a compreensão do que ocorreu durante os últimos seis anos de guerra no Afeganistão e uma mudança de política" no que diz respeito a esta guerra.

*Com agências internacionais

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