"Quem sofre com sanções é o povo", diz Amorim sobre questão iraniana

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

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    Chanceler brasileiro, Celso Amorim, é recebido pela delegação da seleção palestina feminina de futebol, durante sua visita à Palestina, nesta segunda

    Chanceler brasileiro, Celso Amorim, é recebido pela delegação da seleção palestina feminina de futebol, durante sua visita à Palestina, nesta segunda

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, reiterou nesta segunda-feira (26) que sanções internacionais não são o melhor caminho para abordar a questão iraniana.

“O Brasil não gosta de sanções, não acha que resolvam o caso, em geral. Pode haver casos extremos em que isso seja necessário, mas não acreditamos que esse seja o caso [com o Irã], porque existe um caminho pacífico que, aliás, nós ajudamos a negociar. E nós gostamos menos ainda quando as sanções são impostas unilateralmente”, afirmou o chanceler a repórteres, durante sua visita à Palestina.

Os ministros de Assuntos Exteriores dos países da União Europeia (UE) aprovaram hoje um pacote de sanções mais duras contra o Irã para motivar a volta de Teerã às negociações sobre seu programa de enriquecimento de urânio. Além das sanções contidas na resolução 1929 aprovada pela ONU em 9 de junho, os 27 países do bloco europeu adotaram sanções comunitárias específicas adicionais.

“Na realidade, quem sofre com as sanções é o povo”, afirmou Amorim. “Em todo o caso, as elites dão um jeito de se manter, às vezes elas até se reforçam com as sanções.”

“Eu espero que o Irã reaja com flexibilidade, que continue mantendo sua disposição a negociar”, reiterou o chanceler. “Se os países acharem que nossa ajuda é útil, estamos dispostos a ajudar, mas também não vamos ficar pedindo para ajudar.”

Questionado pela imprensa se esse contexto poderia afetar os negócios do Brasil com o Irã, Amorim respondeu: “É preciso entender uma coisa, nós não fomos movidos por um interesse econômico específico, fomos movidos pelo desejo de contribuir para a paz”.

Em carta entregue à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) nesta segunda-feira, o governo do Irã comunicou sua disposição em reiniciar as negociações para aprovação de um programa de troca de urânio com baixos níveis de enriquecimento pelo material enriquecido para a utilização em fins civis.

"O Irã está completamente pronto para negociar, sem pré-condições, a utilização de combustível para o reator (nuclear) de Teerã", afirmou o enviado iraniano à AIEA, Ali Asghar Soltanieh, segundo a agência de notícias iraniana Irna.

As novas negociações devem ter como base o acordo proposto pelos governos brasileiro e turco, que previa que o Irã enviasse 1,2 mil quilos de urânio levemente enriquecido à Turquia para, em troca, receber urânio altamente enriquecido.

*Com agências internacionais e BBC

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