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Conselho de Segurança da ONU se reúne hoje para tratar o conflito entre Líbano e Israel

Equipes de resgate israelenses socorrem vítimas na fronteira entre os dois países - Ancho Gosh-Jini/AFP
Equipes de resgate israelenses socorrem vítimas na fronteira entre os dois países Imagem: Ancho Gosh-Jini/AFP

Do UOL Notícias* <br> Em São Paulo

03/08/2010 14h10Atualizada em 03/08/2010 14h13

O Conselho de Segurança da ONU se reúne nesta terça-feira (3) para discutir a troca de tiros entre os exércitos de Israel e do Líbano na fronteira entre os dois países, que matou quatro libaneses e um militar de alta patente de Israel.

"O secretário-geral (da ONU para Operações de Paz), Alain Le Roy, se reuniu com membros do Conselho para informá-los do confronto", afirmou o porta-voz da ONU Martin Nesirky, durante uma coletiva de imprensa.

Saiba onde foi o conflito

Após os confrontos, as autoridades libanesas pediram que a comunidade internacional exerça pressão sobre Israel a fim de que cessem suas agressões contra o Líbano e o país respeite a resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU, que pôs fim à guerra entre o Estado judeu e o grupo xiita Hizbollah, em 2006.

"Este novo ataque é da responsabilidade da ONU, que deve fazer respeitar a resolução 1701", afirmou o presidente Michel Suleiman, referindo-se aos enfrentamentos de hoje no povoado fronteiriço de Adeisseh.

O comandante militar do norte de Israel disse não acreditar que os confrontos de hoje desencadeiem mais violência.

"Acredito que esse foi um evento isolado. Nós recebemos pedidos das altas patentes do Exército libanês para cessar-fogo", disse o general Gadi Eisenkot, chefe do comando militar do norte de Israel na base próxima à fronteira com o Líbano.

Os Estados Unidos afirmaram que estão "extremamente preocupados" com a violência na fronteira entre os dois países e pediu que ambas as partes exerçam a "máxima prudência" com o caso.

"Estamos tentando entender o que aconteceu. Nossa maior preocupação é para que isso não se repita. A região tem tensão suficiente. A última coisa que queremos ver é que este incidente se expanda para algo mais significativo", afirmou o porta-voz do Departamento de Estado, PJ Crowley.

Confronto e mortes

O exército de Israel confirmou a morte do comandante Dov Harari, 45, responsável por tropas de engenharia das Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) nos confrontos de hoje, de acordo com informações do jornal israelense "Haaretz".

Além dele, pelo menos três soldados libaneses e um jornalista morreram e outras três pessoas ficaram feridas nos confrontos, desencadeados quando um grupo de soldados israelenses quis cortar árvores situadas na chamada cerca técnica.

Esta marca limítrofe fica do lado israelense da fronteira, antes da "linha azul", marcação feita pela ONU para certificar a retirada israelense do sul do Líbano em maio de 2000, após 22 anos de ocupação.

O presidente deu ordens ao exército para responder às violações israelenses da resolução 1701, "sem levar em conta os sacrifícios".

Um chamado similar foi feito pelo chefe primeiro-ministro libanês, Saad Hariri, que condenou as violações israelenses sob a soberania libanesa e a agressão contra o exército, pedindo às forças da ONU (Finul) e à comunidade internacional que assumam suas responsabilidades.

Também pediu que façam pressão sobre Israel para que pare com as agressões e violações e aplique a resolução 1701.

Ações

Hariri manteve uma série de contatos para fazer frente "a agressão israelense contra o exército libanês e à violação escandalosa da resolução 1701".

Por sua vez, o chefe do parlamento, Nabih Berri, manteve, além disso, uma série de reuniões, entre elas com o representante da Secretaria-Geral da ONU no Líbano, Michael Williams, com quem examinou "os ataques criminosos contra o exército libanês".

Williams assegurou que estes ataques eram inquietantes e que a Finul trata de restituir a calma.

Também informou que essa missão de paz da ONU segue com as investigações para determinar o que começou o conflito. "A prioridade agora é prosseguir com as investigações e atuar rápido para que a calma volte à fronteira", acrescentou.

Para Berri, o ocorrido hoje é "uma mensagem clara israelense contra os esforços da Arábia Saudita, Qatar e Síria para garantir a estabilidade no Líbano". Os chefes de Estado da Arábia Saudita, Catar e Síria estiveram em Beirute no último fim de semana.

"Israel demonstrou com sua agressão contra o Líbano e seu exército, assim como suas contínuas violações da (resolução) 1701, que é a única ameaça contra a estabilidade e a soberania do Líbano", afirmou o chefe do parlamento.

Para fazer frente a uma eventual deterioração da situação, Suleiman convocou para hoje uma sessão urgente no palácio presidencial com os membros do Alto Conselho de Defesa, a fim de seguir a evolução dos eventos no sul do país, anunciou a "ANN".
 

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