EUA rejeitam debate "cara a cara" entre Ahmadinejad e Obama

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

  • Reuters

    Ahmadinejad propôs "um diálogo cara a cara e de homem para homem" com o presidente dos EUA

    Ahmadinejad propôs "um diálogo cara a cara e de homem para homem" com o presidente dos EUA

A Casa Branca rejeitou nesta terça-feira (3) a oferta do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, de debater "cara a cara" com o presidente Barack Obama, considerando que o Irã "não deu provas de serenidade" no tema de seu programa nuclear.

"Sempre dissemos que queríamos discutir o programa nuclear ilegal iraniano, se o Irã se comportasse seriamente a respeito", disse o porta-voz de Obama, Robert Gibbs, em uma conferência com a imprensa. "Até agora o Irã não deu mostras de seriedade", disse.

O presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, havia proposto na segunda-feira (2) um diálogo cara a cara e de homem para homem com seu colega americano, Barack Obama, para falar de questões mundiais.

"Tenho que viajar em setembro a Nova York para participar da Assembleia Geral das Nações Unidas. Estou disposto a me sentar com Obama, cara a cara, de homem para homem, para falar livremente sobre questões mundiais, ante os meios de comunicação, para encontrar uma melhor solução", afirmou Ahmadinejad em um discurso transmitido pela televisão estatal.

Ahmadinejad é aguardado na Assembleia Geral das Nações Unidas, no próximo mês, em Nova York.

O presidente iraniano tinha desafiado Obama a manter um debate público com ele sobre questões caras à comunidade internacional.

Em várias ocasiões, ele culpou os Estados Unidos de "desordens globais", particularmente pela crise financeira mundial.

Seu pedido ocorreu depois de uma série de sanções punitivas impostas ao Irã pelo Conselho de Segurança da ONU e pela União Europeia sobre o controverso programa nuclear de Teerã.

Ahmadinejad criticou Obama por ter perdido o que chamou de "oportunidades históricas" para reparar as relações com o Irã, país com o qual os Estados Unidos não têm laços diplomáticos diretos há mais de 30 anos.

"Ele (Obama) disse querer fazer mudanças e nós saudamos (esta atitude). Infelizmente, ele não explorou corretamente as oportunidades históricas", disse o líder radical, acrescentando que Obama "supervaloriza os sionistas".

Em março de 2009, Obama estendeu a mão da diplomacia ao Irã, na tentativa de por um fim ao beco sem saída em que se encontravam as negociações entre os dois países, mas desde então, a animosidade entre ambos só fez piorar.

Ahmadinejad disse ter sido informado de que Obama "está sob forte pressão".

"Alguém deveria perguntar se o governo americano é dominado pelos sionistas ou se o regime sionista é controlado pelo governo americano", declarou.

Assim como os Estados Unidos, Israel não descarta um ataque militar ao Irã para deter seu programa nuclear.

Ahmadinejad, sob cuja presidência o Irã recebeu quatro pacotes de sanções por parte das Nações Unidas, permanece firme em sua decisão de desenvolver um programa de enriquecimento de urânio, o que Washington e outras potências mundiais querem que Teerã abandone.

O Irã alega que não enriquece urânio com objetivos militares, mas civis.

Sob o governo de Ahmadinejad, a animosidade entre Irã e Israel também aumentou dramaticamente, e as potências mundiais o censuraram por suas frequentes falas contra a Israel.

Ahmadinejad ordenou o congelamento, até o fim de agosto, das conversas com as seis potências mundiais - Reino Unido, China, França, Rússia, Estados Unidos e Alemanha - envolvidas na solução da polêmica em torno do programa nuclear iraniano. Espera-se para setembro o início das conversações.

Mas o Irã disse estar pronto para conversar em separado com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, órgão de vigilância atômica da ONU), Estados Unidos, Rússia e França sobre um acordo de intercâmbio de combustível nuclear.

* Com as agências internacionais

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos