Organizações se mobilizam na web contra apedrejamento; Irã é o 2º país que mais executa condenados

Talita Boros
Do UOL Notícias
Em São Paulo

  • AFP

    Ashtiani foi condenada à morte por apedrejamento no Irã sob acusação de adultério

    Ashtiani foi condenada à morte por apedrejamento no Irã sob acusação de adultério

Após a condenação de Sakineh Ashtiani, 43, mãe de dois filhos, acusada de adultério e sentenciada à pena de morte por apedrejamento no Irã, a pressão internacional pela extinção desse tipo de pena cresceu na internet e em diversos países do Ocidente.

O site FreeSakineh (Sakineh livre, em português) foi criado para dar força à campanha contra a execução da iraniana e até a noite de terça-feira (3) contava com mais de 146 mil assinaturas.

Já a página na internet da organização Avaaz promove um abaixo-assinado para acabar com a prática do apedrejamento como pena por crimes e, segundo o site, além de Ashtiani outras 15 pessoas aguardam execuções no Irã. A ONG utiliza redes sociais como o Twitter e o Facebook para divulgar a iniciativa e já tem mais de 553 mil assinaturas de todo o mundo.

A pressão popular também mobilizou governos a emitir comunicados contra a execução da iraniana. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma proposta "humanitária", em suas palavras, para conceder asilo a Sakineh Ashtiani.

Execuções em 2009

1º China sem números precisos
2º Irã 388
3º Iraque 120
4º Arábia Saudita 69
5º Estados Unidos 52
6º Yemen 30
7º Sudão 9
8º Vietnã 9

O governo dos Estados Unidos chegou a dar respaldo à oferta do Brasil. Segundo o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Philip Crowley, o apedrejamento "é um ato de barbárie e deve ser proibido".

O Irã rejeitou a oferta brasileira e chamou Lula de “emotivo” afirmando que o brasileiro não possuía “informação suficiente sobre o caso”.

Execuções

De acordo com a Anistia Internacional, o Irã é o segundo país que mais executa condenados no mundo, atrás apenas da China. Segundo o último levantamento do órgão, o país governado por Mahmoud Ahmadinejad matou 388 pessoas em 2009 e é o líder em execuções no Oriente Médio.

Assassinato, adultério, roubo armado, apostasia e tráfico de drogas são crimes puníveis com a pena de morte pela lei islâmica do Irã, implementada desde a Revolução de 1979.

A morte por apedrejamento foi sentenciada muitas vezes depois de 1979, mas só foi oficializada no Código Penal do país em 1983. Até 1997, pelo menos dez pessoas foram mortas nessa modalidade por ano, segundo dados da organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch.

Raio-x do Irã:

  • Nome oficial: República Islâmica do Irã
    Capital:
    Teerã
    Tipo de governo: República Teocrática População: 66.429,284
    Idiomas:
    Persa e dialetos persas 58%, turcomano e dialetos turcos 26%, curdo 9%, luri 2%, balochi 1%, árabe 1%, turco 1%, outros 2%
    Grupos étnicos:
    Persas 51%, azeris 24%, e gilakis mazandaranis 8%, curdos 7%, árabes 3%, lurs 2%, balochis 2%, turcomenos 2%, outros 1% Religiões: Muçulmanos 98% (xiitas 89% e sunitas 9%), outras (que inclui zoroastras, judeus, cristãos, e bahais) 2% Fonte: CIA Factbook

O ex-presidente moderado Mohammad Khatami conseguiu reduzir a aplicação da punição, mas a sentença voltou a ser usada mais frequentemente depois que Ahmadinejad chegou ao poder.

Nas condenações por apedrejamento no Irã, as mulheres são enterradas até o busto e homens atiram pedras pequenas o bastante para não matar rapidamente. No caso dos homens, eles são enterrados até a cintura, com os braços livres para que possam se defender.

Caso

Ashtiani foi primeiramente acusada de manter "relacionamento ilícito" com dois homens e como punição recebeu 99 chibatadas.

Após a primeira condenação, em maio de 2006, foi acusada de adultério e condenada a morte por apedrejamento. Ashtiani nunca confessou o crime e está presa na penitenciária de Tabriz, região noroeste do Irã.

Sua condenação foi revista após uma série de protestos internacionais e desde então o Poder Judiciário iraniano estuda a ideia de converter a pena de morte de apedrejamento para enforcamento.
 

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