Ninguém ganhou com rompimento entre Colômbia e Venezuela, diz especialista

Talita Boros
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Três dias após tomar posse, o novo presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, deve restabelecer oficialmente as relações diplomáticas com a Venezuela durante encontro que acontece nesta terça-feira (10) com o presidente Hugo Chávez. Será a primeira reunião dos mandatários desde o rompimento das relações em 22 de julho.

“Essa reunião é a coisa mais sensata a se fazer. Eles sabem que ninguém saiu ganhando com o rompimento. O acerto entre os dois é muito possível”, acredita Rafael Duarte Villa, professor dos departamentos de Relações Internacionais e de Ciência Política da USP (Universidade de São Paulo).

Chávez anunciou o rompimento com o governo colombiano, então liderado por Álvaro Uribe, após ser acusado pelo embaixador do país na OEA (Organização dos Estados Americanos) de abrigar guerrilheiros das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e do ELN (Exército de Libertação Nacional).

Após a posse de Juan Manuel Santos, Chávez manifestou intenção de conversar com a nova administração do país vizinho e sinalizou uma aproximação com Santos.

Na opinião de Villa, Uribe tomou uma “atitude imprudente” ao acusar a Venezuela de dar refúgio a guerrilheiros. “Deveríamos dar um desconto à reação do Chávez em romper as relações com a Colômbia. Uribe não precisava tocar nesse assunto pouco tempo antes de deixar o governo”, disse.

O relacionamento de Chávez com Álvaro Uribe, que governou a Colômbia de 2002 a 2009, foi bastante conturbado. Além de trocarem acusações mútuas, ambos os líderes chegaram a protagonizar, em fevereiro passado, um bate-boca durante um encontro regional.

Mediação
No sábado (7), ao discursar pela primeira vez como presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos disse que uma das suas prioridades à frente do governo será restabelecer relações com a Venezuela e com o Equador.

Santos agradeceu a mediação dos países da região, como o Brasil, mas disse preferir tratar a controvérsia diretamente com os países vizinhos.

O clima de distensão entre Venezuela e Colômbia vinha sendo costurado com a mediação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do secretágio-geral da Unasul (União das Nações Sul-Americanas), Néstor Kirchner.

Para Villa a decisão dos dois líderes em não aceitar mediações para o encontro é correta e não representa nenhum ônus para a diplomacia brasileira. “Não foi fraqueza do governo brasileiro. A Colômbia e a Venezuela simplesmente perceberam não precisavam de mediação pra resolver o problema”, afirmou.

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