Irã cobra da Aiea independência em relação às sanções impostas pela ONU

Renata Giraldi
Da Agência Brasil

Em Brasília

Sob sanções do Conselho de Segurança da ONU desde junho, o governo do Irã apelou hoje (18) para que a Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) não se deixe influenciar pelas medidas impostas ao país. O embaixador iraniano na Aiea, Ali Asghar Soltanieh, disse que a expectativa é de que a agência não siga as resoluções aprovadas pela ONU, que ele classificou como “erradas e hostis”.

As informações são da rede de televisão estatal do Irã, PressTV, e da agência oficial iraniana de notícias, Irna. Segundo o embaixador, as restrições impostas ao Irã atrapalham a relação do país com o restante do mundo. “A Aiea deve contrariar as atitudes erradas e hostis, incluindo sanções e resoluções do Conselho de Segurança da ONU, que comprometem a cooperação [do Irã com a comunidade internacional]”, disse o diplomata.

De acordo com Soltanieh, o Irã mantém o mesmo espírito de “boa vontade e transparência” em relação à Aiea. No entanto, os Estados Unidos e diversos países argumentam que peritos da agência enfrentam dificuldades para fiscalizar as usinas nucleares iranianas. As autoridades do Irã negam as acusações.

O embaixador afirmou ainda que o programa nuclear desenvolvido no Irã se baseia na interação com a Aiea. Segundo Soltanieh, o governo iraniano está “completamente comprometido” com os acordos internacionais. Ele lembrou que o Irã apoia o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP). De acordo com uma lei em vigência no país, as autoridades iranianas estão proibidas de atender às demandas que vão além do TNP.

Soltanieh reiterou a rejeição às acusações de parte da comunidade internacional de que há produção de armas atômicas no país. Paralelamente, o chefe da Organização de Energia Atômica do Irã (Oeia), Ali-Akbar Salehi, disse hoje que as restrições impostas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas não impedem o país de levar adiante o projeto de construção de usinas nucelares.

"A recente resolução do Conselho de Segurança não pode servir de base para [impedir] a construção de usinas de enriquecimento [de urânio]. O Irã agirá com base em seus direitos consagrados no TNP”, afirmou Salehi. Salehi classificou as restrições impostas pela ONU como “abusivas” e “ditadas por membros influentes” das Nações Unidas. Não mencionou nomes nem nacionalidades.

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