Comunidade internacional deve manter pressão até Irã abandonar programa nuclear, diz embaixador de Israel

Thiago Chaves-Scarelli

Do UOL Notícias<br>Em São Paulo

O embaixador israelense no Brasil, Giora Becher, afirmou que a pressão internacional e as sanções são a melhor maneira de impedir que os líderes iranianos consigam tecnologia nuclear militar.

Becher: Irã quer capacidade militar nuclear

  • Giora Becher, 60, é embaixador de Israel no Brasil desde novembro de 2008. Foi diretor do Departamento de Desarmamento e Controle de Armas do Ministério de Relações Exteriores (1995-1999) e trabalhou na Divisão de Assuntos Estratégicos do Ministério de Relações Exteriores (2004-2005). Já foi representante diplomático de Israel em diversos países da Ásia e da América

“O Irã quer capacidade nuclear militar”, afirmou o diplomata, em entrevista ao UOL Notícias. “Lamentavelmente, até agora, segundo todos os serviços de inteligência do mundo e a Agência Internacional de Energia Atômica, Irã tem um programa nuclear militar.”

Questionado se a inteligência e as forças militares israelenses seriam capazes de impedir que o Irã alcance uma bomba nuclear, Becher respondeu que essa hipótese não está em discussão. “Para nós, qualquer medida militar contra o Irã é uma coisa que não queremos nem pensar agora. Temos tempo, espaço e precisamos continuar pressionando o Irã para convencer os líderes iranianos a mudarem de ideia. Tenho certeza que as sanções darão resultado.”

Essa postura diverge da atual política do Itamaraty, que aposta na aproximação política, no incremento do comércio e na ‘diplomacia discreta’ como mecanismos para reduzir a tensão em torno do Irã e incentivar mudanças democráticas no país.

“Não vejo como uma política de aproximação vai ajudar nisso”, rebate Becher. “Ao contrário, só uma pressão efetiva vai convencer os líderes do Irã que é melhor para o país deixar esse programa.”

O embaixador também destacou que o Irã é ameaça para toda a região, e não apenas para os israelenses. “Esse tipo de regime autocrático, não democrático, fundamentalista, que não respeita direitos humanos e que quer ter um programa militar nuclear ameaça não só Israel – Israel é só um país, no Oriente Médio e no mundo – esse tipo de regime ameaça muitos outros países”.

“Precisamos todos juntos fazer pressão sobre o Irã para assegurar que abandone este programa”, reitera.

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas aprovou em junho passado novas sanções contra o Irã, justificando a medida como uma resposta à falta de cooperação do governo iraniano em abrir seu programa nuclear à inspeção internacional. Brasil e Turquia, que se esforçaram por um acordo de intercâmbio de combustível nuclear, votaram contra as sanções. O governo iraniano alega que é soberano e tem o direito de pesquisar uso de energia atômica para fins pacíficos.

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