Bloqueio de Gaza será suspenso assim que Hamas suspender violência, diz embaixador de Israel

Thiago Chaves-Scarelli

Do UOL Notícias<br> Em São Paulo

O governo de Israel está disposto a levantar o bloqueio imposto sobre da faixa de Gaza “imediatamente”, caso a organização palestina radical Hamas concorde em abandonar a violência, afirmou ao UOL Notícias o embaixador israelense no Brasil, Giora Becher.

O que falta para levantar bloqueio de Gaza?

  • Giora Becher, 60, é embaixador de Israel no Brasil desde novembro de 2008. Foi diretor do Departamento de Desarmamento e Controle de Armas do Ministério de Relações Exteriores (1995-1999) e trabalhou na Divisão de Assuntos Estratégicos do Ministério de Relações Exteriores (2004-2005). Já foi representante diplomático de Israel em diversos países da Ásia e da América

A região da faixa de Gaza é um território palestino, localizado ao sul de Israel, cujas precárias instituições de governo são controladas pelo Hamas, uma organização islâmica com braços armados classificada como por Israel como “terrorista”.

Desde junho de 2007, quando o Hamas rompeu o governo de unidade que mantinha com o partido palestino Fatah e tomou o controle de Gaza, Israel restringe militarmente o fluxo de materiais e pessoas na região. O objetivo declarado é impedir que o Hamas obtenha as armas com as quais atacaria Israel, mas instituições humanitárias e a Organização das Nações Unidas denunciam que o bloqueio impõe privação e sofrimento para a sociedade que vive ali.

Questionado pelo UOL Notícias sobre as condições necessárias para que Israel suspenda este bloqueio, o embaixador Becher respondeu: “Amanhã, sem nenhum problema, se o Hamas disser que vai reconhecer o direito de Israel de existir; que vai se juntar à Autoridade Nacional Palestina e reconhecer todos os acordos de paz que já foram assinados; e que não vai continuar com atos violentos contra Israel – com essas três condições, vamos começar imediatamente a dialogar com o Hamas e abrir todas as fronteiras com a faixa, sem nenhum problema”.

“O problema que temos não é com o povo palestino. O pobre povo palestino está sob controle dessa organização terrorista”, acrescentou o diplomata.

  • UOL Arte

"Frota da liberdade"

Cerca de 1,5 milhão de pessoas moram na faixa de Gaza, em uma área de 360 km², quatro vezes menor do que a cidade de São Paulo. Mais de 40% da população de Gaza não tem emprego e 75% da população está em situação de insegurança alimentar, segundo números da ONU.

Essa situação foi levantada com argumento por organizações internacionais que tentaram furar o bloqueio israelense e levar até Gaza uma frota de navios com ajuda humanitária, em maio passado.

Em resposta, forças militares de Israel abordaram os barcos da "Frota da Liberdade", em uma ação que deixou um saldo de nove ativistas mortos.

“Em um dos navios, um grupo militante, islamista, fundamentalista decidiu atacar os soldados de Israel e não tivemos outra opção, lamentavelmente”, comentou o embaixador Giora Becher. “Nove mortos não foi a meta dessa operação, de maneira nenhuma”.

“Se vamos ver outras frotas assim, espero que as pessoas entendam que não vamos deixar que entrem na faixa de Gaza sem saber exatamente o que tem cada navio e se é realmente ajuda humanitária”, acrescentou.

Não permitiremos entrada de armas para
o Hamas, diz embaixador de Israel

“Porque para ajuda humanitária, na verdade, não é preciso um navio. As fronteiras estão abertas a qualquer ajuda humanitária”, afirmou o embaixador. “Antes que essa frota chegasse, oferecemos a eles que nos enviassem toda a ajuda e acompanharíamos a entrega através da fronteira com Israel, mas eles rechaçaram essa proposta, porque o motivo dessa frota é claramente político, uma provocação ao Estado de Israel.”

“Falamos muito abertamente: Israel não vai poder deixar qualquer navio chegar à faixa de Gaza, que está controlada por uma organização terrorista que já atacou Israel, que já atacou cidades de Israel, atacou assentamentos dentro de Israel, com mortos e feridos israelenses”.

A ação militar de Israel contra a frota está sob investigação de um comitê da ONU, que deverá publicar seu primeiro relatório em 15 de setembro. O grupo é dirigido pelo ex-primeiro-ministro da Nova Zelândia Geoffrey Palmer e tem como vice-presidente o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe. Os outros dois membros são o israelense Yosef Ciechanover e o turco Ozden Sanberk, cada qual representando as duas partes envolvidas no ocorrido.

Segundo a ONU, a tarefa da comissão internacional é identificar os fatos, circunstâncias e contexto do incidente, bem como recomendar formas de evitar que se repita.

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