Irã adia audiência judicial de mulher acusada de adultério; família teme execução "em breve"

Thiago Chaves-Scarelli

Do UOL Notícias<br>Em São Paulo

  • AP

    Sakineh Mohammadi Ashtiani é acusada de adultério e pode ser apedrejada pela República Islâmica do Irã

    Sakineh Mohammadi Ashtiani é acusada de adultério e pode ser apedrejada pela República Islâmica do Irã

Autoridades iranianas adiaram para a próxima semana a audiência judicial sobre o caso de Sakineh Ashtiani, viúva supostamente acusada de adultério e envolvimento na morte do marido, e que pode ser executada a pedradas pelos crimes.

A informação foi confirmada ao UOL Notícias por Maria Rohaly, coordenadora da “Missão Irã Livre”, uma organização não governamental que se dedica a denunciar violações aos direitos humanos no Irã.

“A audiência foi novamente adiada”, afirmou Rohaly, em entrevista por telefone, desde Washington (EUA). “O regime iraniano está tentando fazer com que o mundo esqueça o caso, que as pessoas parem de comentar”.

“Além disso, o governo faz tudo o que pode para impedir que o advogado tenha condições de defendê-la”, acrescentou.

Questionada sobre quando seria a nova data da audiência, Rohaly respondeu: “Eles dizem que será na próxima semana, mas não dá para confiar. Eles querem esfriar o caso para poder executá-la”. Esta é a terceira vez que a audiência é adiada.

“Mas nós queremos manter a pressão”, afirmou a ativista, que organiza o protesto “100 cidades no mundo contra o apedrejamento”, previsto para 28 de agosto.

O Comitê Internacional contra o Apedrejamento (Icas, na sigla em inglês), organização com contato próximo com os filhos de Sakineh, também informa que o novo advogado da iraniana, Hootan Kian, estaria sob pressão.

Segundo o Icas, o apartamento de Kian teria sido revistado pelo serviço secreto da República Islâmica e os encontros que o advogado manteve com Sakineh não duraram mais do que cinco minutos cada, com a viúva acorrentada e sob estrita vigilância dos agentes penitenciários.

“O encontro de Sakineh e seus filhos na última quinta-feira foi muito rápido também e ela estava apavorada. Parece que Sakineh recebeu drogas que a deixaram em um estado dormente e confuso”, acrescenta a nota. “A família teme que ela seja executada muito em breve”.

O caso de Sakineh ganhou repercussão no Brasil e presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a oferecer asilo à mulher, mas o governo iraniano se nega a abrir mão da condenação, indicando que Lula desconhece os detalhes do processo e sugerindo que a medida poderia enviar um sinal equivocado para os criminosos o Irã.

Há dez dias, o ministro brasileiro dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, afirmou que o Brasil ainda conversa com Irã sobre o caso. “O governo Lula está pressionando diplomaticamente o governo iraniano para que permita que ela venha para o Brasil. E se esse ditador [o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad] tiver um mínimo de bom senso, deveria permitir que ela venha morar no Brasil e seja salva”, disse Vannuchi.

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