Líderes de Israel e Palestina se reúnem no Egito para dialogar; questão dos assentamentos é principal desafio

Do UOL Notícias
Em São Paulo

O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, e o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, se reúnem nesta terça-feira (14), em Sharm el Sheik (Egito), para dar continuidade aos diálogos diretos sobre a paz no Oriente Médio, retomados no início do mês em Washington (EUA).

O encontro também terá a participação da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, e do enviado dos EUA para o Oriente Médio, George Mitchell, marcando a presença da administração de Barack Obama neste processo de paz.

O encontro direto entre Abbas e Netanyahu desta terça-feira é o primeiro desde que as negociações foram relançadas, no último dia 2 de setembro, e chega marcado pelas incertezas sobre a questão dos assentamentos israelenses.

No próximo dia 26 vence a moratória parcial de 10 meses decretada por Israel que mantinha suspensa a construção de novas casas na Cisjordânia, e a renovação da moratória – ainda não anunciada pelos israelenses – é uma condição fundamental para o prosseguimento do diálogo.

“A construção dos assentamentos é o maior empecilho do lado israelense. E, do lado palestino, o fato de alguns grupos, como o Hamas, ainda não reconhecerem a existência de Israel. Você tem esses dois temas contenciosos que travam bastante as negociações”, afirmou ao UOL Notícias a pesquisadora de Relações Internacionais Cristina Soreanu Pecequilo.

Diante dessas questões, Pecequilo indica que não se pode visualizar grande progresso nas negociações de hoje. “É fundamental que estes encontros venham sendo mantidos e que os Estados Unidos estejam de fato dispostos a bancar esse novo processo de paz. Mas enquanto Israel não ceder e enquanto alguns grupos na Palestina não cederem é um pouco complicado esperar avanços”, argumenta.

Pedido dos EUA e da ONU

Às vésperas da reunião de Sharm el Sheik, tanto o presidente Obama quanto o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, se mobilizaram para pedir que Israel apresente flexibilidade sobre a questão.

“Não deveria haver nenhum obstáculo inesperado nas negociações diretas”, afirmou Ban, ao solicitar a manutenção da moratória, em declarações feitas ontem. “É muito importante para todos que as negociações diretas prossigam na direção correta”.

Em coletiva de imprensa na Casa Branca na sexta-feira (10), Obama também havia tocado no assunto, ao mencionar os “desafios” do diálogo israelo-palestino. “Faz sentido estender a moratória enquanto as negociações continuam de maneira construtiva”.

O apelo também foi feito pela organização civil israelense Paz Agora, que emitiu um comunicado esta semana alertando que quase 13 mil casas poderiam ser construídas imediatamente nas colônias da Cisjordânia após 26 de setembro.

A ONG afirma ainda que outras 25 mil casas foram planejadas na Cisjordânia, mas as construções dependem de uma aprovação governamental.

Retomada das negociações

Desde 2 de setembro Abbas e Netanyahu retomaram oficialmente as negociações diretas sobre as condições necessárias para um futuro no qual os Estados de Israel e da Palestina se reconheçam mutuamente e convivam de modo pacífico.

Entre os principais tópicos a serem equacionados estão os poderes do futuro Estado palestino. Israelenses exigem uma nação desmilitarizada e com fronteiras vigiadas, e palestinos demandam a retirada de colonos israelenses de todos os territórios ocupados desde 1967.

O estatuto de Jerusalém também é motivo de polêmica. Israel considera a cidade como sua capital “indivisível e eterna” e insiste em manter o controle de toda a área da Cidade Antiga, sede de alguns dos principais locais sagrados das três grandes religiões monoteístas (islamismo, judaísmo e cristianismo). Os palestinos são categoricamente contrários a isto e também querem Jerusalém como capital.

Negociadores dos dois lados discordam ainda a respeito do direito de retorno dos quatro milhões de refugiados palestinos, em sua grande maioria descendentes dos cerca de 700 mil palestinos que fugiram ou foram expulsos de suas terras durante a criação do Estado de Israel, em 1948.

Os palestinos exigem que Israel reconheça um direito ao retorno dos refugiados em suas fronteiras, de acordo com resolução 194 da Assembleia Geral da ONU, mas Israel diz que essa hipótese é impraticável.

A última rodada de negociações isaraelo-palestina foi iniciada em 2007, também com incentivo dos EUA, e durou até dezembro de 2008, com reuniões entre Abbas e o então premiê israelense Ehud Olmert.

O diálogo foi suspenso depois que da ação militar israelense “chumbo fundido” contra a faixa de Gaza, em resposta aos mísseis artesanais que eram disparados desde Gaza contra território de Israel. A ação culminou no bloqueio militar da região, que dura até hoje.

 

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