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"Quando uma guerra começa, ela não tem limites", adverte Ahmadinejad

Do UOL Notícias<br>Em São Paulo

2010-09-21T14:03:28

2010-09-21T14:17:43

21/09/2010 14h03Atualizada em 21/09/2010 14h17

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou que os Estados Unidos de “não compreendem o que é uma guerra”, em declaração feita uma conversa com a imprensa norte-americana em Nova York nesta terça-feira (21).

Segundo relato da revista americana "The Atlantic", Ahmadinejad foi questionado pelos repórteres sobre um eventual ataque militar de Israel e dos EUA contra o Irã. "Para começar, você acha que alguém vai atacar o Irã?", retrucou o presidente iraniano.

"Eu realmente acho que não. O regime sionista é uma entidade muito pequena no mapa, ao ponto de nem constar na nossa equação", acrescentou Ahmadinejad.

“Os Estados Unidos jamais conheceram uma guerra séria e jamais foram vitoriosos”, prosseguiu o presidente iraniano. “Os Estados Unidos não compreendem o que é uma guerra. Quando uma guerra começa, não existem limites”.

Os Estados Unidos lideram um bloco de países ocidentais que exigem mais transparência do programa nuclear iraniano. Irã responde que é soberano para levar adiante seu programa energético pacífico. A questão alimenta tensão entre os dois países.

No último mês, o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, o almirante Mike Mullen, afirmou que o governo americano dispõe de um plano, preparado nos últimos meses, para atacar o Irã, com o objetivo de impedir que o país consiga controlar uma ogiva nuclear.

O governo americano afirma que prioriza a estratégia diplomática e de sanções com o Irã, mas nunca deixou de fora a opção militar, segundo advertiu Mullen. “As opções militares estiveram sobre a mesa e continuam sobre a mesa”, assinalou o funcionário em entrevista no programa dominical "Meet the Press", da rede de televisão "NBC".

O ministro da Defesa do Irã, Ahmad Vahidi, respondeu "as Forças Armadas da República Islâmica estão sempre prontas e já prepararam planos defensivos esmagadores para defender a grande nação [do Irã] e sua querida pátria, planos que farão o inimigo se arrepender”.

Sakineh Astiani

Também hoje, durante um encontro com personalidades e dignitários islâmicos nos Estados Unidos, o presidente Ahmadinejad criticou o "silêncio da mídia" sobre Teresa Lewis, uma americana deficiente mental que será executada por ter participado no assassinato de seu marido, e comparou sua situação com a da iraniana Sakineh Ashtiani.

O caso de Ashtiani, uma iraniana de 43 anos condenada em 2006 a morrer apedrejada por uma acusação de adultério e participação no assassinato de seu marido por um de seus amantes, chama a atenção da imprensa em todo mundo.

Teerã anunciou em julho e reiterou em várias ocasiões que a pena de morte por apedrejamento contra Ashtiani foi suspensa à espera de um novo exame do caso.

"Uma mulher está sendo executada nos Estados Unidos e ninguém protesta", afirmou Ahmadinejad, segundo a agência oficial iraniana Irna.
Teresa Lewis deve ser executada na quinta-feira, na Virgínia (EUA), por ter ajudado seu amante a matar o marido e o filho dele. Seus advogados afirmam que Lewis, deficiente mental, foi manipulada pelo assassino, que foi condenado à morte, mas se suicidou na prisão.

"Segundo uma pesquisa, foram publicadas três milhões e setecentas mil páginas na interna sobre a iraniana, cujo processo continua sendo examinado, e há uma vasta campanha da imprensa contra o Irã. Mas ninguém protesta contra a execução de Lewis", afirmou Ahmadinejad, que assegura que nos Estados Unidos 53 mulheres esperam pela execução.

"Fim do capitalismo"

Ahmadinejad, que está em Nova York para participar de eventos da Organização das Nações Unidas, discursou na cúpula da ONU de revisão dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

Durante sua fala, pediu o estabelecimento de uma nova ordem mundial que rejeite o capitalismo e conduza a um "governo justo e imparcial baseado na mentalidade divina".

"Agora que a ordem discriminatória do capitalismo e os enfoques hegemônicos afrontam sua derrota e se aproximam do fim, é essencial sustentar relações justas e prósperas", afirmou o líder iraniano em seu discurso

O discurso do presidente iraniano no plenário da cúpula foi acidentado, já que os intérpretes do organismo mundial advertiram em diversas ocasiões que a fala que traduzida não condizia com as palavras pronunciadas por Ahmadinejad. Os últimos minutos do discurso não contaram com tradução simultânea.

Segundo o texto do discurso oficial divulgado pela ONU, Ahmadinejad acusou o capitalismo liberal e as multinacionais de causar o sofrimento de um incontável número de mulheres, homens e crianças no mundo todo.

Esta cúpula da ONU, que se estende até amanhã, tenta acelerar o cumprimento dos compromissos em favor do desenvolvimento adotados pela comunidade há dez anos.

*Com agências internacionais