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Militares tomam aeroporto de Quito e fecham estradas; Rafael Correa ameaça dissolver Congresso

Policiais lançam bomba de gás lacrimogêneo próximo ao presidente Rafael Correa (de terno preto) - Rodrigo Buendía/AFP
Policiais lançam bomba de gás lacrimogêneo próximo ao presidente Rafael Correa (de terno preto) Imagem: Rodrigo Buendía/AFP

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

30/09/2010 13h14Atualizada em 30/09/2010 15h14

Um grupo de militares tomou nesta quinta-feira (30) o aeroporto internacional de Quito, no Equador, e uma base área militar na capital do país para protestar contra uma lei do governo que limitou os benefícios a militares e policiais, e por isso foram suspensas as operações aéreas, informou um porta-voz do terminal. Não há informações precisas sobre o número de militares no aeroporto. Segundo a imprensa local e agências internacionais, o número varia entre 100 e 150 pessoas.

Assista ao discurso de Rafael Correa
aos militares equatorianos

Em outra parte da cidade, policiais fardados queimaram pneus e fecharam ruas. Chefes da polícia bloquearam o acesso para Guayaquil, cidade que fica no litoral do país. Estradas que levam à capital Quito também foram bloqueadas.

Em contrapartida, aproximadamente 800 pessoas se reúnem em frente do palácio do governo para apoiar o presidente Rafael Correa.

Onda de assaltos e furtos

Segundo informações da Radio Quito, cidades como Guayaquil, Manta, Portoviejo e Quevedo observam uma onda de assaltos a bancos e furtos, diante da falta de policiamento local, já que uma parcela das forças de segurança entraram em greve. Parte dos bancos fecharam as portas. O governo do país recomenda que a população fique em casa.

De acordo com a imprensa equatoriana, Correa se dirigiu hoje ao Quartel de Quito, onde centenas de militares protestam, e discursou: “senhores, se querem matar o presidente, aqui estou. Matem-me se é da vontade de vocês. Matem-me se têm coragem, em vez de estar no meio da multidão, covardemente escondidos”, disse o presidente, na janela.

Amorim expressa apoio a Rafael Correa

De acordo com o Itamaraty, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, telefonou para o chanceler do Equador, Ricardo Patiño, para expressar “total apoio e solidariedade do Brasil ao presidente Rafael Correa e às instituições democráticas equatorianas”.

“Se querem tomar os quartéis, se querem deixar a sociedade indefesa, se querem trair sua missão de policiais, seu juramento, traiam, mas este presidente e este governo seguirão fazendo que tem que fazer”, afirmou.

Presidente é agredido

O presidente disse aos militares que poderia esperar essa atitude de qualquer outra instituição, mas não da polícia. Segundo ele, nenhum outro governo fez tanto pela corporação. "Se querem destruir a pátria, destruam-na, mas este presidente não dará um passo atrás. Viva a pátria”, encerrando a sua intervenção, de acordo com os jornais locais.

Em seguida, os manifestantes começaram a gritar e ameaçar Rafael Correa, que teve que se refugiar dentro do quartel. O presidente chegou a ser atingido por uma garrafa e foi levado ao Hospital Metropolitano, que está cercado por policiais e militares.

Correa também foi atingido por uma bomba de gás lacrimogêneo jogada por um policial. "É impressionante como um policial pode chegar a esse nível. Agredir o presidente da República", disse à TeleSur, do hospital onde foi atendido.

Na mesma entrevista, Correa afirmou que a oposição "golpista" está por trás dos protestos porque não consegue vencer as eleições nas urnas. "É mentira que estamos abaixando os salários [dos servidores públicos]. É uma conspiração da oposição. Aqueles que não conseguem ganhar nas urnas, conspiram. São criminosos. Deus queira que não haja mortos", disse.

  • Arte UOL

Apesar dos distúrbios, o chefe das Forças Armadas, Ernesto González, afirmou que as tropas estão subordinadas à autoridade do presidente equatoriano. Outras autoridades disseram à rede TeleSur que as cúpulas militares e da polícia apoiam o governo.

Lei polêmica

Com a nova lei, os policiais perdem parte dos benefícios salariais, e os anos para subida na carreira passam de quatro para sete. O chanceler do Equador, Ricardo Patiño, disse à TeleSur, que o corte de salários e benefícios dos militares foi decidido para equiparar os salários dos servidores públicos.

“Estamos colocando em ordem os salários, para acabar com a diferença que existe entre alguns salários e outros, e o que estamos fazendo é equilibrar isso", disse.

Já o ministro das Relações Trabalhistas, Richard Espinosa, disse em entrevista à televisão local ECTV que policiais estão “desinformados” sobre a nova lei.

Dissolução do Congresso

O presidente do Equador, Rafael Correa, considera a possibilidade de dissolver o Congresso e convocar eleições gerais antecipadas depois que sua bancada legislativa rejeitou parcialmente o projeto de lei que corta os benefícios dos militares, anunciou a ministra para a Política, Doris Solís.

Após uma reunião com Correa, a ministra destacou que o presidente analisa aplicar a "morte cruzada", um mecanismo constitucional que determinaria a dissolução da Assembleia e a convocação de eleições gerais em alguns casos específicos: obstrução pelos congressistas do plano de desenvolvimento, grave crise política ou comoção interna.

"A 'morte cruzada' é uma das possibilidades. Nós estamos em um projeto de mudança, precisamos construir leis de consenso", disse a ministra à imprensa após o encontro no Palácio de Carondelet (sede do governo).

"A 'morte cruzada' é o cenário que ninguém deseja, mas é uma possibilidade quando não há condições para seguir em um processo de mudança", completou Solís.

*Com informações das agências internacionais

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