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OEA realizará reunião de emergência para tratar da situação no Equador

Policiais lançam bomba de gás lacrimogêneo próximo ao presidente Rafael Correa (de terno preto) - Rodrigo Buendía/AFP
Policiais lançam bomba de gás lacrimogêneo próximo ao presidente Rafael Correa (de terno preto) Imagem: Rodrigo Buendía/AFP

Do UOL Notícias

Em São Paulo

30/09/2010 14h17Atualizada em 30/09/2010 14h52

A Organização dos Estados Americanos (OEA) vai realizar uma reunião de emergência na tarde desta quinta-feira (30), em Washington, para discutir a rebelião policial do Equador.

O Conselho Permanente da OEA "se reunirá em uma sessão extraordinária nesta quinta-feira, 30 de setembro", às 14h30 locais (15h30 de Brasília) para "considerar a situação no Equador", indicou o órgão em comunicado.

Um grupo de militares tomou na manhã de hoje o aeroporto internacional de Quito, no Equador, para protestar contra uma lei do governo que limitou os benefícios a militares e policiais, e por isso foram suspensas as operações aéreas. Segundo a imprensa local e agências internacionais, o número de policiais envolvidos varia entre 100 e 150 pessoas.

Assista ao discurso de Rafael Correa
aos militares equatorianos

Em outra parte da cidade, policiais fardados queimaram pneus e fecharam ruas. Chefes da polícia bloquearam o acesso para Guayaquil, cidade que fica no litoral do país. Estradas que levam à capital Quito também foram bloqueadas.

Em contrapartida, centenas de pessoas se reúnem em frente do palácio do governo para manifestar apoio ao presidente Rafael Correa.

De acordo com a imprensa equatoriana, Correa discursou no Quartel de Quito: “Senhores, se querem matar o presidente, aqui estou. Matem-me se é da vontade de vocês. Matem-me se têm coragem, em vez de estar no meio da multidão, covardemente escondidos”, disse o presidente, na janela.

“Se querem tomar os quartéis, se querem deixar a sociedade indefesa, se querem trair sua missão de policiais, seu juramento, traiam, mas este presidente e este governo seguirão fazendo que tem que fazer”, afirmou.

O presidente disse aos militares que poderia esperar essa atitude de qualquer outra instituição, mas não da Polícia. Segundo ele, nenhum outro governo fez tanto pela corporação. "Se querem destruir a pátria, destruam-na, mas este presidente não dará um passo atrás. Viva a pátria”.

Em seguida, os manifestantes começaram a gritar e ameaçar Rafael Correa, que teve que se refugiar dentro do quartel. O presidente chegou a ser atingido por uma garrafa e teve que receber cuidados médicos.

Apesar dos distúrbios, o chefe das Forças Armadas, Ernesto González, afirmou que as tropas estão subordinadas à autoridade do presidente equatoriano. Outras autoridades disseram à rede TeleSur que as cúpulas militares e da polícia apoiam o governo.

  • Arte UOL

Lei polêmica

Com a nova lei, os policiais perdem parte dos benefícios salariais, e os anos para subida na carreira passam de quatro para sete. O chanceler do Equador, Ricardo Patiño, disse à TeleSur, que o corte de salários e benefícios dos militares foi decidido para equipar os salários dos servidores públicos.

“Estamos colocando em ordem os salários, para acabar com a diferença que existe entre alguns salários e outros, e o que estamos fazendo é equilibrar isso" disse.

Já o Ministro das Relações Trabalhistas, Richard Espinosa, disse em entrevista à televisão local ECTV que policiais estão “desinformados” sobre a nova lei.

Dissolução do Congresso

O presidente do Equador, Rafael Correa, considera a possibilidade de dissolver o Congresso e convocar eleições gerais antecipadas depois que sua bancada legislativa rejeitou parcialmente o projeto de lei que corta os benefícios dos militares, anunciou a ministra para a Política, Doris Solís.

Após uma reunião com Correa, a ministra destacou que o presidente analisa aplicar a "morte cruzada", um mecanismo constitucional que determinaria a dissolução da Assembleia e a convocação de eleições gerais em alguns casos específicos: obstrução pelos congressistas do plano de desenvolvimento, grave crise política ou comoção interna.

"A 'morte cruzada' é uma das possibilidades. Nós estamos em um projeto de mudança, precisamos construir leis de consenso", disse a ministra à imprensa após o encontro no Palácio de Carondelet (sede do governo).

"A 'morte cruzada' é o cenário que ninguém deseja, mas é uma possibilidade quando não há condições para seguir em um processo de mudança", completou Solís.

*Com informações das agências internacionais

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