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Ex-jogador de futebol, Franklin Lobos é 27º a ser resgatado da mina San José

Do UOL Notícias* <br>Em São Paulo <br>Marina Motomura <br>Enviada especial do UOL Notícias à mina San José (Chile)

13/10/2010 19h18Atualizada em 13/10/2010 19h23

O ex-jogador de futebol Franklin Lobos foi o 27º trabalhador içado da mina San José nesta quarta-feira (13)

Lobos, 53, que recebeu o apelido de "mortero mágico" no futebol, já jogou pelos times La Serena, Cobresal, Deportes Iquique, Santiago Wanderers e Regional Atacama. Com breve passagem pela seleção do Chile na década de 1980, ele abandonou o esporte profissional em 1996.

Na mina San José, ele trabalhava como motorista de caminhão havia cinco meses.

Antes dele, foram resgatados outros 26 mineiros, em uma sequência de subidas e descidas da cápsula "Fênix" que começou na noite desta terça-feira (12). Faltam agora 6 trabalhadores, que ainda estão na mina.

26º: O mineiro Claudio Acuña, que fez aniversário dentro da mina, foi o 26º a ser resgatado, por volta das 18h50. O mais novo de oito irmãos, Acuña trabalhava na mina San José havia apenas três dias quando o acidente de 5 de agosto prendeu o grupo de 33 trabalhadores em uma das galerias subterrâneas. No último dia 9 de setembro, o trabalhador comemorou seu 35º aniversário com os 32 colegas dentro da mina. Como presente, sua namorada Fabiola Araya lhe enviou uma camiseta autografada do time Colo Colo. Acuña também antecipou os planos e pediu Araya em casamento por carta enviada desde a mina. Os dois são namorados há seis anos.

25º: O mineiro Renán Ávalos -- irmão mais novo de Florencio Ávalos, o primeiro trabalhador a sair -- foi o 25º trabalhador resgatado na mina de San José.

24º: O encarregado de perfuração José Henríquez ficou conhecido como o "guia espiritual" dos mineiros durante o período de isolamento. "Don José" trabalha há 33 anos com mineração, é casado há 33 anos e foi um dos 33 mineiros presos por 69 dias em uma galeria de uma mina no Chile. Ele também foi um dos trabalhadores a alertar que havia alguma coisa errada com a mina antes do acidente.

23º: O mineiro Carlos Bugueño, 27, um dos poucos solteiros do grupo, deu um forte abraço na mãe ao deixar a mina. Bugueño, que trabalhava em empresa de segurança, trocou de emprego e foi para a mina San José imaginando que este seria a maneira mais rápida para que conseguisse comprar um carro e uma casa.

22º: O mineiro Samuel Ávalos foi o 22º trabalhador resgatado da mina San José, pouco depois das 17h. Ávalos, 43, foi recebido com beijos e abraços por sua namorada Ruht Guzmán Donoso, com quem tem três filhos: Jonathan, 18, Carolina, 9, e Eduardo, 2. De acordo com Ruth, ele já apresentou problemas com álcool e drogas.

21º: O eletricista Yonni Barrios Rojas foi o 21º trabalhador a subir à superfície. Como tinha experiência prévia com tarefas de enfermagem, Barrios, 50, ficou responsável por medir a pressão e realizar breves relatórios médicos sobre as condições dos companheiros. Por isso, acabou ganhando o apelido de "dr. House" dentro da mina, em referência ao personagem de uma série de televisão. Yonni também ficou conhecido porque é aguardado no exterior da mina por duas companheiras, que já brigaram.

20º: O minerador Darío Segóvia, 48, que é chamado de "El Capacho", tem 13 irmãos e seis filhos. Estava contratado pela mina San José havia cerca de três meses quando aconteceu o acidente, mas começou a trabalhar com mineração cedo, aos 8 anos de idade, com o seu pai -- que era minerador e também sobreviveu a uma semana preso em uma mina.

19º: O operário Pablo Rojas, 45, foi o 19º mineiro resgatado, por volta das 15h30. O trabalhador recebeu o abraço emocionado do filho Mitchel, 21, após sair à superfície. Pablo ficou preso em uma das galerias da mina de San José junto com seus primos Víctor Segovia e Esteban Rojas, que já foram resgatados.

18º: O carregador de explosivos Esteban Rojas, 44, foi o 18º resgatado da mina San José, no Chile. Rojas tem 25 anos de casado e quatro filhos. Sua mulher, Jéssica Yáñez, 43, comentou que ele não deveria estar trabalhando no dia do acidente. Ele estava apenas compensando dias que tinha faltado pela morte de um parente. Rojas também ficou conhecido por ter pedido à mulher que renovassem seus votos de casamento quando ele fosse libertado.

17º: O eletricista Omar Reygadas, 56, foi resgatado pouco depois das 13h35 desta quarta-feira (13). Reygadas -- que tem seis filhos, 14 netos e três bisnetos -- já ficou preso em galerias subterrâneas três vezes durante seus trinta anos de trabalho como mineiro.

16º: O motorista de caminhã Daniel Herrera, 27, foi recebido pela mãe, que estava emocionada.

15º: O eletricista Víctor Segovia, 48, é casado e pai de cinco filhos. Ele registrou por escrito tudo o que acontecia dentro da mina onde estava soterrado a 700 metros de profundidade. Ele chegou a pedir que lápis e papéis fossem mandados para a mina.

14º: Víctor Zamora, 33, é mecânico e casado com Jéssica Cortez -- que descobriu que estava grávida durante o tempo em que ele ficou preso na mina. Ele ficou conhecido pelo senso de humor e, segundo os colegas, riu até mesmo quando sofreu por semanas com dor nos dentes.

13º: Carlos Barrios, 27, separado, mineiro que possui um táxi para usar nos tempos livres e é pai de um menino de cinco anos.

12º: Edison Peña, 34, é um apaixonado por esportes que praticava corrida diariamente no interior da mina e chegou a correr 10 quilômetros em um dia, apesar dos limites espaciais. Ele, que foi apelidado de "Forrest Gump", tem problemas de ouvido, de hipertensão e diabetes. Durante o período de isolamento, pediu sapatilhas e short esportivo para poder correr melhor. Nascido e criado no município de Renca, na região metropolitana de Santiago, Peña se mudou para o norte do Chile para estar perto de sua namorada, Angélica Álvarez, que foi quem conseguiu trabalho na mina San José para ele. Angélica e o pai dele, Fernando, esperavam nervosos pelo minerador, que saiu da cápsula às 10h11. Enquanto era transferido para a primeira revisão médica, Peña repetia seguidamente: "Estamos vivos".

11º: Jorge Galleguillos Orellana, 56, que sofre de hipertensão e recebeu cuidados assim que saiu da cápsula Fénix. Ele, que tem 13 irmãos, já havia se machucado em outras duas minas.

Alex Vega, 32, é mecânico de máquinas pesadas e foi recepcionado pela mulher, após ser o décimo mineiro a sair. Pai de dois filhos, trabalhava na mina para economizar dinheiro para comprar uma casa para família em Copiapó. Assim que deixou o túnel, ele fez o sinal da cruz, cumprimentou as pessoas que estão no acampamento e abraçou longamente a mulher.

Por volta das 8h, Mario Gómez, 63, foi o nono mineiro a ser retirado. Ele é o mais velho do grupo e começou a trabalhar em minas com 12 anos. Ao sair, ele caiu de joelhos e rezou, segurando a bandeira chilena. Gómez também foi abraçado por sua mulher, Lilianete Ramirez. Gomez tem silicose, uma doença pulmonar comum aos mineiros, e recebeu antibióticos e medicamentos para inflamação brônquica.

O oitavo mineiro retirado foi Claudio Yáñez, 34, que trabalha como operador de broca. Ele foi resgatado por volta das 7h. Ele tem duas filhas e foi recebido com um longo abraço da companheira, com quem prometeu se casar antes de deixar a mina.

O sétimo mineiro foi salvo por volta das 6h20. José Ojeda, 46, viúvo, trabalha como perfurador e sofre de diabetes.Ele foi o autor da famosa mensagem "Estamos bem no refúgio, os 33". Foi recebido pela filha, que tinha uma bandeira do Chile nas mãos.

O sexto mineiro trazido à superfície foi o operário Osmán Araya, 30, que saiu por volta das 5h35. Pais de três filhos, ele havia decidido largar o emprego por considerá-los muito perigoso. Ao deixar o local, abraçou a esposa Angélica.

O quinto a ser resgatado foi Jimmy Sánchez, 19, o mais novo do grupo. Aparentemente debilitado, ele saiu da mina por volta das 4h10 e foi recebido pelo pai. É pai de um bebê recém-nascido.

O boliviano Carlos Mamani, 23, foi o quarto a chegar na superfície. Ele havia começado a trabalhar na mina apenas cinco dias antes do acidente. O presidente boliviano, Evo Morales, que havia prometido estar presente no resgate dele, chegou na mina apenas durante a manhã de hoje.

  • Ariel Marinkovic/AFP

    Parentes dos 33 mineiros soterrados comemoram quando a perfuradora deixa o local das operações
    de resgate após concluir o revestimento do túnel; reveja as principais imagens das operações de resgate dos últimos dois meses

O terceiro resgatado da mina foi o ex-militar Juan Illanes, 52. Casado, veterano do conflito fronteiriço entre Chile e Argentina em 1978, foi abraçado pela mulher.

O eletricista Mario Sepulveda, 40, foi o segundo a sair. Eufórico, Sepulveda subiu o túnel gritando dentro da cápsula de resgate e surpreendeu ao distribuir pedras da mina San José como presentes e lembranças para funcionários envolvidos no resgate. Casado, foi o apresentador da maioria dos vídeos do grupo. O mineiro também abraçou fortemente o presidente Sebastián Piñera.

O primeiro operário a sair da mina foi Florencio Ávalos, 31, segundo-líder do grupo. Capataz, casado, irmão de Renán, outro mineiro preso, recebido pela mulher Mónica e pelo filho Byron, que chorou ao ver o pai. Ele foi escolhido para sair primeiro por estar em melhor condição de saúde.

Centenas de pessoas se aglomeram desde a noite de ontem em volta do telão no acampamento "Esperanza" para comemorar a saída do mineiro. Balões, gritos de guerra e muita euforia celebram o sucesso de cada resgate.

  • Google Earth/UOL Arte

    Mapa mostra localização da mina de cobre e ouro San José, ao norte da capital Santiago, no Chile

Saúde é considerada boa

A situação de saúde dos primeiros mineiros resgatados é considerada "bastante boa", afirmou o ministro da Saúde, Jaime Mañalich, em uma entrevista coletiva nas proximidades da jazida. "As coisas vão extraodinariamente bem até aqui, inclusive melhor do que o esperado", disse.

Segundo Mañalich, alguns mineiros apresentaram aumento da frequência cardíaca quando subiam pelo túnel de 622 metros de comprimento e 66 centímetros de diâmetro, mas todos se recuperaram de forma satisfatória após um repouso, sem a necessidade de medicamentos.

O ministro explicou que a partir deste momento, os mineiros seguirão um protocolo de hidratação e de suplementos vitamínicos. Os trabalhadores que já foram internados no hospital de Copiapó estão sendo avaliados por especialistas, como dermatologistas e oftalmologistas.

"Os mineiros têm uma situação psíquica tranquila", completou Mañalich, que também destacou o cansaço de todos.

*Com agências de notícias, CNN, TeleSur e Governo do Chile