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Morre o ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner; Brasil decreta luto oficial

EFE
Na foto, Kirchner fala para estudantes em Nova York, em setembro de 2010; VEJA MAIS FOTOS DA CARREIRA DO POLÍTICO Imagem: EFE

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

27/10/2010 11h23Atualizada em 27/10/2010 17h37

O ex-presidente argentino Néstor Kirchner morreu na manhã desta quarta-feira (27) aos 60 anos em El Calafate, na província de Santa Cruz, na Argentina.

Kirchner foi hospitalizado às 8h15 (horário local) de hoje no hospital José Formenti, acompanhado por sua mulher, a atual presidente do país, Cristina Fernández Kirchner.

A agência estatal argentina Télam confirmou que a morte foi decorrente de um infarto. Segundo fontes médicas da Casa Rosada, residência oficial da presidência, ele participava de uma reunião política na casa que mantém em El Calafate quando sentiu-se mal. Foi levado ao Hospital José Formenti, mas já chegou desmaiado e os médicos não conseguiram reanimá-lo.

O ex-presidente já havia passado por duas cirurgias de emergência somente este ano, em fevereiro e setembro. Mas foram para corrigir obstruções em artérias coronárias. Na última cirurgia, em 11 de setembro, Kirchner foi submetido a uma angioplastia e teve um stent (pequena prótese em formato de mola) implantado para impedir o fechamento de uma artéria coronária que se encontrava obstruída.

Depois da cirurgia, os médicos recomendaram-lhe repouso absoluto, mas o ex-presidente, pouco mais de uma semana depois da alta, compareceu ao Luna Park, tradicional ponto de Buenos Aires para a realização de comícios políticos e shows, onde participou de uma grande manifestação convocada por jovens filiados ao Partido Justicialista, do qual era presidente.

A última aparição pública de Kirchner foi na última segunda-feira, quando acompanhou Cristina em um ato em Rio Negro pelo assassinato do militante do Partido Trabalhista, Mariano Ferreyra. Suas últimas palavras em público foram proferidas na sexta-feira: "Não tenham nenhuma dúvida que a presidenta impulsionou a investigação sobre os autores intelectuais do fato", disse.

Repercussão
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva emitiu nota oficial de condolências, afirmando que Kirchner era um "fraternal amigo" e decretando luto oficial de três dias no Brasil.

Dilma Rousseff, candidata petista à Presidência da República, afirmou em entrevista coletiva após o lançamento de seu programa de governo para a área de assistência social, em Brasília, que “o ex-presidente Kirchner foi um amigo do Brasil". "Lamento até pessoalmente e acredito que o Brasil inteiro se solidariza com os nossos companheiros e com o povo argentino por uma perda deste tamanho." 

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, postou uma mensagem de solidariedade à presidenta Cristina Kirchner em sua conta no Twitter: "Ah, minha querida Cristina... Quanta dor! Que grande perda sofre a Argentina e Nossa América! Viva Kirchner para sempre".

O vice-presidente Julio Cobos afirmou que morreu "um grande presidente da nação". "Minhas primeiras palavras são de pesar e acompanhamos na dor Cristina e seus filhos", disse o político.

Segundo o ministro do Trabalho, Carlos Tomada, o velório será realizado na Casa Rosada.

Biografia
Néstor Carlos Kirchner nasceu em 25 de fevereiro de 1950, em Río Gallegos, província de Santa Cruz, na Patagônia, sul da Argentina. Antes de chegar à presidência, foi advogado e governador da sua província natal por quase 12 anos.

Ele estudou direito na Universidade Nacional de La Plata, onde foi membro do movimento justicialista e depois da Juventude Peronista.

Em 1975, casou-se com Cristina Fernández, que conheceu no curso de direito. Logo após a formatura, em 1976, voltaram para Santa Cruz, onde trabalharam como advogados. O ex-presidente deixa dois filhos, Máximo e Florência.

Durante a ditadura militar argentina (1976-1983), Kirchner foi preso por um curto período de tempo por motivos políticos.

Em 1987, foi eleito prefeito de sua cidade natal Río Gallegos e, em 1991, conquistou o primeiro de três mandatos consecutivos como governador da província de Santa Cruz, onde governou até 2003. Como governador, foi um dos críticos da administração do ex-presidente Carlos Menem e diminuiu o déficit de sua região, rica em petróleo e recursos naturais, e também fez de Santa Cruz a província com o menor índice de desemprego na Argentina.

Em 1992, foi nomeado presidente do Conselho Provincial do Partido Justicialista  e secretário de Ação Política do Conselho Nacional.

Ao lado do marido, Cristina se tornou um nome influente na política provincial -- em 2001, foi eleita para o Senado nacional.

Presidência
Apesar de pouco conhecido fora da província de Santa Cruz, Kirchner decidiu arriscar-se na candidatura à presidência em 2003. O governador recebeu o forte apoio do então presidente Eduardo Duhalde, figura-chave do partido peronista.

No primeiro turno, em abril de 2003, Kirchner ficou em segundo lugar, próximo ao ex-presidente Carlos Menem. Pouco antes do segundo turno, Menem retirou sua candidatura e praticamente deu a vitória a Kirchner, que assumiu a presidência em 25 de março de 2003.

Tido pelos adversários como dono de uma personalidade irascível e implacável, Kirchner construiu seu poder com um estilo personalista, que a nível nacional tentou superar com um pedido de "transversalidade" política (alianças com outras forças), que não chegou a ser concretizada com fatos.

Ele deixou o governo em dezembro de 2007 com popularidade em alta, apesar de ter sofrido várias críticas, principalmente por causa da queda do poder de compra dos argentinos. Segundo o instituto de pesquisa privado Ibarómetro, o presidente saiu do governo com imagem positiva para 55,3% dos argentinos.

Ele ainda fez sua sucessora, sua mulher Cristina Kirchner, eleita em 2007 com 45% dos votos no primeiro turno. Em 2009, Néstor Kirchner foi eleito deputado pela Província de Buenos Aires, a principal do país, apesar de seu partido ter tido poucos votos, o que fez Kirchner renunciar ao cargo de presidente do Partido Justicialista (PJ).

Atualmente, Kirchner exercia a presidência da Unasul (União de Nações Sul-Americanas). Segundo analistas políticos, Kirchner era cotado para ser candidato às eleições presidenciais de 2011 na Argentina e era tido como braço direito da mulher no governo.

*Com agências internacionais