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Coreias trocam acusações após ataque em ilha que deixou dois mortos

Coluna de fumaça é vista na ilha sul-coreana de Yeonpyeong após ataque; VEJA MAIS FOTOS - Yonhap/Reuters
Coluna de fumaça é vista na ilha sul-coreana de Yeonpyeong após ataque; VEJA MAIS FOTOS Imagem: Yonhap/Reuters

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

23/11/2010 08h58

Atualizado às 14h00

O Ministério da Defesa da Coreia do Sul disse nesta terça-feira que o disparo de projéteis efetuado pela Coreia do Norte e que deixou no mínimo dois mortos foi uma violação clara do armistício entre os dois países, e que o governo norte-coreano havia planejado os ataques intencionalmente. "Esse é um ataque intencional e planejado... e é claramente uma violação do armistício", disse Lee Hong-ki, autoridade do Ministério da Defesa, a jornalistas. Já o presidente sul-coreano Lee Myung-bak disse que o ataque da Coreia do Norte é imperdoável. "Ataques indiscriminados contra civis são imperdoáveis, também em um sentido humanitário", disse.

A Coreia do Norte acusou nesta terça-feira a Coreia do Sul de ter disparado primeiro, informou a agência oficial norte-coreana KCNA.

"O inimigo sul-coreano, apesar de nossas reiteradas advertências, realizou provocações militares com disparos de artilharia contra nosso território marítimo ao lado da ilha de Yeonpyeong, a partir das 13h00 (04h00 GMT)", indicou o comando do exército norte-coreano em um comunicado divulgado pela KCNA.

"O Exército norte-coreano continuará sem hesitar seus ataques militares se o inimigo sul-coreano se atrever a invadir nosso território, nem que seja 0,001 milímetro", segundo o comunicado.

A artilharia da Coreia do Norte disparou nesta terça-feira (23) dezenas de projéteis contra uma ilha sul-coreana, em um dos mais pesados bombardeios contra o sul desde a Guerra da Coreia (1950-1953). Pelo menos dois soldados morreram  e 15 ficaram feridos, alguns em estado grave, segundo o ministério da Defesa sul-coreana. Forças sul-coreanas revidaram e enviaram um jato de combate para a área.

A ilha de Yeonpyeong fica ao sul da linha de fronteira decretada pela ONU após a Guerra da Coreia (1950-1953), mas fica ao norte da linha reivindicada por Pyongyang.

Conheça a localização da ilha

  • Arte UOL

Uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU chegou a ser noticiada após informações repassadas por uma fonte diplomática francesa à agência de notícias AFP. A informação foi negada pelo embaixador Lyall Grant, representante britânico na ONU e presidente em exercício do Conselho de Segurança. "Não foi solicitada nenhuma reunião", limitou-se a responder à imprensa.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu nesta terça-feira moderação às duas Coreias depois de condenar o ataque.

A Casa Branca condenou fortemente o ataque e exigiu o fim das ações. "Os Estados Unidos condenam fortemente um ataque de artilharia desfechado pela Coreia do Norte contra uma ilha da Coreia do Sul e pedem à Coreia do Norte que interrompa suas ações beligerantes", disse a Casa Branca em um comunicado.

A União Europeia (UE) condenou "firmemente" o ataque da Coreia do Norte. "Estou profundamente preocupada com os acontecimentos de hoje na península coreana, que provocou vítimas entre militares e civis sul-coreanos", disse Catherine Ashton, chefe da diplomacia europeia. "Condeno com firmeza este ataque", acrescentou.

O ministro britânico das Relações Exteriores, William Hague, condenou "energicamente" o ataque norte-coreano. "O Reino Unido condena energicamente o ataque não provocado pela Coreia do Norte à ilha sul-coreana Yeonpyeong. Estes ataques não provocados só conduzem a mais tensões na península coreana", disse o ministro.

O ministro alemão das Relações Exteriores, Guido Westerwelle, disse estar "extremamente preocupado" com a escalada da tensão na península coreana. "Esta nova provocação militar ameaça a paz da região", disse. "Esta tensa situação exige uma atuação sensata de todos os implicado e celebro os esforços do presidente sul-coreano Lee para que a situação se acalme", acrescentou. "O governo da Alemanha assegura seu apoio e transmite suas condolências aos cidadãos da República da Coreia e seu governo nesta situação difícil".

Michèle Alliot-Marie, chefe da diplomacia francesa, pediu a Pyongyang que acabe com as "provocações". "Condeno com a maior firmeza os disparos de artilharia norte-coreanos dirigidos à ilha de Yeonpyeong", declarou a ministra em comunicado.

"A França apela à Coreia do Norte que termine com as provocações e se abstenha de qualquer novo ato suscetível de aumentar a tensão na região", acrescentou.

A Rússia vê "um perigo colossal" na escalada da violência na península coreana, disse o ministro do Exterior Sergei Lavrov. "É necessário encerrar imediatamente todos os ataques. Há um perigo colossal que deve ser evitado. A tensão na região está aumentando", disse Lavrov a jornalistas durante visita ao Belarus.

A China expressou preocupação com as informações sobre o ataque norte-coreano a uma ilha sul-coreana nesta terça-feira, no último incidente na escalada de tensões na península que faz fronteira com o território chinês.

Um porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Hong Lei, disse em entrevista à imprensa que os dois lados da península deveriam "fazer mais para contribuir para a paz" e que é imperativo o retorno às conversações envolvendo seis países, com o objetivo de por fim ao programa nuclear da Coreia do Norte.

"Ouvimos as notícias e expressamos nossa preocupação. A situação ainda precisa ser confirmada", disse Hong, respondendo a uma pergunta sobre o ataque de artilharia desfechado pela Coreia do Norte.

A China é o único aliado expressivo da Coreia do Norte. A ajuda econômica e o apoio diplomático chinês são importantes para o isolado país comunista, cujo líder, Kim Jong-il, visitou a China duas vezes este ano para fortalecer as relações bilaterais.

Ataque a ilha

A TV sul-coreana YTN afirmou que pelo menos 200 tiros foram disparados contra Yeonpyeong, que fica na costa ocidental da península dividida entre as duas Coreias. A maioria dos projéteis caiu em uma base militar sul-coreana.

"As casas e montanhas estão sob fogo e as pessoas estão sendo removidas. Não dá para enxergar direito por causa das nuvens de fumaça", disse uma testemunha na ilha à TV YTN. "As pessoas estão apavoradas. Enquanto falamos, os disparos continuam."

As autoridades pediram aos 1.700 habitantes da ilha que evacuem a área, enquanto as imagens de televisão mostram altas colunas de fumaça e casas em chamas.

Os disparos norte-coreanos iniciaram por surpresa às 14h34 local (3h34 de Brasília) sobre a ilha de Yeonpyeong, na zona fronteiriça do Mar Amarelo.

Imediatamente depois, o Estado-Maior sul-coreano enviou uma mensagem telefônica à Coreia do Norte através de uma linha especial para pedir que o vizinho cessasse os disparos, que não voltaram a se repetir até o momento.

O exército da Coreia do Sul se encontra em estado de alerta máximo e já mobilizou caças de combate F-15 e F-16 na região. O presidente, Lee Myung-bak, pediu contenção para evitar uma perigosa escalada da violência.

O presidente sul-coreano disse que é preciso ser dada uma resposta firme ao ataque contra a ilha de Yeonpyeong, situada a apenas 120 quilômetros da capital, Seul. Desde que foi eleito presidente, há cerca de três anos, Lee vem adotando uma linha política dura em relação ao Norte.

Os disparos coincidem com a presença na região do enviado americano para a Coreia do Norte, Stephen Bosworth, que deve viajar de Tóquio a Pequim nesta terça-feira para debater com as autoridades chinesas a política nuclear norte-coreana, depois das revelações de uma nova usina de enriquecimento de urânio de Pyongyang.

As duas Coreias ainda estão tecnicamente em guerra, já que o conflito dos anos 50 terminou sem a assinatura de um acordo de paz, mas apenas com um armistício.

No começo do ano, a tensão na península coreana subiu drasticamente, depois que o governo sul-coreano acusou o Norte de ter torpedeado uma de suas embarcações navais, causando a morte de 46 marinheiros.

* Com as agências internacionais

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