Presidente sul-coreano promete "enorme retaliação" e considera ataque uma invasão

UOL Notícias*
Em São Paulo

O presidente da Coreia do Sul Lee Myung-bak disse nesta terça-feira (23) que é necessária uma "enorme retaliação" contra a Coreia do Norte após os ataques contra a ilha de Yeonpyeong, segundo a CNN. O líder sul-coreano defende a medida como a única forma de cessar as provocações do Norte.

"A provocação desta vez pode ser considerada uma invasão do território sul-coreano", disse Myung-bak, após reunião com seus principais assessores militares em Seul, segundo a agência de notícias Yonhap.

O Ministério da Defesa da Coreia do Sul disse nesta terça-feira que o disparo de projéteis efetuado pela Coreia do Norte e que deixou no mínimo dois mortos foi uma violação clara do armistício entre os dois países, e que o governo norte-coreano havia planejado os ataques intencionalmente.

"Esse é um ataque intencional e planejado... e é claramente uma violação do armistício", disse Lee Hong-ki, autoridade do Ministério da Defesa, a jornalistas. Já o presidente sul-coreano Lee Myung-bak disse que o ataque da Coreia do Norte é imperdoável. "Ataques indiscriminados contra civis são imperdoáveis, também em um sentido humanitário", disse.

A Coreia do Norte acusou nesta terça-feira a Coreia do Sul de ter disparado primeiro, informou a agência oficial norte-coreana KCNA.

"O inimigo sul-coreano, apesar de nossas reiteradas advertências, realizou provocações militares com disparos de artilharia contra nosso território marítimo ao lado da ilha de Yeonpyeong, a partir das 13h00 (04h00 GMT)", indicou o comando do exército norte-coreano em um comunicado divulgado pela KCNA.

Conheça a localização da ilha

  • Arte UOL

"O Exército norte-coreano continuará sem hesitar seus ataques militares se o inimigo sul-coreano se atrever a invadir nosso território, nem que seja 0,001 milímetro", segundo o comunicado.

A artilharia da Coreia do Norte disparou nesta terça-feira (23) dezenas de projéteis contra uma ilha sul-coreana, em um dos mais pesados bombardeios contra o sul desde a Guerra da Coreia (1950-1953). Pelo menos dois soldados morreram  e 15 ficaram feridos, alguns em estado grave, segundo o ministério da Defesa sul-coreana. Forças sul-coreanas revidaram e enviaram um jato de combate para a área.

A ilha de Yeonpyeong fica ao sul da linha de fronteira decretada pela ONU após a Guerra da Coreia (1950-1953), mas fica ao norte da linha reivindicada por Pyongyang.

Uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU chegou a ser noticiada após informações repassadas por uma fonte diplomática francesa à agência de notícias AFP. A informação foi negada pelo embaixador Lyall Grant, representante britânico na ONU e presidente em exercício do Conselho de Segurança. "Não foi solicitada nenhuma reunião", limitou-se a responder à imprensa.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu nesta terça-feira moderação às duas Coreias depois de condenar o ataque.

A Casa Branca condenou fortemente o ataque e exigiu o fim das ações. "Os Estados Unidos condenam fortemente um ataque de artilharia desfechado pela Coreia do Norte contra uma ilha da Coreia do Sul e pedem à Coreia do Norte que interrompa suas ações beligerantes", disse a Casa Branca em um comunicado.

A União Europeia (UE) condenou "firmemente" o ataque da Coreia do Norte. "Estou profundamente preocupada com os acontecimentos de hoje na península coreana, que provocou vítimas entre militares e civis sul-coreanos", disse Catherine Ashton, chefe da diplomacia europeia. "Condeno com firmeza este ataque", acrescentou.

O ministro britânico das Relações Exteriores, William Hague, condenou "energicamente" o ataque norte-coreano. "O Reino Unido condena energicamente o ataque não provocado pela Coreia do Norte à ilha sul-coreana Yeonpyeong. Estes ataques não provocados só conduzem a mais tensões na península coreana", disse o ministro.

O ministro alemão das Relações Exteriores, Guido Westerwelle, disse estar "extremamente preocupado" com a escalada da tensão na península coreana. "Esta nova provocação militar ameaça a paz da região", disse. "Esta tensa situação exige uma atuação sensata de todos os implicado e celebro os esforços do presidente sul-coreano Lee para que a situação se acalme", acrescentou. "O governo da Alemanha assegura seu apoio e transmite suas condolências aos cidadãos da República da Coreia e seu governo nesta situação difícil".

Michèle Alliot-Marie, chefe da diplomacia francesa, pediu a Pyongyang que acabe com as "provocações". "Condeno com a maior firmeza os disparos de artilharia norte-coreanos dirigidos à ilha de Yeonpyeong", declarou a ministra em comunicado.

"A França apela à Coreia do Norte que termine com as provocações e se abstenha de qualquer novo ato suscetível de aumentar a tensão na região", acrescentou.

A Rússia vê "um perigo colossal" na escalada da violência na península coreana, disse o ministro do Exterior Sergei Lavrov. "É necessário encerrar imediatamente todos os ataques. Há um perigo colossal que deve ser evitado. A tensão na região está aumentando", disse Lavrov a jornalistas durante visita ao Belarus.

A China expressou preocupação com as informações sobre o ataque norte-coreano a uma ilha sul-coreana nesta terça-feira, no último incidente na escalada de tensões na península que faz fronteira com o território chinês.

Um porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Hong Lei, disse em entrevista à imprensa que os dois lados da península deveriam "fazer mais para contribuir para a paz" e que é imperativo o retorno às conversações envolvendo seis países, com o objetivo de por fim ao programa nuclear da Coreia do Norte.

"Ouvimos as notícias e expressamos nossa preocupação. A situação ainda precisa ser confirmada", disse Hong, respondendo a uma pergunta sobre o ataque de artilharia desfechado pela Coreia do Norte.

A China é o único aliado expressivo da Coreia do Norte. A ajuda econômica e o apoio diplomático chinês são importantes para o isolado país comunista, cujo líder, Kim Jong-il, visitou a China duas vezes este ano para fortalecer as relações bilaterais.

 

*Com agências internacionais

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