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Comissária da ONU critica pressão contra WikiLeaks

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

09/12/2010 16h05Atualizada em 09/12/2010 16h09

A comissária da ONU para Direitos Humanos Navi Pallay expressou nesta quinta-feira (9) preocupação com relatos de pressão supostamente exercida sobre companhias privadas para cortar fontes de financiamentos e hospedagem virtual do site WikiLeaks.

Pallay afirmou que tais medidas podem ser vistas como tentativas de evitar que o WikiLeaks continue publicando os documentos do governo que possui, e portanto violando o direito de expressão.

“Eu me preocupo com relatos de pressão exercida sobre companhias privadas, inclusive bancos, companhias de cartão de crédito e serviços de internet, para fecharem linhas de doação para o WikiLeaks, assim como interromperem hospedagens do site”, afirmou a comissária em uma coletiva de imprensa.

Também hoje, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu em defesa do site de vazamento de documentos e de seu fundador, o australiano Julian Assange.

"Em vez de culpar quem divulga, culpem quem expressou a bobagem. Eu expresso a minha solidariedade ao fundador dos WikiLeaks”, disse o presidente durante a cerimônia de apresentação do balanço de quatro anos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). 

"Eu expresso a minha solidariedade ao fundador dos WikiLeaks", afirma Lula

O presidente se disse espantado por não ver protesto contra o que vem sendo feito contra Assange. "O cara do Wikileaks foi preso e eu não estou vendo nenhum protesto contra a ameaça à liberdade de expressão", disse.

"Aí aparece o tal de Wikileaks, desnuda a diplomacia que parecia inatingível, a mais certa do mundo, e começa uma busca. Eu não sei se não colocaram cartazes como no velho oeste, de 'Procura-se, vivo ou morto', mas prenderam o rapaz", comentou.

Assange, 39, pode ser extraditado para a Suécia para ser ouvido em suposto caso de estupro. Na terça-feira (7), a Polícia Metropolitana de Londres prendeu o fundador do WikiLeaks após Assange se apresentar voluntariamente a uma delegacia. Com fiança negada, Assange deverá permanecer sob custódia até dia 14, quando se prevê nova audiência judicial.

O australiano, cujo site recentemente causou constrangimento aos EUA ao divulgar documentos diplomáticos sigilosos, nega as acusações de crime sexual e vê perseguição judicial.

*Com agências internacionais

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