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Libertação de iraniana é colocada em dúvida

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

09/12/2010 19h19Atualizada em 09/12/2010 22h29

A possível libertação da iraniana Sakineh Mohammaddi Ashtiani está sendo colocada em dúvida. Isso porque a rede de TV estatal iraniana Press TV passou a divulgar nesta quinta-feira (9) trechos de um programa sobre a história de Sakineh, agendado para ir ao ar na sexta-feira (10) à noite.

Em nenhum momento os trechos transmitidos até agora indicam que Sakineh foi libertada, conforme foi anunciado nesta quinta-feira por uma ONG europeia. O governo iraniano também não confirmou até o momento a suposta libertação.

A Press TV, que é um canal estatal de língua inglesa, também divulgou fotos de Ashtiani e seu filho adulto Sajjad Ghaderzadeh, que foi detido após ter falado com jornalistas alemães em outubro. Essas fotos e uma entrevista com Sakineh fazem parte do documentário.

Em nota divulgada nesta quinta-feira, Mina Ahadi, porta-voz do Comitê contra a Lapidação, disse que a possível libertação de Sakineh Mohammadi Ashtiani e de outras pessoas ligadas a ela é um “sucesso histórico para a humanidade”.

“Não há palavras para expressar nossa alegria. O pensamento de que ela pode abraçar seus filhos na segurança da sua própria casa e dormir profundamente essa noite é maravilhoso. Este é um sucesso histórico para a humanidade. Mostra que, quando milhões de pessoas estão juntas, elas podem salvar vidas preciosas e parar o impensável”, diz ela em um trecho da nota do Comitê contra Lapidação.

Ahadi foi quem divulgou para agências de notícias internacionais nesta quinta-feira, a informação de que a iraniana, acusada de adultério e condenada à morte por apedrejamento, havia sido libertada. Além de Sakineh, seu filho Sajjad e dois jornalistas alemães que protestaram contra a sentença da iraniana também teriam sido soltos.

“A notícia da libertação de Sakineh Mohammadi Ashtiani, seu filho Sajad Ghaderzadeh e os dois jornalistas alemães é reconfortante para os comitês internacionais contra o apedrejamento e execução e para todos aqueles que lutaram pela liberdade de Sakineh”, diz outro trecho da nota.

Ainda no comunicado, Mina Ahadi disse que “a liberdade de Sakineh deve ser o começo do fim do apedrejamento no Irã e em todo lugar”.

Autoridades iranianas ainda não comentaram a informação. Para Maria Rohaly, coordenadora da “Missão Irã Livre”, apesar da boa notícia, o momento pede cautela.

“Há informações contraditórias sobre isso [a libertação]. Devemos permanecer cautelosos com essa notícia por enquanto”, comentou.

“Recebemos informações de que estariam livres, mas ainda estamos tentando confirmar a notícia”, disse Ahmad Fatemi, representante do Comitê Internacional Contra a Execução.

O caso

Presa desde 2006, a viúva Sakineh foi inicialmente condenada à pena de morte por apedrejamento por ter traído seu marido.

A sentença foi suspensa neste ano depois que vários grupos de direitos humanos protestaram contra a punição e fizeram, ao lado de países como Estados Unidos, França e Reino Unido, contrários à execução, uma forte pressão internacional sobre o Irã.

Segundo a lei islâmica, em vigor no Irã desde a revolução de 1979, o adultério pode ser punido com a morte por apedrejamento, e crimes como assassinato, estupro, roubo a mão armada, apostasia e tráfico de drogas são todos punidos com a morte.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ofereceu asilo a Sakineh em julho, levando a uma constrangedora recusa pública da oferta pelo Irã, que disse que Lula é "uma pessoa humana e sensível", mas não tinha conhecimento de todos os fatos.

Só em 2009, o Irã executou 388 pessoas –a maioria enforcada–, mais do que qualquer outro país no mundo, até mesmo a China, segundo a Anistia Internacional.

Doze mulheres iranianas e três homens estão no corredor da morte no Irã e aguardam execução por apedrejamento, entre eles, Mariam Ghorbanzadeh, 25, o Irã Iskandari, 31, Kheyrieh Valania, 42, Sarimeh Sajadi, 30, Kobra Babaei, e Afsaneh R.

*Com informações da agência Reuters

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