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Sakineh, iraniana condenada à morte por apedrejamento, é libertada, diz ONG

Sakineh Mohammadi Ashtiani e o filho foram entrevistados em casa há poucos dias, o que levou defensores dos direitos humanos a celebrarem sua libertação - AFP/PressTV
Sakineh Mohammadi Ashtiani e o filho foram entrevistados em casa há poucos dias, o que levou defensores dos direitos humanos a celebrarem sua libertação Imagem: AFP/PressTV

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

09/12/2010 18h05Atualizada em 09/12/2010 18h30

A iraniana Sakineh Mohammadi-Ashtiani, condenada a morrer apedrejada, foi libertada, assim como seu filho e seu advogado, afirmou à AFP o Comitê contra a Lapidação, ONG com sede na Alemanha, nesta quinta-feira (9). O governo do Irã ainda não se pronunciou oficialmente sobre o assunto.

"Recebemos do Irã a informação de que estão livres", disse à AFP Mina Ahadi, porta-voz do Comitê contra a Lapidação. "Esperamos ainda a confirmação. Aparentemente, esta noite há um programa que deve ser exibido na televisão e aí saberemos 100%. Mas, sim, ouvimos que está livre e também seu filho e seu advogado", disse Ahadi.

Segundo o “The Guardian”, imagens da TV estatal “Press TV”, mostraram Sakineh encontrando seu filho Sajjad em sua casa em Oskou, para uma entrevista à emissora realizada há alguns dias. A divulgação acontece poucas semanas depois do governo iraniano dar sinais de que pouparia a vida da iraniana. No dia 23 de novembro, um alto funcionário do governo iraniano declarou que as portas estavam abertas para negociação.

Ainda de acordo com o jornal “El Pais”, dois jornalistas alemães presos por envolvimento com o caso também foram soltos. Fontes iranianas afirmaram que a libertação foi realizada mediante pagamento de fiança, embora a quantia não tenha sido informada.

O ministro italiano das Relações Exteriores, Franco Frattini, manifestou satisfação com a notícia da libertação de Sakineh e assegurou que este é "um grande dia para os direitos humanos". O chanceler italiano destacou, no entanto, que "está verificando" a informação, divulgada pelo comitê.

"O Irã cumpriu um gesto de clemência e compreensão e o fez no pleno exercício das prerrogativas de um Estado soberano", acrescentou o chanceler italiano, que espera que com isto se abra uma etapa de "diálogo com o Irá sobre os direitos humanos".

O Itamaraty também não confirmou a informação. Procurado pelo UOL Notícias, o ministério disse que acompanha o caso e aguarda novidades.

O caso

Presa desde 2006, a viúva Sakineh foi inicialmente condenada à pena de morte por apedrejamento por ter traído seu marido.

A sentença foi suspensa neste ano depois que vários grupos de direitos humanos protestaram contra a punição e fizeram, ao lado de países como Estados Unidos, França e Reino Unido, contrários à execução, uma forte pressão internacional sobre o Irã.

Segundo a lei islâmica, em vigor no Irã desde a revolução de 1979, o adultério pode ser punido com a morte por apedrejamento, e crimes como assassinato, estupro, roubo a mão armada, apostasia e tráfico de drogas são todos punidos com a morte.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ofereceu asilo a Sakineh em julho, levando a uma constrangedora recusa pública da oferta pelo Irã, que disse que Lula é "uma pessoa humana e sensível", mas não tinha conhecimento de todos os fatos.

Só em 2009, o Irã executou 388 pessoas – a maioria enforcada- , mais do que qualquer outro país no mundo, até mesmo a China, segundo a Anistia Internacional.

Doze mulheres iranianas e três homens estão no corredor da morte no Irã e aguardam execução por apedrejamento, entre eles, Mariam Ghorbanzadeh, 25, o Irã Iskandari, 31, Kheyrieh Valania, 42, Sarimeh Sajadi, 30, Kobra Babaei, e Afsaneh R.

 

*Com agências internacionais

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