Cresce o risco de agressão sexual contra mulheres em acampamentos no Haiti, diz Anistia

Do UOL Notícias

Em São Paulo

  • Guillermo Arias/AP

    Mulheres em acampamento para desabrigados na capital Porto Príncipe, em frente à sede do governo haitiano, ainda em ruínas

    Mulheres em acampamento para desabrigados na capital Porto Príncipe, em frente à sede do governo haitiano, ainda em ruínas

As mulheres que vivem nos acampamentos improvisados no Haiti enfrentam um risco cada vez maior de estupro e violência sexual, segundo relatório divulgado hoje (6) pela Anistia Internacional. A entidade informou que foram registrados mais de 250 casos de estupro nos primeiros meses após o terremoto.

Um ano após o terremoto que devastou o país, matou 230 mil e deixou outros 300 mil feridos, mais de um milhão de pessoas ainda vivem em acampamentos, aumentando os riscos e a vulnerabilidade das mulheres, que são ameaçadas por homens armados que rondam os acampamentos à noite.

“As mulheres, que já precisam lidar com a perda de parentes e amigos e que tiveram suas casas destruídas no terremoto, agora enfrentam também o trauma de viver sob a constante ameaça de ataques sexuais", disse o pesquisador da Anistia Internacional no Haiti Gerardo Ducos.

Para ele, o governo do país caribenho não dá a atenção devida às denúncias das vítimas de violência sexual. O policiamento dos acampamentos é escasso e muitas vítimas de estupro dizem ter ouvido dos policiais que eles nada podem fazer sobre os ataques.

"Mulheres e meninas se sentem abandonadas e vulneráveis. Gangues armadas atacam quando querem porque os bandidos se sentem seguros, já que há pouca chance de que sejam punidos", disse Ducos.

Cerca de 50 mulheres vítimas de violência sexual relataram detalhes sobre a agressão sofrida para o relatório preparado pela Anistia.

Susie, uma das mulheres ouvidas pela Anistia Internacional, contou que ela e uma amiga foram vendadas e estupradas na frente dos filhos, na madrugada do dia 8 de maio de 2010.

"Depois que eles saíram, eu não consegui fazer nada, não tive reação alguma. Mulheres vítimas de estupro devem ir para o hospital. Mas eu não fui porque não tinha dinheiro e não sei onde há uma clínica que ofereça tratamento", disse.

O terremoto que atingiu o país em janeiro matou o marido, o irmão e outros familiares de Susie, além de destruir sua casa.

Já a jovem Machou, 14, que vivem em um acampamento em Carrefour Feuilles, na capital Porto Príncipe, contou que foi abusada em março, quando ia ao banheiro.

"Um rapaz veio atrás de mim e abriu a porta. Ele me amordaçoucom a mão e fez o que ele queria fazer ...  Ele me bateu. Ele me deu um soco. Eu não fui à polícia. Me sinto realmente triste o tempo todo. Eu tenho medo que aconteça novamente ", disse ela à Anistia Internacional.

Voluntários de ONGs que atuam no país dizem que a violência sexual contra a mulher já era um prolema no Haiti antes do terremoto. Com o relatório, a Anistia Internacional espera que o novo governo haitiano reconheça a urgência do assunto e promova avanços.

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