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Congressista baleada no Arizona continua em estado grave, mas já "pode se comunicar"

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

2011-01-09T14:37:08

2011-01-09T16:34:42

09/01/2011 14h37Atualizada em 09/01/2011 16h34

A deputada democrata Gabrielle Giffords, 40, que foi atingida por um tiro na cabeça no sábado (8), durante um ato com eleitores em Tucson, no Arizona, continua internada em estado grave, mas já "pode se comunicar", anunciou neste domingo um dos cirurgiões que a operou. O ataque deixou seis mortos, entre eles um juiz federal e uma menina de 9 anos, além de 14 feridos, incluindo a parlamentar. O número anterior era de 12 feridos, mas foi alterado pelas autoridades neste domingo (9).

A congressista "é capaz de se comunicar conosco seguindo ordens simples", explicou Michael Lemole, chefe de neurocirurgia do University Medical Center de Tucson. Lemole disse estar "cautelosamente otimista" sobre a recuperação da deputada, mas advertiu que sua "condição continua sendo crítica".


A democrata conversava com eleitores em frente a um supermercado da cidade no sábado, quando um atirador abriu fogo contra as pessoas que participavam do evento público.

Ontem, o presidente Barack Obama disse que o atentado é "uma tragédia para todo o país". A Casa dos Representantes cancelou suas atividades em Washington por toda a semana. Líderes ao redor do mundo, incluindo o cubano Fidel Castro, condenaram o ataque.

Apesar da gravidade do ferimento de Giffords --que chegou a ser dada como morta quando as primeiras informações do atentado começaram a circular na imprensa--, os cirurgiões do Hospital Universitário de Tucson, onde ela está internada, acreditam em sua recuperação.

"Ela está em estado crítico, (mas) eu estou otimista quanto a uma melhora do quadro", indicou Peter Rhee, chefe da unidade de emergência do centro médico. "Não sabemos dizer que tipo de recuperação, mas estou tão otimista quanto possível".

No entanto, um comunicado divulgado pelo cirurgião Richard Carmona, amigo da família e médio da congressista, expressou tom mais cauteloso. "Com contido otimismo, espero que ela sobreviva, mas (ela sofreu) um ferimento muito devastador", afirmou.

  • Arquivo pessoal/Reuters

    Uma das seis vítimas mortas no ataque deste sábado no Arizona, Christina Taylor Greene, de 9 anos, nasceu no fatídico 11 de setembro

O atirador

O agressor foi identificado como Jared Lee Loughner, de 22 anos, que mora na cidade e foi preso no local do crime.

Neste domingo, a polícia do Arizona divulgou ainda a imagem de um homem, feita por uma câmera de segurança no local, considerado suspeito de envolvimento na chacina. O xerife do condado de Pima, Clarence Dupnik, disse no sábado que uma segunda pessoa "do interesse" da investigação estava sendo procurada.

Os motivos da aparente tentativa de assassinato ainda não foram esclarecidos. Loughner, ex-recruta do exército, usava a internet para expressar seu ódio pelo governo.

Em um perfil criado pelo jovem no portal de vídeos YouTube, ele lista o "Manifesto Comunista", de Karl Marx e Friedrich Engels, e o livro "Mein Kampf", de Adolf Hitler, como suas leituras favoritas.

Uma testemunha do crime, que ajudou a derrubar o atirador, disse que o suspeito parecia disposto a matar ainda mais pessoas, pois tinha consigo mais dois cartuchos de munição e uma faca no bolso.

"Ele estava preparado para a guerra, não estava brincando", declarou Joe Zamudio à rede americana CNN. "Ele estava calmo, quase impassível."

Segurança

Como a maioria dos congressistas, Giffords viajava sem grandes esquemas de segurança, apesar das ameaças sofridas durante a última campanha eleitoral, na qual ela conseguiu se reeleger no Arizona, tradicionalmente republicano.

A congressista é casada com o astronauta da Nasa Mark Kelly, e foi a primeira mulher judia eleita para o Congresso pelo Arizona.

*Com agências internacionais

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