Topo

Efeitos da volta de Baby Doc ao Haiti são imprevisíveis, diz comandante da tropa brasileira

Hector Retama/AFP
Ex-ditador Jean-Claude Duvalier -- ou "Baby Doc" Imagem: Hector Retama/AFP

Luciana Lima*

Agênci Brasil<br>Em Porto Príncipe (Haiti)

2011-01-17T16:21:26

17/01/2011 16h21

O comandante do 1º Batalhão Brasileiro no Haiti, coronel Ronaldo Lundgren, disse que a volta do ex-ditador Jean-Claude Duvalier, conhecido como o Baby Doc, ao país foi uma “surpresa” para todos e que os efeitos de sua presença em território haitiano país ainda são imprevisíveis.

“Não sabemos ainda como isso vai impactar, porque não sabemos se ele continua com a mesma influência. Mas que alguma coisa vai mudar, a gente tem certeza”, afirmou Lundgren, atual comandante da tropa brasileira Brasil, que está no Haiti desde 2004. “Ele é mais um ator desse contexto político”, disse o coronel.

Baby Doc chegou à capital, Porto Príncipe, ontem (16) à noite, em um voo da Air France. No aeroporto, ele foi recebido por centenas de simpatizantes. Com 59 anos, o ex-ditador disse, ao chegar, que quer ajudar na reconstrução do país após o terremoto do ano passado, que deixou cerca de 300 mil mortos.

No entanto, a volta de Baby Doc ao país, após 25 anos de exílio na França, preocupa, porque ocorre num momento de tensão política, devido à suspeita de fraude no primeiro turno das eleições presidenciais e indefinições em relação à realização do segundo turno e da perspectiva de um vazio político, já que o mandato do atual presidente, René Preval, acaba no dia 7 de fevereiro. Já há um entendimento de que o mandato de Preval poderá ser prorrogado até 14 de maio, como permite a legislação haitiana, até a conclusão do processo eleitoral.

Hoje de manhã, o batalhão brasileiro aumentou seu contingente em 150 homens, que vão atuar no patrulhamento de áreas próximas ao aeroporto. No entanto, diz o comandante, essa ação, denominada Bom Dia, População, não é motivada pela volta de Baby Doc.

O objetivo é assegurar a integridade do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, que também está em Porto Príncipe para apresentar às autoridades presentes no país a avaliação deste organismo sobre as eleições haitianas.

A expectativa é que, dessas conversas, saiam hoje os nomes dos candidatos que vão participar do segundo turno das eleições. Insulza se reunirá com o presidente René Preval, e o primeiro-ministro, Jean-Max Bellerive, além de autoridades do Conselho Eleitoral Provisório (CEP) e o chefe da Missão de Observação Eleitoral, Colin Granderson.

Em 1971, Baby Doc herdou o poder de seu pai, o também ditador François Duvalier, conhecido como Papa Doc. Ele enfrentou uma insurreição popular em 1986 e partiu para a França com a família.

Hoje, a Anistia Internacional pediu às autoridades do Haiti que processem judicialmente Baby Doc por crimes contra a humanidade. O atual presidente, René Préval, já disse anteriormente que o ex-ditador seria preso caso voltasse ao país.

*A repórter viajou a convite do Ministério da Defesa