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Internacional

Em sábado de protestos, mortes e renúncia, Egito nomeia novos vice-presidente e premiê

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

29/01/2011 14h42Atualizada em 29/01/2011 15h12

Horas depois da renúncia do primeiro-ministro egípcio, Ahmed Nazif, e ainda em meio a uma violenta onda de protestos pela cidade do Cairo, o chefe dos serviços de inteligência do Egito, Omar Suleiman, tomou posse neste sábado (29) como vice-presidente do país, informou a mídia estatal. Suleiman é o primeiro a ocupar o posto em 30 anos de presidência de Hosni Mubarak, de quem os manifestantes, nas ruas, pedem a renúncia desde a última terça-feira (25).

"Omar Suleiman foi nomeado vice-presidente de Hosni Mubarak", anunciou a agência oficial Mena. Pouco depois, a televisão estatal mostrou imagens de Suleiman fazendo o juramento de posse diante de Mubarak -- que se recusava a escolher um vice-presidente desde que chegou ao poder, em 1981.

Já a missão de formar um novo Governo no Egito caberá ao general Ahmed Shafiq, até agora ministro de Aviação Civil, e nomeado nesta tarde novo premiê. Ele substituirá Nazif no posto.

Egito

A renúncia do primeiro-ministro cumpriu pedido feito no fim dessa sexta (28) pelo presidente. Em pronunciamento, Mubarak anunciou que pretende formar um novo gabinete e tratou de vários temas, menos de qualquer possibilidade de sua renúncia.

Quem também renunciou neste sábado foi Ahmad Ezz, considerado um importante dirigente do Partido Nacional Democrata, de Mubarak, e um dos pilares de seu regime. Magnata do aço e um dos mais ricos empresários do país, Ezz, segundo a TV estatal, tem muita influência no ambiente político e é um dos dirigentes mais próximos a Gamal Mubarak, filho do presidente.

O compromisso firmado por ele de mudar o governo não tirou a população das ruas no início deste sábado. Centenas de egípcios ocupavam o centro da capital Cairo, especialmente a praça Tahrir, que foi tomada pelo Exército depois dos violentos distúrbios desta sexta.

O chefe da Anistia Internacional, Salil Chetty, disse que a decisão de Mubarak de dissolver o gabinete não deve amenizar os protestos e classificou a medida como "uma piada".  "As pessoas estão dizendo com muita clareza que querem uma mudança fundamental, uma mudança constitucional", disse.

Distúrbios e mortes

Neste sábado, tanques das Forças Armadas do país se posicionaram em pontos chave da cidade, os arredores do Museu Egípcio, a sede do Partido Nacional Democrático, de onde saía fumaça após o incêndio iniciado na noite de sexta, e a emissora de televisão pública egípcia, que manifestantes tentaram invadir ontem sem sucesso.

Na praça Tahrir (Libertação, em árabe), epicentro dos protestos dos últimos dias, centenas de pessoas, em sua maioria homens jovens, seguiam presentes após uma noite acordadas e dialogavam com os soldados.

Ao menos 92 pessoas morreram e milhares ficaram feridas no Egito desde o início, na terça-feira, dos protestos contra o presidente Hosni Mubarak, 85 delas em confrontos na sexta-feira e no sábado entre manifestantes e policiais, segundo fontes médicas e dos serviços de segurança.

Neste sábado, foram registrados 23 mortos - 12 em Beni Sueif, três no Cairo, três em Rafah e cinco em Ismailiya - durante confrontos entre polícia e manifestantes, segundo as mesmas fontes.

O centro do Cairo amanheceu neste sábado com claros sinais dos distúrbios da véspera. Na praça Abdel Menem Riad, onde na sexta-feira morreram quatro pessoas, dois microônibus e uma caminhonete da Polícia estavam carbonizados. Também nos arredores do Museu Egípcio, que conserva as relíquias arqueológicas mais importantes do país, e na avenida Ramsés, pelo menos meia dúzia de veículos, um tanque e uma viatura policial estavam queimados.

Outras zonas da cidade também mostravam sinais da violência, dos saques e dos incêndios da noite de ontem, como a avenida Al Haram, que leva às pirâmides de Giza e que amanheceu cercada por militares e grupos de jovens.

Entre os estabelecimentos saqueados estão os cassinos Al Lail e El Andalus e o hotel Europa, enquanto uma delegacia restaurada recentemente havia sido incendiada. Além disso, centenas de pessoas aguardavam pelos meios de transporte público diante da falta de ônibus.

Na praça de Giza, a principal dessa região, podia ser vista uma fila de oito caminhões das forças antidistúrbios incendiados.

Comunicação

As comunicações por telefonia celular, bloqueadas desde a manhã de sexta-feira, começaram a ser restabelecidas pouco depois das 10h da hora local (6h de Brasília), segundo comprovou a EFE. Os telefones celulares, que foram essenciais para articular os protestos nos dias anteriores, ficaram sem operar durante toda a sexta-feira, quando dezenas de milhares de egípcios saíram às ruas para pedir a renúncia do presidente Hosni Mubarak.

Ontem, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que telefonou para Mubarak e pediu para que seja liberado imediatamente o acesso a internet e telefones no Egito.

Obama fez um apelo para que seu colega tome medidas concretas que levem às promessas de maior liberdade e democracia ao povo egípcio feitas minutos antes.

* Com agências internacionais

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