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Gaddafi ofereceu acordo para deixar o poder, afirma TV

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

07/03/2011 20h41Atualizada em 07/03/2011 20h49

Os rebeldes líbios rejeitaram nesta segunda-feira (7) um acordo que teria sido proposto pelo ditador Muammar Gaddafi, segundo informou a rede de televisão Al Jazeera. Segundo a rede, Gaddafi propôs um encontro entre os rebeldes e o Parlamento para discutir um acordo para viabilizar sua renúncia. Gaddafi teria enviado seu ex-primeiro-ministro Jadallah Azzouz Talhi para encontrar os rebeldes.

A Al Jazeera afirmou ainda que uma fonte do conselho dos rebeldes disse, na cidade de Benghazi, que o encontro foi rejeitado porque o acordo seria uma saída honrosa para Gaddafi e ofenderia as vítimas do regime.

A rede de televisão afirmou que Gaddafi queria garantias para sua segurança pessoal e de sua família, além da promessa de que ele não fosse julgado pelas mortes já registradas até o momento.

Ameaça de guerra civil

Um dos filhos de Gaddafi, Saadi, afirmou mais cedo que a Líbia entraria em guerra civil se seu pai renunciasse ao poder. Em entrevista ao canal árabe Al Arabiya, disse Saadi também que a Líbia se transformaria numa nova Somália e que as tribos do país lutariam umas contra as outras se isso ocorresse. Saadi assinalou que a situação na Líbia "é muito perigosa" porque "as tribos estão bem armadas" e tanto o Exército como a rebelião contam com armamento.

Saadi aproveitou para culpar seu irmão Seif al Islam por não ter cumprido as recomendações de seu pai para evitar algumas das razões que impulsionaram a atual rebelião. Na entrevista, Saadi disse que Seif, que figurava como possível herdeiro de seu pai, tinha sido encarregado junto ao governo de aplicar medidas para lutar contra o aumento dos preços nos produtos básicos.

"O líder dizia diariamente (a Seif al Islam e aos ministros) que facilitassem as coisas e elaborassem um orçamento, mas há coisas que não foram feitas." Saadi é um dos sete filhos homens de Gaddafi, jogou como profissional no futebol da Itália, é engenheiro e agora se dedica aos negócios do país.

Zona de exclusão

Os Estados Unidos e a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) estudam medidas caso mortes de civis continuem. O presidente Barack Obama advertiu aos assessores do líder Muamar Gaddafi que deverão responder pela violência em seu país, em declarações a jornalistas. Obama afirmou que a violência contra civis é "inaceitável": "Quero dizer àqueles próximos que depende deles tomar a decisão sobre como querem agir daqui por diante".

O secretário de Defesa norte-americano, Robert Gates, alertou que qualquer intervenção militar estrangeira na crise da Líbia deve ter apoio internacional. “Acho que teremos de monitorar a situação bem de perto”, disse Gates, em visita ao Afeganistão, sobre uma possível intervenção. “Mas acho que, nesse momento, há um senso de que qualquer ação deverá resultar em uma sanção internacional.”

Mais cedo, o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, reivindicou à Líbia uma transição para a democracia e advertiu ao regime político de Gaddafi que haverá uma reação internacional se o ditador continuar usando a violência contra civis.

"Se Gaddafi e suas forças militares continuarem atacando sistematicamente a população, não posso imaginar que a comunidade internacional fique somente olhando", disse Rasmussen em Bruxelas, sobre uma possível intervenção no país norte-africano, onde, em sua opinião, podem estar havendo "crimes contra a humanidade".

Reino Unido e França trabalham na elaboração de um projeto de resolução no Conselho de Segurança das Nações Unidas para estabelecer uma zona de exclusão área sobre a Líbia, confirmaram fontes diplomáticas. Os dois países não puseram um prazo para apresentar o documento ao resto dos 13 membros do principal órgão de segurança internacional, já que a intenção é "estar preparados" em caso de decidir em recorrer a esta medida. "Dependerá que se deem as condições para sua adoção, não de um prazo artificial", indicou um diplomata.

Ataques a cidades tomadas por rebeldes

Forças leais ao ditador líbio lançaram hoje novos contra-ataques contra cidades tomadas por rebeldes, aumentado os temores de que a Líbia esteja caminhando para uma guerra civil, ao contrário da Tunísia e do Egito, onde as revoluções levaram às renúncias dos antigos líderes.

A Força Aérea leal ao líder líbio Muammar Gaddafi bombardeou nesta segunda, em duas ocasiões, a região do estratégico porto petroleiro de Ras Lanuf, leste do país, controlada pelos rebeldes, que responderam com disparos de artilharia. Uma forte explosão foi ouvida a dois quilômetros da cidade, no deserto. Os rebeldes tentaram atingir os caças do regime de Gaddafi. No domingo, os aviões líbios executaram dois ataques contra Ras Lanuf, controlada pelos insurgentes desde sexta-feira, sem provocar vítimas.

Os milicianos rebeldes mantêm hoje o controle do porto e do terminal petrolífero de Ras Lanuf, 200 quilômetros ao leste de Sirte, seu próximo alvo militar, e mantêm enfrentamentos em Ben Jawad, no meio do caminho entre as duas localidades.

Segundo o porta-voz, existem "trabalhos preliminares" que estudam "todas as opções para enfrentar a evolução da situação no terreno". "Desejamos pôr tudo em andamento para contribuir para a saída da crise na Líbia. Levamos esses trabalhos em estreita coordenação com todas nossos parceiros, os países envolvidos e o conjunto das instâncias internacionais e regionais", ressaltou.

Ao ser questionado sobre o apoio de Paris ao Conselho Nacional líbio formado pelos insurgentes em Benghazi (leste), Gaddafi, que teve as declarações traduzidas do árabe para o francês, afirmou: "Nos faz rir esta interferência nos assuntos internos. E se nós atuarmos nos assuntos da Córsega ou da Sardenha!".

No domingo, em Paris, o porta-voz do ministério francês das Relações Exteriores, Bernard Valero, afirmou que o país saudava a criação do Conselho Nacional líbio.

ONU

No domingo, o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon, convenceu o ministro das Relações Exteriores do regime de Muammar Gaddafi a permitir que uma equipe de "avaliação humanitária" visite Trípoli e nomeou um enviado especial para lidar com o regime, informou seu porta-voz.

O ex-chanceler jordaniano Abdelilah Al-Khatib irá realizar "consultas urgentes" com o governo de Gaddafi sobre a batalha crescente com rebeldes e trabalhar na crise humanitária que ela causou, informou o porta-voz da ONU, Martin Nesirky.

As Nações Unidas exigiram acesso "urgente" à cidade de Misrata, controlada pelos rebeldes, que sofreu ataque das forças do regime, e o secretário-geral da ONU expressou uma preocupação crescente com o que ele chamou de uso "desproporcional" da força por Gaddafi.

Ban pediu que o governo "garanta a segurança de todos os cidadãos estrangeiros e o livre acesso das organizações humanitárias às pessoas necessitadas". A equipe está sendo organizada pelo Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários.

Crise no Oriente Médio e países vizinhos

*Com informações das agências internacionais