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Governo evacua 45 mil pessoas e trabalha para evitar acidente nuclear no Japão

Do UOL Notícias* <BR> Em São Paulo

11/03/2011 19h26Atualizada em 11/03/2011 23h08

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As autoridades do Japão trabalham na manhã deste sábado (horário local) para evitar um acidente nuclear no nordeste do país depois do terremoto de 8,8 pontos na escala Richter que devastou a região e provocou um tsunami na área na sexta-feira (11).

O governo determinou que cerca de 45 mil moradores que vivem perto da usina de Fukushima 1 deixem o local. Horas depois da ordem de evacuação, o governo anunciou que houve um pequeno vazamento de vapor da usina, que, no entanto, não oferece riscos à saúde da população.

Em seguida, os moradores de um raio de 3 km em torno da central nuclear de Fukushima 2 também foram retirados. As usinas enfrentam problemas de resfriamento e tiveram que liberar vapor radioativo para reduzir a pressão excessiva nos reatores.

As últimas informações oficiais, divulgadas às 16h50 (horário de Brasília) pela polícia japonesa, dão conta de pelo menos 384 mortos, 947 feridos e 707 desaparecidos por conta do terremoto. A imprensa local já fala em mais de mil vítimas e outras 100 mil desaparecidas. Com o amanhecer deste sábado (horário local), os números da devastação devem aumentar. O epicentro do terremoto foi no oceano Pacífico, a 400 km de Tóquio, a uma profundidade de 32 km. Os primeiros tremores foram identificados às 14h46 (2h46, horário de Brasília).

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O chefe de gabinete do governo, Yukio Edano, disse mais cedo que a quantidade de radiação em forma de vapor que vazou da usina Fukushima 1 é “muito pequena” e não deve afetar o meio ambiente e os moradores do local.  “Com a evacuação, nós podemos garantir a segurança”, disse durante uma entrevista neste sábado.

Mais cedo, o governo decretou situação de emergência na Fukushima 1. O nível de radioatividade ao redor da usina é oito vezes superior ao normal, informou a agência Jiji Press. Dentro da usina, a radioatividade é mil vezes superior ao normal por conta de uma falha no sistema de refrigeração, segundo a agência Kyodo, que cita uma comissão de segurança da usina.

Por volta de 20h30 (horário de Brasília), o governo anunciou que  a usina Fukushima 2, que fica a 12 km da Fukushima 1, também estava com problemas na refrigeração. Também foi decretada situação de emergência nessa usina.

Dos 55 reatores nucleares em funcionamento no Japão em 17 locais, onze foram afetados pelo terremoto, informou na noite desta sexta-feira a Autoridade francesa de Segurança Nuclear (ASN), que acompanha a evolução da situação nas centrais nucleares japonesas.

As centrais de Fukushima Daichi (6 reatores) e Fukushima Daini (4 reatores), situada no nordeste do Japão, foram particularmente atingidas pelo terremoto.

A Força Aérea americana enviou um líquido de resfriamento para uma usina nuclear japonesa nesta sexta-feira, horas depois de o país ter registrado o maior terremoto de sua história.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou que a ação foi tomada depois de operadores da usina terem afirmado que a instalação não tinha líquido suficiente.

Ajuda internacional após tsunami

O governo japonês pediu ajuda internacional após o abalo. "O Japão pediu equipes internacionais de busca e resgate, mas somente algumas", disse à agência Reuters Elisabeth Byrs, porta-voz da agência da ONU para a coordenação de assuntos humanitários, em Genebra. Mais cedo, o órgão disse que cerca de 68 equipes de busca e resgate de 45 países estavam à espera do pedido de Tóquio.

O terremoto gerou um tsunami que invadiu cidades da costa leste do Japão com ondas de até 10 metros que arrastaram barcos de pesca e outras embarcações pelas cidades. Vários veículos e casas ficaram submersos

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Ondas gigantes teriam viajado pelo Pacífico a uma velocidade de cerca de 800 km/h, antes de atingir a costa do Japão. Diversas réplicas estão sendo registradas ainda no país: uma delas, de 6,6 pontos de magnitude, atingiu o noroeste do Japão.

O metrô da capital japonesa foi paralisado, os carros detidos nas estradas, os aeroportos foram fechados e os prédios foram evacuados após o soar das sirenes e os chamados à evacuação.

Tremor é considerado o maior no país

Inicialmente, a Agência de Meteorologia Japonesa noticiou que a intensidade do terremoto havia sido de 8,9 pontos na Escala Richter, informação corrigida depois para 8,8 pontos.

De acordo com agências de notícias, este é o maior tremor que atinge o país em sete anos, e o 7º maior na história, segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Já a Agência de Meteorologia Japonesa afirmou que este foi o terremoto mais forte registrado no Japão.

O último terremoto de grandes proporções registrado no Japão aconteceu em 1932, em Kanto. O tremor de magnitude 8,3, matou 143 mil pessoas, segundo o USGS. Em 1996, um tremor de magnitude 7,2, em Kobe, deixou 6.400 mortos.

Cidades mais atingidas

O Japão amanheceu neste sábado (horário local) contando os prejuízos causados pela devastação. Na região mais afetada ainda há incêndios e cidades parcialmente submersas.

Em uma das áreas residenciais mais atingidas, era possível escutar pessoas soterradas sob os escombros, pedindo socorro, segundo relato da agência de notícias Kyodo.

No nordeste do Japão, a cidade de Kesennuma, com 74 mil habitantes, sofre incêndios, e um terço da sua área está submersa, segundo relato feito na manhã de sábado pela agência de notícias Jiji.

Em Sendai, cidade com 1 milhão de habitantes, o aeroporto está em chamas depois de ser inundado pelo tsunami, acrescentou a agência.

Na sexta-feira, imagens de TV mostraram uma veloz torrente de água barrenta arrastando carros e destruindo casas nos arredores de Sendai, que fica a 300 km a nordeste de Tóquio. No cais, navios foram arremessados para a terra.

No norte do Japão, um tsunami atingiu a cidade de Kamaichi, e apesar de ter sido de pequenas dimensões atirou barcos, carros e caminhões como se fossem de brinquedo. A Kyodo disse que quatro trens na zona costeira ficaram incomunicáveis.

Mesmo para um país acostumado a terremotos, a devastação era impressionante. O terremoto provocou incêndios em pelo menos 80 lugares, segundo a agência de notícias Kyodo.

Na província de Fukushima, nordeste do Japão, uma represa rompeu e casas foram tragadas.

Brasileiros

Segundo nota do Itamaraty, não há notícias de brasileiros feridos pelo terremoto. Atualmente a comunidade brasileira no Japão é de 254 mil habitantes, sendo que a maior concentração está na região centro-sul do país, área menos atingida pelo terremoto.

A Embaixada do Brasil em Tóquio está trabalhando em regime de plantão 24 horas e solicita que pedidos de informação sejam dirigidos ao endereço eletrônico comunidade@brasemb.or.jp, já que há dificuldades de comunicação por telefone, especialmente em linhas de celular.

O Núcleo de Atendimento a Brasileiros (NAB), que está em contato com a rede consular no Japão, colocou linhas de atendimento à disposição do público: (61) 3411 6752/6753/8804 (de 8h às 20h) e (61) 3411 6456 (de 20h às 8h e finais de semana). Consultas poderão ainda ser dirigidas ao endereço eletrônico dac@itamaraty.gov.br.

*Com agências internacionais

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