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Obama diz que Gaddafi "não deixou opção" e afirma que intervenção não terá tropas em terra

Do UOL Notícias

Em São Paulo

19/03/2011 17h26

Confronto na Líbia tem avião abatido e ataques aéreos, veja imagens

O presidente americano Barack Obama disse neste sábado que está “ciente dos riscos de uma operação militar” na Líbia, mas que devido às atitudes do ditador líbio Muammar Gaddafi, que ignorou o cessar-fogo proposto pelo próprio governo, a comunidade internacional ficou “sem opção”.

“Essa não é a saída que os Estados Unidos ou nenhum de nossos aliados esperava. Mas Gaddafi ignorou nossos avisos e suas forças continuaram atacando os civis, especialmente hoje, em Benghazi”, disse Obama durante uma entrevista coletiva apenas para jornalistas americanos, no Brasil, onde iniciou a sua viagem pela América Latina neste sábado.

"Estou ciente dos riscos de uma ação militar. Quero que os americanos saibam que o uso da força não foi nossa primeira escolha", completou.

Segundo o presidente americano, as ações do ditador líbio devem “ter consequências” já que “inocentes estão morrendo pelas mãos do próprio governo”.

Obama também afirmou que “nenhuma tropa ou soldado americano” estará em terras líbias.

"Como disse ontem, nós não vamos colocar nenhuma tropa em solo líbio. Hoje estamos orgulhosos de agirmos como parte de uma coligação e estamos respondendo aos apelos de um povo ameaçado”.

Forças de cinco países -- Estados Unidos, França, Canadá, Itália e Reino Unido -- começaram a atacar as forças fieis ao ditador líbio Muammar Gaddafi, dois dias após o aval da ONU para uma intervenção militar no país africano para conter a onda de violência do ditador contra os rebeldes.

Aviões franceses destruíram quatro veículos militares das forças de Gaddafi em Benghazi. Segundo as redes americanas “CNN” e “Fox News”, um navio de guerra dos Estados Unidos, alocado no mar Mediterrâneo, lançou mísseis de cruzeiro contra alvos da Líbia. Ainda não há informações de feridos ou dos alvos atingidos.

A agência de notícias Reuters, citando uma fonte militar americana, disse que os cinco países estão preparando um novo ataque ao longo da costa da Líbia.

O ministro das Relações Exteriores francês, Alain Juppé, advertiu que a ação militar contra o regime de Muammar Gaddafi vai continuar "pelos próximos dias".
 

"As operações vão continuar nos próximos dias até que o regime líbio aceite" todas as exigências do texto adotado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, assinalou Juppé em entrevista à rede de televisão "France 2". Segundo o chanceler francês, o objetivo da operação militar lançada contra a Líbia é "ajudar o povo líbio a se libertar" de Gaddafi.

 

Já o ditador disse que as potências ocidentais não têm direito de intervir em seu país.

"Isto é uma injustiça, uma agressão clara", teria dito Gaddafi, segundo o porta-voz de governo Mussa Ibrahim, em carta à França, Grã-Bretanha e ONU. "Vocês lamentarão se interferirem em nossos assuntos internos."

O governo líbio culpou os rebeldes, que diz serem membros da Al Qaeda, por romper o cessar fogo ao redor de Benghazi.

Uma grande multidão de apoiadores de Gaddafi acenando com bandeiras verdes da Líbia e retratos do líder se reuniram perto de sua casa em Trípoli, em uma aparente manobra para desencorajar ataques aéreos estrangeiros.

Mesmo assim, a rede de televisão estatal líbia anunciou que áreas residenciais da capita líbia foram alvo de ataques aéreos executados por aviões "do inimigo cruzado".

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