Míssil destroi prédio residencial de Gaddafi; britânicos atacam sistema antiaéreo líbio

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

Um prédio administrativo do complexo residencial do ditador líbio Muammar Gaddafi foi atingido por um míssil e destruído neste domingo (20) no bairro de Bab el Aziziya, em Trípoli. A informação é da agência de notícias AFP, segundo a qual, também hoje,  as forças britânicas atacaram os sistemas líbios de defesa antiaérea, revelou o ministério britânico da Defesa em Londres.

"Posso confirmar que as forças armadas britânicas participaram de outro raid coordenado contra os sistemas líbios de defesa antiaérea", declarou o general John Lorimer, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas. "Pela segunda vez, o Reino Unido lança do Mediterrâneo mísseis (de cruzeiro) Tomahawk de um submarino da classe Trafalgar, como parte do plano coordenado da coalizão para aplicar a resolução do Conselho de Segurança da ONU autorizando o uso da força contra o regime de Gaddafi.

Os bombardeios acontecem horas depois de o governo líbio, por meio de um porta-voz do Exército, ter declarado hoje que o país está enfrentando "bárbara agressão armada". Ele pediu que as forças da coalizão internacional que estão intervindo no país interrompam os ataques. É o segundo anúncio de cessar-fogo feito pelas forças do regime do ditador.

TV estatal da Líbia mostra imagens de feridos por ataques (em inglês)

“As Forças Armadas da Líbia foram instruídas a seguir um cessar-fogo a partir das 19h GMT (16h, em Brasília), em resposta ao apelo da União Africana pelo fim imediato das hostilidades", declarou um porta-voz do Exército.

O cessar-fogo foi ordenado devido ao número de civis mortos e aos edifícios destruídos devido aos confrontos entre forças leais do ditador Muammar Gaddafi e seus opositores, e também dos ataques das forças de coalizão.

Segundo o porta-voz, as Forças Armadas estão convocando todos os cidadãos líbios a participar de uma marcha pacífica entre as cidades de Trípoli e Benghazi, reduto de opositores do regime.

Rebeldes mortos

Mais de 8.000 líbios alinhados com o movimento rebelde que se levantou contra Gaddafi foram mortos na revolta contra o líder, informou no domingo um porta-voz do grupo à emissora Al Jazeera. "Nosso número de mortos e mártires ultrapassa 8.000", afirmou Abdel Hafiz Ghoga.

Ele criticou o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, pelos comentários aparentemente críticos às ações dos Estados Unidos e aliados contra a Líbia.

A Liga Árabe pediu a imposição de uma zona de restrição aérea sobre a Líbia para proteger os civis das forças de Gaddafi, mas Moussa condenou no domingo o "bombardeio de civis."

"O que está acontecendo na Líbia difere do objetivo de impor uma zona de restrição aérea, e o que queremos é a proteção de civis e não o bombardeamento de mais civis", afirmou Moussa à agência de notícias estatal egípcia.

Ataques em Trípoli antecedem pedido de cessar-fogo

Neste domingo, antes do anúncio de cessar-fogo do governo líbio, baterias aéreas abriram fogo na zona da residência do líder líbio em Trípoli, segundo informações da imprensa local.

A rede "Al Jazeera" informou que os disparos foram efetuados pela defesa antiaérea das forças de Gaddafi na capital líbia, onde foi estabelecida uma zona de exclusão aérea, anunciou a rede do Qatar.

A emissora indicou que os disparos partiram do palácio de Gaddafi, Bab el Aziziya, onde uma coluna de fumaça era vísivel, e uma área na região central da cidade.

França diz não ter atacado neste domingo

Os cerca de 15 aviões franceses que participaram hoje das operações na Líbia não bombardearam as tropas das forças Gaddafi, ao contrário do que fizeram no sábado. Segundo o porta-voz do Ministério de Defesa francês, Laurent Teisseire, não foram constatadas ameaças das tropas do ditador a civis.

No sábado, no entanto, destruíram quatro veículos blindados que significavam uma ameaça nas proximidades de Benghazi, disse Thierry Burkhard, do Estado-Maior do Exército, que insistiu que o bombardeio não produziu vítimas civis, mas que não podia garantir se houve mortos entre os militares.

Os aviões franceses seguiram sobrevoando o nordeste da Líbia pouco depois das 14h de Brasília e até então não haviam "encontrado oposição", ressaltou o porta-voz ministerial.

Insistiu que o único objetivo da missão internacional, segundo a resolução da ONU, é "proteger a população civil das unidades militares do coronel Gaddafi".

O coronel do Estado-Maior repetiu que os aviões franceses têm ordem de bombardear "se a situação exigir e as condições permitirem".

Quanto às denúncias da Liga Árabe de que os bombardeios da coalizão afetaram civis e foram mais do que o autorizado pelas Nações Unidas, Teisseire assegurou que os franceses "estão dentro da resolução" e acrescentou que sua impressão é de que os outros países que intervieram (Reino Unido e Estados Unidos) também.

Sobre a questão do avião francês que as forças de Gaddafi disseram ter alcançado, respondeu que "é uma evidência de que a desinformação existe" no campo do líder líbio, e neste caso a considerou "grosseira".

Aviões de combate franceses foram os primeiros a atacar a Líbia no sábado (19) e se concentraram em destruir tanques e veículos blindados em Benghazi, ao leste do país.

Horas depois, navios e submarinos britânicos e americanos lançaram mais de 110 mísseis do cruzeiro Tomahawk contra os sistemas de defesa antiaérea líbios e atingiram mais de 20 alvos.

A rede de televisão "CBS" informou neste domingo que três bombardeiros B-2 americanos lançaram 40 bombas contra uma grande base aérea líbia, mas não existe confirmação oficial.

O líder líbio comparou a operação com um ato terrorista e disse que a derrota do Ocidente é inevitável.

* Com agências internacionais

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