Terremoto no Japão

Água do mar usada em usina de Fukushima pode afetar reator, diz organismo francês

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

A  presença de sal na água injetada na usina nuclear japonesa de Fukushima pode alterar a "muito curto prazo" a refrigeração do combustível, segundo o Instituto de Radioproteção e Segurança Nuclear (IRSN) da França  nesta quarta-feira (23).

O organismo manifestou preocupação com o risco de cristalização do sal injetado com a água de mar nos reatores, que poderia provocar, entre outros efeitos, "corrosão ou um impacto sobre a refrigeração dos núcleos".

"Conviria reconstituir as reservas de água doce", recomendou o organismo, que acrescentou que "os reatores 1, 2 e 3 se encontram em um estado particularmente crítico diante da ausência de uma fonte de refrigeração permanente".

"As piscinas necessitam receber água regularmente", revelou o instituto, segundo o qual "se está analisando a viabilidade de uma alimentação direta a partir dos sistemas de refrigeração".

O IRSN disse que, mais uma vez, a prioridade está em por em funcionamento esse sistema, que ficou sem energia elétrica como consequência do terremoto e do tsunami que atingiu o Japão em 11 de março.

Fumaça no reator 3

Os operários que trabalhavam no reator 3 da usina nuclear de Fukushima Daiichi foram evacuados da região nesta quarta-feira devido a uma fumaça preta que começou a sair dessa unidade, uma das mais afetadas pelas recentes explosões.

Por volta das 16h30 da hora local (4h30 de Brasília), uma espessa fumaça preta foi vista saindo do danificado reator 3 da usina, sem que se conheça a sua origem, indicou a Tokyo Electric Power Company (Tepco), a operadora da central.

Esta é a segunda vez em dois dias em que é observada fumaça escura saindo do reator 3, o que indica, segundo os especialistas consultados pela cadeia "NHK", que não se trata de vapor d'água.

A unidade 3 é uma das mais perigosas, porque funciona com uma mistura de urânio e plutônio.

Na noite de terça-feira, os operários da central conseguiram restabelecer a eletricidade do painel de controle da unidade, o que permitiria iniciar algumas funções internas e medir a temperatura e a pressão da instalação.

Partículas radioativas do Japão chegam à Islândia

Partículas radioativas supostamente provenientes do Japão foram detectadas sobre a Islândia, segundo as medições feitas pelas estações de isótopos radioativos da comissão preparatória da Organização do Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares (CTBTO).

A central de meteorologia da Áustria (ZAMG), que divulgou nesta quarta-feira os dados mais recentes, relata que no domingo passado foram detectadas pequenas quantidades de iodo-131 sobre a Islândia, que supostamente vieram da usina nuclear de Fukushima, danificada no último dia 11 pelo terremoto e posterior tsunami.

No entanto, os especialistas austríacos destacam que as quantidades registradas de iodo radioativo na estação de Reykjavik não constituem nenhum tipo de perigo para a saúde humana.

A ZAMG indicou também que na região do desastre as correntes de ar estão transportando radioatividade em direção ao Oceano Pacífico, enquanto as chuvas pararam.

Segundo os cálculos da central austríaca, se espera para os próximos dias mais vento em direção oeste, o que levaria as partículas radioativas novamente para o interior do Japão.

A CTBTO, que é dependente da ONU e tem sede em Viena, transmite os dados de suas medições aos 182 Estados-membros, que depois as divulgam caso os países desejem.

A organização ainda não se encontra em pleno funcionamento, já que uma série de países com programas nucleares por enquanto não ratificou o tratado, lançado em 1996.

O objetivo é estabelecer uma rede de 337 estações de medições de diferentes tipos, incluindo 80 que podem registrar isótopos radioativos.

Por enquanto, a rede conta com 264 estações distribuídas por todo o planeta.
 
* Com as agências internacionais

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