Terremoto no Japão

Testes revelam nível alto de césio radioativo em vegetais em Tóquio

Do UOL Notícias

Em São Paulo

Testes realizados pelas autoridades japonesas detectaram a presença de césio radioativo, em um nível 1,8 vez mais alto do que o padrão em vegetais analisados em Tóquio, segundo informou a agência de notícias Kyodo nesta quinta-feira.

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A contaminação por radiação foi detectada em vários vegetais provenientes da área próxima à usina nuclear atingida pelo terremoto e tsunami de 11 de março, mas esta foi a primeira vez que se detectou a contaminação em vegetais plantados na capital, 240 km ao sul da usina.

Nesta quinta-feira, os moradores de Tóquio passaram a receber água mineral de graça do governo depois do alerta de que o abastecimento de água da cidade teria sido contaminado por radiação. Além disso, o risco de contaminação nos alimentos fez com que outros países aumentassem as restrições às importações de comida japonesa.

Apesar das amostras de água recolhidas nesta quinta-feira apresentarem baixas quantidades de iodo radioativo, segundo a emissora japonesa NHK, o governo Metropolitano de Tóquio manteve o alerta dizendo que a água contaminada ainda pode estar no sistema de abastecimento da cidade.

Os programas de televisão destacaram as preocupações sobre os riscos do uso da água corrente para lavar alimentos ou roupas e recomendaram à população que estoque água em garrafas e não tome água da torneira.

"Não sei o que fazer", declarou Kazuko Hara, 39, que entrou em uma fila para receber água engarrafada, distribuída pela prefeitura de Bunkyo, para seu filho de três meses. "Os especialistas começaram a dizer que não havia motivos para entrar em pânico. Isto me tranquilizou. Mas quando você vê pessoas correndo para as lojas volta a ficar tenso", disse.

“A primeira coisa que pensei foi ‘preciso comprar garrafas de água’. Mas eu também não sei se eu posso deixá-la tomar banho", disse o agente imobiliário Reiko Matsumoto sobre a filha, Reina, 5. "Estou muito preocupado."

Toru Kikutaka, gerente de um dos principais supermercados de Tóquio, disse que após os alertas de quarta-feira, as garrafas de água acabaram quase que “imediatamente”. Um limite foi imposto de duas garrafas por cliente. "Eu nunca vi nada como isso", disse ele, olhando as prateleiras vazias.

 

Países restringem importação de alimentos

Austrália, Canadá e Rússia entraram nesta quinta-feira para a lista de países que vetaram a importação de alimentos da região da central nuclear de Fukushima até que a situação seja regularizada e os riscos eliminados.

A Rússia detectou na quarta-feira em um porto do Extremo Oriente um navio procedente do Japão com um nível de radiação três vezes superior ao normal, informou o diretor da agência de proteção ao consumidor, Guenadi Onichenko.

Leite e vegetais de locais próximos à usina nuclear de Fukushima, a 150 quilômetros ao norte de Tóquio e na prefeitura de Saitama, próxima à capital, apresentaram nível de radiação acima do normal, segundo a agência de notícias Kyodo. O governo japonês proibiu a comercialização de produtos frescos, como verduras e leite, em quatro municípios ao redor de Fukushima.


As análises dos alimentos serão ampliadas a mais seis municípios próximos, alguns deles próximos da megalópole de Tóquio. O ministério da Saúde intensificou os controles da pesca, depois da detecção de radioatividade na água do mar perto da central.

Os operários retomaram nesta quinta-feira as tentativas de refrigerar o reator 3 da central de Fukushima 1, interrompidas na véspera por uma liberação de fumaça negra, anunciou a Agência de Segurança Nuclear japonesa.

O reator 3 da central é o que mais preocupa as autoridades, já que sofreu danos particularmente graves durante o tsunami de 11 de março e após a explosão do edifício externo, provocado pelo acúmulo de hidrogênio.

Os bombeiros começaram a jogar água no reator para resfriar o combustível e impedir que entre em fusão, o que emitiria grandes quantidades de radioatividade na atmosfera. Três funcionários do reator 3 foram expostos à radiação, e dois deles tiveram que ser hospitalizados.

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