Terremoto no Japão

Litoral de Fukushima tem nível de iodo 4.385 vezes superior ao padrão

Do UOL Notícias
Em São Paulo

Um nível de iodo radioativo 4.385 vezes superior ao padrão foi medido na água do mar a cerca de 300 metros da central nuclear de Fukushima, no nordeste do Japão, informou nesta quinta-feira (31) a operadora Tepco. A medição desta quinta é superior ao resultado obtido na véspera, quando o nível de iodo radioativo foi 3.355 vezes superior ao normal na água do mar recolhida na mesma zona.

A água do mar analisada nos últimos dois dias tem o nível de iodo 131 mais alto desde o início da crise nuclear em Fukushima, inundada por um tsunami em 11 de março passado. O problema é provocado, provavelmente, porque a água utilizada para resfriar os reatores nucleares vazou para o mar.

Na quarta-feira, o Japão estudava opções para reduzir as emissões radioativas e retirar toneladas de água contaminada da central Fukushima, incluindo cobrir os reatores com uma lona especial ou utilizar os reservatórios de um navio-tanque. A operadora do complexo, Tokyo Electric Power (Tepco), aceitou a ajuda do grupo nuclear francês Areva. O Departamento americano de Energia também colocou à disposição robôs resistentes a radiações, capazes de recolher informações dos reatores nas instalações onde a radioatividade é elevada demais.

Criticado por sua ausência depois do início da mais grave crise nuclear depois Chernobyl, o presidente da Tepco, Masataka Shimizu, de 66 anos, foi hospitalizado na terça-feira à noite com hipertensão arterial, confirmou durante uma entrevista coletiva à imprensa o presidente de honra do grupo, Tsunehisa Katsumata.

Katsumata considerou inevitável o desmantelamento dos reatores 1 ao 4 da central Fukushima Daiichi, construída há mais de 40 anos na costa do Pacífico, 250 km ao norte de Tóquio e de seus 35 milhões de habitantes.

O complexo, que conta com seis reatores, não foi concebido para resistir ao tsunami de 14 metros gerado, no dia 11 de março, pelo mais poderoso terremoto já registrado no Japão.

Resgate de corpos

Devido ao temor dos efeitos da radiação, cerca de mil corpos não podem ser resgatados dentro da zona de evacuação de 20 quilômetros ao redor da usina nuclear de Fukushima, indicaram fontes da polícia japonesa nesta quinta-feira.

As autoridades revelaram que alguns corpos "foram expostos a altos níveis de radiação", como no caso de uma vítima encontrada na localidade de Okuma, na província de Fukushima, a cerca de cinco quilômetros da usina nuclear. No dia 27, as autoridades desistiram de recuperar o corpo, segundo a agência local Kyodo.

Os especialistas tentam encontrar a forma de resgatar os corpos dentro da zona de evacuação sem expor a altos níveis de radiação as equipes de emergência, legista e familiares no processo de identificação.

Os mortos dentro dessa zona de evacuação não podem ser submetidos à cremação, como é costume no Japão, já que se teme que o processo possa liberar gases radioativos. Também não se considera totalmente seguro enterrar os cadáveres, já que poderiam contaminar o terreno, segundo as fontes da Polícia consultadas pela "Kyodo".

Solução na usina

Milhares de toneladas de água do mar, substituídas recentemente por água doce por causa dos efeitos corrosivos do sal, foram jogadas dia e noite sobre os reatores de Fukushima para que fossem resfriados e para interromper a fusão.

Mas essa enorme quantidade de água contaminada pela radiação entrou nas salas de máquinas e nas galerias subterrâneas e, em seguida, vazou para o Oceano Pacífico. Os técnicos, que combatem a radiação há vinte dias, estão diante de um círculo vicioso: é fundamental resfriar os reatores, mas, quanto mais água utilizam, mais os índices de radioatividade aumentam. E quanto menos água injetam, mais a temperatura aumenta nos reatores.

A agência de segurança nuclear japonesa considerou nesta quarta-feira que é chegado o momento de buscar soluções inéditas.

"Estamos ante a uma situação sem precedentes e devemos pensar em estratégias diferentes, além do que fazemos normalmente", declarou uma autoridade à AFP.

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