Terremoto no Japão

Jornal, serragem e concreto reduzem vazamento em Fukushima, diz empresa japonesa

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

A empresa Tepco (Tokyo Electric Power Co ), administradora da usina nuclear de Fukushima, no Japão, disse que conseguiu reduzir o vazamento de água contaminada do reator 2 para o mar.

Segundo a administradora, os funcionários usaram uma mistura de jornal, serragem e concreto para reduzir o vazamento.

 “Não podemos calcular a quantidade, mas podemos confirmar, visualmente, que o o vazamento diminuiu, então temos motivos para acreditar que, até certo ponto, nossas medidas estão funcionando”, disse um porta-voz da Tepco.

Seu problema é que, até que o reparo seja feito, eles precisam bombear água de fora para evitar superaquecimento e derretimento. O processo gera mais água contaminada, que precisa ser bombeada e armazenada em outro lugar ou liberada no mar.

Há um total de 60 mil toneladas de água altamente contaminada acumulada na usina, já que os trabalhadores despejaram água do mar freneticamente quando as hastes de combustível sofreram um derretimento parcial após o impacto do tsunami de 11 de março.

Na segunda-feira a empresa foi forçada a começar a liberar 11.500 toneladas de água do mar com baixa radioatividade depois de esgotar sua capacidade de armazenamento de água mais contaminada. A liberação continuará até sexta-feira.

Iodo radioativo até 4.800 vezes acima do limite legal foi localizado no mar próximo da usina. Foi encontrado césio em níveis acima dos limites de segurança em peixes "kounago" nas águas da cidade de Ibaraki, ao sul de Fukushima, relatou a mídia local.

O iodo-131 na água da eclusa do reator 2 atingiu um pico 7,5 milhões de vezes acima do limite legal no dia 2 de abril, e caiu para 5 milhões na segunda-feira.

Restrições aos alimentos

O governo japonês disse que, após a constatação de que peixes foram contaminados pela água, está avaliando a possibilidade de impor restrições pela primeira vez desde o acidente. A Índia foi o primeiro país a vetar importações de alimentos de qualquer região do Japão.

Até agora, o Japão não havia estabelecido um máximo legal de iodo para a pesca, já que a Agência de Segurança Nuclear considerava difícil que os pescados acumulassem radioatividade, mas na atual situação o governo planeja determinar limites semelhantes aos decretados para o caso das verduras.

Áreas próximas da usina de Fukushima

  • O governo japonês pediu aos moradores de um raio de 20 a 30 quilômetros próximo da usina de Fukushima que permaneçam em casa e com as janelas fechadas. A medida serve como forma de proteção contra a radiação da usina nuclear de Fukushima, após acidente com os reatores

Na mesma região de Ibaraki, outro peixe mostrou uma contaminação de 526 becquerels de césio radioativo, acima do limite legal de 500 becquerels, o que levou a cooperativa local de pescadores a proibir a captura desta espécie, informou a agência local "Kyodo".

Em meio à preocupação pelo impacto da contaminação na indústria pesqueira da área, o ministro da Agricultura e Pesca, Michihiko Kano, assegurou que o governo intensificará as inspeções para verificar a segurança dos produtos.

A fiscalização será reforçada em Ibaraki, mas também na província litorânea de Chiba, ao leste de Tóquio, informou Kano, citado pela "Kyodo".

Nesta terça-feira, a Tepco ofereceu indenizações a título de consolo a dez cidades vizinhas, cujos residentes se viram obrigados a abandonar seus domicílios. Mas, a exemplo da fúria crescente do público em relação à empresa proprietária da usina, as municipalidades estão rejeitando a doação de 20 milhões de ienes (170.000 euros, 237.000 dólares).

Uma porta-voz da cidade de Namie declarou que a oferta da Tepco foi rejeitada, o que permite que a municipalidade e a população possam criticar livremente a sociedade.

"A população local supera os 20.000 habitantes, o que faria com que residente recebesse menos de 1.000 ienes (pouco mais de 11 dólares) cada um. Isso não ajuda os flagelados".

Cerca de 80.000 pessoas residentes num perímetro de 20 km em torno da central acidentada pelo terremoto e tsunami de 11 de março se viu obrigada a evacuar a zona, deixando tudo para trás.

Por outra parte, muitos agricultores da província de Fukushima tiveram que suspender a comercialização de verduras e de leite devido ao índice demasiado elevado de radioatividade emanado por quatro reatores danificados.

O ministro da Indústria, Banri Kaieda, declarou nesta terça que ordenou à Tepco se prepare para pagar indenizações às populações mais atingidas.

Segundo a agência de notícias Kyodo, a sociedade deve calcular com o governo as enormes indenizações que deverá pagar às empresas, agricultores e pescadores prejudicados pelo acidente nuclear.

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