Terremoto no Japão

Vazamento de água radioativa na usina de Fukushima é contido

Do UOL Notícias
Em São Paulo

O vazamento de água radioativa que saía do reator dois da usina nuclear de Fukushima, no Japão, e caía no oceano foi contido, anunciou nesta quarta-feira (6) – pelo horário japonês – a Tokyo Electric Power Co. (Tepco), operadora da usina.

Na tentativa de conter o vazamento, a Tepco, injetou 1.500 litros de  silicato de sódio, também conhecido como vidro líquido, e um outro agente perto de um poço à beira-mar onde a água altamente radioativa havia escoado. 

A usina nuclear foi severamente danificada pelo terremoto e tsunami do último dia 11 de março.

Na segunda-feira (4), a empresa foi forçada a começar a liberar 11.500 toneladas de água do mar com baixa radioatividade depois de esgotar sua capacidade de armazenamento de água mais contaminada. A liberação continuará até sexta-feira.

Iodo radioativo até 4.800 vezes acima do limite legal foi localizado no mar próximo da usina. Foi encontrado césio em níveis acima dos limites de segurança em peixes "kounago" nas águas da cidade de Ibaraki, ao sul de Fukushima, relatou a mídia local.

O iodo-131 na água da eclusa do reator 2 atingiu um pico 7,5 milhões de vezes acima do limite legal no dia 2 de abril, e caiu para 5 milhões na segunda-feira.

Restrições aos alimentos

O governo japonês disse que, após a constatação de que peixes foram contaminados pela água, está avaliando a possibilidade de impor restrições pela primeira vez desde o acidente. A Índia foi o primeiro país a vetar importações de alimentos de qualquer região do Japão.

Até agora, o Japão não havia estabelecido um máximo legal de iodo para a pesca, já que a Agência de Segurança Nuclear considerava difícil que os pescados acumulassem radioatividade, mas na atual situação o governo planeja determinar limites semelhantes aos decretados para o caso das verduras.

Na mesma região de Ibaraki, outro peixe mostrou uma contaminação de 526 becquerels de césio radioativo, acima do limite legal de 500 becquerels, o que levou a cooperativa local de pescadores a proibir a captura desta espécie, informou a agência local "Kyodo".

Em meio à preocupação pelo impacto da contaminação na indústria pesqueira da área, o ministro da Agricultura e Pesca, Michihiko Kano, assegurou que o governo intensificará as inspeções para verificar a segurança dos produtos.

Indenizações

Nesta terça-feira (5), a Tepco ofereceu indenizações a título de consolo a dez cidades vizinhas, cujos residentes se viram obrigados a abandonar seus domicílios. Mas, a exemplo da fúria crescente do público em relação à empresa proprietária da usina, as municipalidades estão rejeitando a doação de 20 milhões de ienes (US$ 237 mil).

Uma porta-voz da cidade de Namie declarou que a oferta da Tepco foi rejeitada, o que permite que a municipalidade e a população possam criticar livremente a sociedade.

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