Terremoto no Japão

Nível de emissões radioativas em Fukushima é menor que em Tchernobil, diz Japão

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

O Serviço de Segurança Nuclear do Japão disse nesta terça-feira que, apesar do acidente nuclear na usina de Fukushima ser tão grave quanto o de Tchernobil, em 1986, os níveis das emissões radioativas registrados desde o início da crise japonesa equivale apenas a 10% do total liberado após o desastre na central ucraniana.

As medidas disponíveis da radioatividade que escapou da usina de Fukushima "mostram níveis equivalentes ao nível 7", declarou um funcionário do Serviço.

"Houve emissões de vapor e fumaça em Fukushima, mas não com a mesma amplitude e natureza que em Tchernobil", acrescentou.

A explosão do reator 4 da central ucraniana, em 26 de abril de 1986, emitiu em 10 dias cerca de 12 bilhões de becquerels no meio ambiente - ou 30.000 vezes mais que o total das emissões radioativas atmosféricas anuais no mundo.

Nesta terça-feira, o acidente em Fukushima foi classificado no nível 7, valor máximo da Escala Internacional de Incidentes Nucleares e Radiológicos (INES), que corresponde a um "acidente grave" e significa que "ocorreu uma emissão maior de materiais radioativos" com "efeitos generalizados na saúde e no meio ambiente", de acordo com a descrição da INES.

O Serviço de Segurança Nuclear japonês indicou que o novo patamar é "provisório", e que a decisão foi tomada devido "às medições de iodo e césio registradas no meio ambiente". Entretanto, destaca, a decisão definitiva ficará a cargo de um comitê de especialistas internacionais.

Mesmo assim, os funcionários da usina continuam trabalhando para reativar os sistemas de resfriamentos dos reatores danificados pelo terremoto.

Premiê japonês diz que situação será estabilizada

O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, afirmou nesta terça-feira que a situação na central nuclear de Fukushima está sendo estabilizada passo a passo, e que os vazamentos radioativos registram diminuição.

"Passo a passo, os reatores da central avançam para a estabilidade. O nível de vazamento radioativos está caindo", afirmou em uma entrevista coletiva.

Kan pediu aos japoneses que retomem sua vida normal, a tragédia que deixou mais de 27.000 mortos e desaparecidos.

Na segunda-feira, o governo mostrou-se prudentemente otimista, estimando que "o risco de que a situação na central se deteriore e leve a um novo vazamento radioativo maior reduziu-se consideravelmente".

Ao mesmo tempo, as autoridades anunciaram novas evacuações além da zona de exclusão de 20 km, devido às novas medições de radioatividade.

Especialistas acreditam que a região de Fukushima, cuja principal fonte de renda é a atividade agrícola, pode ficar isolada durante anos, da mesma forma que até hoje vigora uma zona de exclusão de 30 km ao redor de Tchernobil.

Novos tremores

Duas novas réplicas de magnitude 6.2 e 6.0 voltaram a assustar os moradores da região nordeste nesta terça, embora sem causar danos ou vítimas. Os sismos foram sentidos em Tóquio, a 170 km de distância, onde os edifícios tremeram.

Os sucessivos tremores secundários do devastador terremoto de magnitude 9, ao qual se seguiu um tsunami no dia 11 de março, são um tormento na rotina dos sobreviventes da catástrofe, que já sofrem com a vida nos abrigos e a situação precária de suas cidades. Foram mais de 400 com magnitude superior a 5.

*Com informações da Reuters

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