Terremoto no Japão

Em 1986, Japão considerava "impensável" um acidente nuclear como o de Tchernobil no país

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

O acidente nuclear na usina de Tchernobil, em abril de 1986, era algo “impensável” para as autoridades japonesas na época, segundo revela um artigo publicado em 30 de abril do mesmo ano, sobre o ocorrido na Ucrânia, por acreditarem que suas instalações eram mais seguras que as demais.

No texto publicado no jornal “Asahi Shimbun”, as autoridades japonesas argumentavam que o “reator de Tchernobil era um tipo de reator soviético que não era usado no Japão, onde os modelos contavam com dois ou três sistemas de segurança”. Na época, o país asiático continha 32 reatores em atividade, tinha a quarta maior capacidade de produção do mundo, atrás apenas de Estados Unidos, França e União Soviética.

“Até 1967, quando o Japão examinou a construção de uma nova geração de reatores, todas as ofertas russas foram descartadas, já que as garantias de segurança eram insuficientes”, diz o artigo, no qual o governo afirmava “ter muito mais cuidado” que outros países “em matéria de segurança”.

Duas semanas após o acidente em Tchernobil, diversas organizações passaram a pedir o fechamento das usinas nucleares do Japão. O governo argumentou que, mesmo que tivesse ocorrido algum acidente, nunca houve vazamento radioativo na central.

Na época, a emissora pública japonesa “NHK” também afirmava que Tchernobil seria “o acidente nuclear mais grave da história”, sem imaginar que 25 anos depois o país enfrentaria o mesmo risco.

Se os efeitos e causas de ambos os acidentes são diferentes, a comparação com o ocorrido em Tchernobil recorda mortes por radiação, regiões transformadas em desertos, a contaminação massiva e o alto número de pessoas que tiveram câncer após o acidente.

Entre 1986 e 2011, o número de reatores no Japão aumentou como já previa um plano de energia elaborado em 1987 no país. As centrais nucleares enfrentaram vários problemas, o mais crítico em 1999, em Tokai-mura, a menos de 150 quilômetros de Tóquio. Atualmente o país possui 55 reatores em operação.

Acidente em Fukushima

O nível de gravidade do acidente na usina nuclear de Fukushima foi classificado em 7, o mesmo de Tchernobil e o mais alto da Escala Internacional de Incidentes Nucleares e Radiológicos (INES). No entanto, as autoridades japonesas afirmam que as emissões radioativas são, até agora, inferiores às da central da Ucrânia.

No domingo (17), a operadora da central nuclear japonesa de Fukushima informou que precisará de três meses para que comece a diminuir a radioatividade e de seis a nove meses para esfriar os reatores.

 “É óbvio que o acidente de Fukushima vai levantar novos debates no Japão e mudar o futuro da energia nuclear”, disse um especialista à AFP. Mesmo assim, segundo ele, esse tipo de energia não será abandonado.

Nível de radiação a que estamos expostos e seus efeitos

  • Fonte: The Guardian e Radiologyinfo.org

*Com informações da AFP

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