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"João Paulo 2º me salvou", diz náufrago que passou 14 dias à deriva no Oceano Atlântico

Mooney conversa com o papa durante audiência, em Roma, em 2004 - Arquivo pessoal/Victor Mooney
Mooney conversa com o papa durante audiência, em Roma, em 2004 Imagem: Arquivo pessoal/Victor Mooney

Thiago Varella<br>Do UOL Notícias<br>Em São Paulo

29/04/2011 07h00

Para o norte-americano Victor Mooney, 45 anos, o papa João Paulo 2º é santo. Ele afirma que foi salvo pelo pontífice, que será beatificado no domingo (1º), quando passou 14 dias à deriva, no mar.

Mooney tentava pela terceira vez atravessar o Oceano Atlântico em um barco a remo. O americano saiu de Cabo Verde, na África, no dia 26 de fevereiro de 2009, rumo a Nova York, onde mora. No entanto, no segundo dia de viagem, sua embarcação virou e o aventureiro se viu à deriva, em um bote inflável, no meio do mar, sem comida e com pouca água potável. 

“Um navio chegou a ver que eu precisava de ajuda, mas não parou para me resgatar”, contou ao UOL Notícias pelo telefone. “No entanto, nunca deixei de acreditar. Passava o dia rezando e pedindo: ‘Santo Pai, preciso de sua ajuda’”, completou. 

Mooney diz que escolheu pedir ajuda em oração para João Paulo 2º, porque o papa abençoou sua aventura em 2004. Na época, o americano se encontrou com o pontífice, em uma audiência em Roma, e pediu para ser abençoado em sua aventura.

Minha ideia era partir do Senegal até a Bahia, aí no Brasil. Por isso, passei alguns dias aí no país. Conheci a equipe brasileira de remo e cheguei a me encontrar com o presidente Lula

“Contei ao papa que minha viagem seria para alertar a todos dos perigos da Aids. Perdi um irmão com essa terrível doença e tenho outro que é HIV positivo. O papa já estava bem velhinho e doente, mas me ouviu e abençoou."

Segundo Mooney, seu encontro com João Paulo 2º foi intermediado por um cardeal brasileiro. Isso porque a preparação para a primeira viagem foi toda feita no Brasil.

“Minha ideia era partir do Senegal até a Bahia, aí no Brasil. Por isso, passei alguns dias aí no país. Conheci a equipe brasileira de remo e cheguei a me encontrar com o presidente Lula”, contou. 

A primeira aventura terminou horas após a partida, por problemas no barco. A segunda tentativa também foi frustrada. Em 2009, Mooney acabou sendo resgatado por um navio em alto-mar.

Naquele ano, o acaso acabou colocando o Brasil no caminho de Mooney novamente. Após 14 dias perdido no oceano, o aventureiro foi encontrado por um cargueiro grego, que estava indo para São Luís, no Maranhão. “Eu estava fraco e desidratado, mas não estava doente. Tenho certeza que foi o papa que me deu forças. João Paulo 2º não me abandonou no mar”, afirmou. “Quando cheguei no Brasil, percebi que minha missão estava completa. Não pretendo voltar ao oceano tão cedo”, completou.

Mooney pretende pedir o reconhecimento do “milagre” de ter sido salvo pelo papa João Paulo 2º. “Para mim, o papa já é santo. E o que se passou comigo, no mar, foi, de fato, um milagre”, disse. “Mas, eu sou apenas uma das milhares de pessoas ajudadas por ele. Rezar para o papa João Paulo 2º é ter a certeza de que a oração vai chegar a Deus”, finalizou.

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